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Empresas buscam no planejamento da cadeia de suprimentos os recursos necessários para voltar a crescer

Muito se fala sobre as mudanças que a crise da Covid-19 vai trazer para a sociedade e isso inclui como as empresas vão planejar suas operações à luz dessas alterações. A transformação passará certamente pela aceleração na digitalização de processos manuais para dar maior capacidade competitiva e de inovação, mas também por integrar processos e diminuir a quantidade de silos de informações. Um dos grandes desafios é a integração da cadeia de suprimentos em todas as suas etapas, no pré e no pós produção, passando pelos processos de compras, logística de distribuição, relacionamento com o consumidor e desafios de logística reversa e de economia circular.

Como exemplo do tamanho do desafio, pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicou que, em outubro, a falta de insumos atingiu os maiores níveis desde 2001 em 14 dos 19 segmentos da indústria, incluindo automobilístico e tecelagem, sendo que, no setor de vestuário, a dificuldade de encontrar matérias-primas para atendimento da demanda produtiva atingiu 74,7% das empresas.

Isso acontece porque, para proteger capital de giro, as empresas buscam manter em estoque o mínimo necessário. Mas, com as paralisações ou desacelerações no ritmo de produção durante os meses iniciais da crise econômica impulsionada pelo novo coronavírus, a demanda por matérias-primas caiu, deixando fornecedores sem previsão sobre o retorno da produção pela indústria, em um modelo de contenção replicado em escala. Quando a crise mostrou sinais de arrefecimento, não havia insumos suficientes em estoque, atrasando ainda mais a retomada da produção.

O cenário de escassez poderia ter sido evitado – ou pelo menos amenizado – se as empresas contassem com planos de contingência para cenários extremamente adversos. Mas, diante da falta de projeções que levassem em consideração os componentes da cadeia de suprimentos integrados ao forecast de vendas, todo o ecossistema foi desafiado.

Tomemos como exemplo a expansão do comércio eletrônico. Ela chamou a atenção das empresas para alguns gargalos de suas operações e exigiu mudanças estruturais na gestão da cadeia. Dos insumos necessários à produção ao produto final e ao processo logístico inbound e outbound, passando pelo gerenciamento dos centros de distribuição – inclusive com necessidade de descentralização em alguns setores para agilizar a entrega, diminuir os custos de fretes e se diferenciar da concorrência – tudo precisou ser revisto.

Já no varejo físico ficou evidente como a digitalização é parte da nova experiência de consumo. Clientes, funcionários e fornecedores passaram a ter novas necessidades e os processos precisaram ser repensados para captar as demandas desses stakeholders. Nesse sentido, não é exagero dizer que a construção de cenários com base em dados analíticos será, de agora em diante, uma constante para as empresas que desejam se manter competitivas, tornando-se um dos principais aprendizados da crise da Covid-19.

Pensando no futuro próximo, deve ganhar escala o uso de novas tecnologias, como IoT (internet das coisas), machine learning e inteligência artificial, que, embarcadas nas soluções de supply chain e associadas a uma boa gestão e inteligência de negócios, irá permitir às organizações acelerar a criação de valor, a partir de três pilares: automação de processos, obtenção de predições ou insights automatizados sobre os dados e nova geração de interfaces inteligentes, como chatbots.

Outro ponto que deve ser valorizado no processo de gestão associado ao processo de supply chain é gestão da experiência na economia digital. É essa capacidade que vai definir as empresas do futuro, que olham novas formas de fazer e de endereçar as necessidades dos consumidores.

A responsabilidade sobre toda a cadeia de suprimentos – desde a concepção de um produto, passando pela escolha da matéria prima, escolha de fornecedores qualificados e preparados para essa nova realidade, passando pelo processo produtivo nas fábricas e nas etapas seguintes de armazenagem e toda a logística envolvida até chegar no cliente final – exige um conjunto de rastreadores que só é possível apoiado em sistemas de gestão da cadeia de suprimentos, não apenas para garantir a eficiência, flexibilidade produtiva e acuracidade das informações, mas também para dar a transparência que será cada vez mais demandadas para fidelizar clientes e alcançar novos mercados.

*Eliseo Bouzan é vice-presidente da área de Supply Chain na SAP Brasil

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