O Brasil já é considerado
um mercado-alvo por especialistas e empresas interessadas em explorar os
negócios gerados pela tecnologia de transmissão de dados pela rede elétrica.
Não é à toa que, em março deste ano, o Rio de Janeiro hospedou pela primeira
vez o evento ISPLC 2010 (International Symposium on Power
Line Communications and its Aplications). “Um dos
problemas críticos para a adoção do conceito de redes elétricas inteligentes (smart grids) no Brasil são os custos de
telecomunicação”, afirmou Pedro Jatobá,
presidente da Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e
de Sistemas Privados de Telecomunicações (APTEL), durante o evento.
Reduzir esses custos é um desafio para a
popularização das tecnologias power line
communications (PLC) e broadband over
line communications (BLC). Ainda há muito chão para os negócios ganharem
escala. A começar pela definição de padrões. No início de janeiro, foi dado um importante
passo para tornar as redes elétricas inteligentes domésticas (smart grids) uma realidade e não somente
cenas vistas em cartoons da família Jetson.
O grupo IEEE1901,
formado por pesquisadores do Institute of Electrical and Electronics Engineers,
responsável pela definição de padrões para a transmissão de dados em linhas de
eletricidade, publicou a minuta 2.0 do seu documento regulador para o mercado
internacional.
Conhecido entre os
técnicos como Draft 2.0, ele reformula a versão 1.0 e ganha aceitação
industrial e comercial. Espera-se que os retoques finais do documento sejam
dados até o final deste ano – com a expectativa de aceitação de fabricantes e
usuários. A luta é por um mercado que deve movimentar cerca de US$ 200 bilhões até
o ano de 2015, segundo pesquisa da empresa Pike Research.
A interoperabilidade
pretendida vai muito além da conversa entre a torradeira e o forno de
micro-ondas. Ela vai definir as possibilidades de todo um segmento industrial,
ainda incipiente na maioria dos países. A variedades de padrões é uma barreira
para a universalização dos dispositivos. Na política tecnológica, pelo menos mais
quatro padrões disputam a hegemonia da transmissão de dados pela rede elétrica.
Os interesses são
representados pelas seguintes organizações: a aliança High-Definition Power
Line Communication (HD-PLC), o HomePlug Powerline Alliance (HPA), a Universal
Powerline Association (UPA) e a europeia Open PLC Research
Alliance (Opera).
Enquanto a
padronização universal não vem, algumas decisões políticas podem definir o rumo
das coisas. A começar pela decisão da União Europeia de investir 9,06 milhões
de euros em tecnologia PLC em vários países da região.
Nos Estados Unidos, a
tecnologia atende pelo nome HomePlug. Lá há um apoio forte vindo do American
Recovery and Reinvestiment Act (ARRA). Foram destinados US$ 4,3 bilhões para
financiamento de vários projetos. O segmento está explodindo, segundo estudo do
Pike Research, que estima que os negócios relativos a “redes elétricas
inteligentes” vão triplicar, saindo de US$ 10 bilhões em 2009 para US$ 35
bilhões em 2013 nos Estados Unidos.
Para o Brasil, o
argumento para a adoção mais intensiva da rede elétrica como meio de
comunicação é sua capilaridade (98%), superior à rede de telefonia (52%) e a
estrutura de cabo de fibra óptica (10%). Projetos como os de Barreirinhas,
interior do Maranhão, interligando escolas, posto de saúde, prefeitura e centro
de artesanato pela fiação elétrica existente, mostram que é possível realizar a
utopia e promover a inclusão digital a custos mais reduzidos.
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