A ética faz parte da estratégia da minha empresa tanto quanto os resultados?
Se a sua resposta a essa reflexão for negativa, considere que o risco de ocorrência de fraude na sua empresa aumenta potencialmente a cada dia.
Lançado recentemente pela ICTS, empresa de consultoria e serviços em gestão de riscos de negócios, o Relatório Bienal da Pesquisa do Perfil Ético dos Profissionais das Corporações Brasileiras mostra que, dos 3.211 profissionais de 45 empresas privadas no Brasil, 69% são flexíveis quando confrontados em dilemas éticos no seu dia a dia. Ou seja, vão agir conforme o ambiente e as circunstâncias a que estiverem expostos.
Isso pode ser uma boa ou má notícia, a depender do nível de atenção que a organização dedica ao tema ética.
Embora a fraude seja um fenômeno complexo, porque tem uma dinâmica não-linear, algumas ferramentas de compliance podem contribuir para o seu enfrentamento. Daí a importância das organizações investirem em um programa de gestão da ética que compreenda ações, como:
– Elaboração de código de conduta: ferramenta que abrange, além de normas e diretrizes sobre valores éticos que devem ser seguidos, os comportamentos que a empresa espera de seus funcionários em situações específicas.
– Adoção de uma política de comunicação permanente: é importante que a organização adote, para seus colaboradores, medidas educativas quanto aos valores éticos expressos no código de conduta. O intuito é ampliar o grau de aderência desses valores aos valores dos funcionários.
– Estabelecimento de um sistema de recrutamento centrado na ética: a atração, seleção e retenção de funcionários que compactuam com os valores éticos incorporados pela organização torna-se fundamental, uma vez que a não aderência a tais valores pode facilitar a adoção de comportamentos sem compromisso com a ética, nos quais os agentes atuam em consonância com seus interesses pessoais em detrimento dos interesses da organização.
– Instituição de um comitê de ética: recomenda-se que as organizações constituam um comitê de ética, com responsabilidade educativa. O monitoramento de ambientes e de transações está correlacionado com a instituição de sistemas de controle interno, cujo objetivo é reduzir as possíveis vulnerabilidades existentes nos processos da organização e assim mitigar riscos.
A pesquisa demonstrou ainda que o líder pode ser mais flexível do que o liderado. Se o comportamento do líder é fortemente influenciado pelo contexto, as pressões pelos resultados e a cultura organizacional permissiva não contribuem para os comportamentos éticos.
Vale ressaltar ainda que as ferramentas de compliance não estancam o problema da fraude, mas está claro que a sua inexistência fortalece esse fenômeno.
Acesse aqui a Pesquisa do Perfil Ético dos Profissionais das Corporações Brasileiras
(*) Renato Almeida Santos é gestor da área de Análise de Aderência à Ética na ICTS Global
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