Executivas de tecnologia acreditam que há discriminação no setor

Os programas de diversidade ainda não estão causando o impacto e resultado esperados pelas mulheres que atuam com tecnologia da informação (TI). É o que aponta pesquisa realizada pela Michael Page, empresa global de recrutamento especializado. De acordo com o levantamento, 85% das respondentes informaram que há discriminação no segmento de TI. Os homens compartilham da mesma opinião das mulheres: para 62% dos respondentes, há discriminação no setor de tecnologia.

João Paulo Kluppel, gerente-executivo da Michael Page, aponta que o resultado indica que está claro que o ambiente diverso ainda não é realidade nas empresas de TI. “A grande maioria das mulheres expressou essa situação e expôs um problema que precisa ser equacionado. É importante também entender as reais causas desta questão. Será que isto acontece por falta de qualificação profissional? Preconceito? Poucas mulheres nesse mercado?”, questiona.

Parte dessas respostas podem ser encontradas na própria pesquisa. Esse levantamento contou com 1745 respondentes, sendo que apenas 12% são do gênero feminino. Nos processos seletivos conduzidos pelo PageGoup nos últimos dois anos, a cada dez entrevistas realizadas para a área de TI, apenas três profissionais eram mulheres. Dados da Sociedade Brasileira de computação mostram que 15% das matrículas nos cursos de Ciência da Computação e de Engenharia são feitas por mulheres e apenas 17% são programadoras no Brasil.

Para realizar o Barômetro de TI, estudo realizado junto aos profissionais da área de tecnologia com o objetivo de mapear esse mercado, o PageGroup contou com a participação de 1745 respondentes e análise dos currículos de cerca de 17 mil profissionais de tecnologia de diversas empresas e setores.

Qualificação e RH pouco especializado

A pesquisa procurou entender com os gestores de TI as principais dificuldades no momento de recrutar os melhores profissionais para suas equipes. A maior delas, segundo os dados coletados, é a falta de qualificação dos profissionais (41%). Em seguida aparece a área de RH interna pouco especializada em TI (15%). Logo depois, com 15%, profissionais que não falam inglês ou outro idioma. A alta concorrência no mercado foi motivo apontado por 10% dos respondentes enquanto 9% detectaram posições ou empresas pouco atraentes. Em 4% das respostas, localização das empresas e falta de tempo para encontrar candidatos, cada. E, por fim, com 2%, não conhece ou pouco conhece canais para encontrar candidatos.

TI em linha com outras áreas

Atuar na área de Tecnologia da Informação não torna o profissional diferente de qualquer outro especialista quando o assunto é desafios e problemas enfrentados pelos executivos de TI. De acordo com os participantes do estudo, a falta de processos definidos, tarefas urgentes atrapalham a estratégia e burocracia na tomada de decisões lideram o tripé dessa questão, com 14% das respostas, cada. Foi detectado, ainda, falta de engajamento dos gestores (12%), pouco investimento em TI (9%), salário não adequado e alta carga operacional (8%, cada) e não reconhecimento de TI no Brasil (7%).

Visão x valores

Outro aspecto levantado pelo estudo trata de como a área de TI é vista pelas organizações. De acordo com os resultados, 36% enxergam como core business, grande parceiro, planejamento estratégico das empresas. Para os outros 64%, back office, área de apoio, suporte corporativo, área secundária.

Esse resultado pode explicar um pouco quanto as companhias destinam de orçamento para investimentos em Tecnologia da Informação. O estudo mostra que a maior fatia das empresas (27%) reservou menos de R$ 300 mil. Destinações de R$ 2 a 5 milhões foram as intenções de 17%. Investimentos de R$ 601 mil a R$ 1 milhão foi a opção de 14%. Cifras de R$ 301 mil a R$ 600 mil e de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões foram as alternativas de 13%, cada. Abaixo de R$ 2 milhões foi a escolha de 12%.

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