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Evolução das telecomunicações exige profissionais qualificados

A discussão sobre a falta de mão de obra capacitada em tecnologia da informação e telecomunicação não é recente, mas o assunto é recorrente no setor que enxerga no cenário um desafio para o crescimento dos negócios e da economia. Segundo levantamento realizado pelo Observatório Softex, unidade de inteligência, estudos e pesquisas da Softex, haverá, em 2022, déficit de 408 mil profissionais na área, o que pode significar uma perda de receita de R$ 167 bilhões entre 2010 e 2020 para o segmento.
Sergio Quiroga, presidente da Ericsson América Latina & Caribe, relatou durante debate realizado na Futurecom que o Brasil forma 30 mil engenheiros por ano. No entanto, somente 5% direcionam suas carreiras para o setor de telecom. “Falta gente”, observa. Segundo ele, se em solo nacional, em 2020, vamos presenciar 2 bilhões de dispositivos conectados, como parte do movimento da Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), precisamos de um grande contingente de pessoas para fazer isso acontecer e garantir a evolução do setor.
“A Coreia conseguiu. O Produto Interno Bruto do país em 1970 é igual ao do Brasil hoje. Atualmente, o deles é quatro vezes maior do que o nosso. Isso foi possível porque 25% dos profissionais formados são engenheiros de telecom”, constata.
O Conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) Marcelo Bechara concorda que falta gente no mercado para fazer essa roda girar. “Não é somente o Ciência Sem Fronteiras que vai acabar com esse gargalo. Governo e setor privado precisam se unir”, pontua. Ele lembra que o sistema S – Sesi, Senai e Senac – têm contribuído para eliminar essa lacuna, mas é preciso mais. “Faltam mais ações para formar esse pessoal”, completa.
No Grupo Algar, Divino Sebastião de Souza, presidente da empresa, diz que a companhia tem, já há alguns anos, direcionado as atenções para o problema. Há oito anos, a Algar patrocina maratonas de programação em Uberlândia (MG). Na última rodada, captou 50 técnicos de universidades para desenvolvê-los. “Sentimos falta de mão de obra qualidade. Uberlândia é o reduto dos melhores programadores do Brasil e lá podemos desenvolver esses talentos”, salienta.

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