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E-commerce das Casas Bahia reflete entrada das classes C e D na internet

A maior rede varejista do Brasil inaugurou nesta semana sua loja online. Conhecida pelos carnês de parcelamento e por dominar consumidores das classes D e E, a rede terá como desafio desenvolver uma ferramenta online que possa atender aos clientes “desbancarizados”, ou seja, aqueles que não possuem conta em banco, segundo avaliam consultorias. Obstáculos à parte, a chegada do grupo deve impactar positivamente o setor e fazer bem aos números  do e-commerce brasileiro.

Conforme revelou Gerson Rolim, diretor-executivo da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net), nos últimos meses, as classes que mais crescem no e-commerce brasileiro são a C e D, também integrantes do foco das Casas Bahia. “Já vínhamos observando crescimento acelerado de famílias com renda de até R$ 3 mil no e-commerce”, observa. “Esse surgimento de consumidores foi um dos motivos para as Casas Bahia entrarem. Eles perceberam a migração do público”, completa.

A rede varejista informou que já vinha trabalhando no projeto de comércio eletrônico há três anos e, talvez, como observou Rolim, essa espera pode ter relação com a movimentação do mercado e a mudança no perfil dos consumidores. Os meios de pagamento – 70% das pessoas que compram pela internet pagam com cartões de crédito – também devem ter pesado na decisão. Haveria uma forma de digitalizar o carnê que popularizou a rede? A loja virtual oferece como opções: cartão de crédito, débito e boleto bancário.

Para o e-commerce brasileiro, além de aumentar a concorrência, melhorando a questão das promoções online, a chegada das Casas Bahia pode impulsionar essa tendência de classes de menor renda aderir ao comércio eletrônico.

Carrefour a caminho

Grande player do ramo supermercadista, o Carrefour é, agora, a única grande rede varejista a não atuar no e-commerce. Se bem que, como lembrou Rolim, não é possível dizer que a rede de origem francesa não tenha nenhuma ação na web. “Eles lançaram recentemente o Carrefour Viagens, que é uma agência de viagens online. Também atuam com venda e locação de filmes. Talvez eles tenham optado por estratégia diferenciada, apostando em canais onde os concorrentes não tenham força”, explicou.

Ainda assim, diante do cenário atual, não deve tardar para que o Carrefour lance sua loja online, as apostas dão conta que até o fim de 2009 a rede tenha seu canal de vendas na web.

Projeções

Apesar da crise e de todas as incertezas que pairam nas sociedades por todo o mundo, a expectativa, segundo a Câmara-e.net, é que o comércio eletrônico cresça 30% em 2009, atingindo um faturamento bruto de R$ 10 bilhões. Em 2008, o setor encerrou com avanço de 35% ante 2007. A empresa entende que há uma grande janela de crescimento para o e-commerce, já que, em relação ao comércio físico, o faturamento ainda é pequeno.

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