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É automação, não arte

No mundo da TI, parece ser comum a crença de que o seu ambiente é algo único. Até mesmo especial. Diferente de forma mensurável e relevante dos projetos de infraestrutura empresariais comuns que compõem os sistemas dos outros (salvo, possivelmente, os sistemas que você projetou antes de integrar sua empresa atual — aqueles eram especiais também, mas, é claro, não tão especiais quanto o seu ambiente atual).
Dessa forma, práticas recomendadas, técnicas comuns e soluções padrão não se aplicam, ou pelo menos devem ser significativamente alteradas para se adequar à beleza insólita da sua arquitetura de TI.
Em nenhum outro lugar testemunhei essa percepção com tanta frequência como em relação às tecnologias de monitoramento. Perdi a conta do número de organizações nos últimos 30 anos que tratam sua combinação particular de servidores, aplicativos, dispositivos de rede etc. como algo diferente de qualquer outra. A solução de monitoramento foi, por isso, criada como algo artesanal, personalizado e interno que mais parece malabarismo que tecnologia e, é claro, exige cuidado especial e alimentação por um engenheiro mago/ermitão solitário que só fala por meio de koans enigmáticos ou por uma facção mística de administradores de sistemas especialmente treinados por monges munidos de Linux em um remoto mosteiro técnico.
Infelizmente, muitos fornecedores de tecnologia de monitoramento não ajudam muito com essa percepção acrescentando medo, incerteza e dúvida com o marketing que conta uma história épica de como eles aproveitaram as “APIs especiais” e os “conjuntos de comandos sensíveis ao contexto” que de alguma forma eles, e somente eles, conseguiram vislumbrar devido à combinação de sua grande habilidade, barbas compridas e certificados de instituições como Hogwarts.
Isso não me convence.
Com 30 anos de TI e quase 20 deles focados em monitoramento — e tendo usado todas as principais soluções do mercado desde 1998 em ambientes que vão de algumas dezenas de servidores a 250 mil sistemas em 5 mil locais no mundo inteiro — vim aqui lhes dizer algo que contraria tudo isso: o monitoramento é algo simples.
Sim, implementar o bom monitoramento — aquele que é robusto o bastante para coletar as estatísticas de que precisamos sem introduzir o viés do observador e assume a etapa adicional de produzir respostas automáticas como parte da “ação de monitoramento”— é, como disse, simples. Isso significa que não é mágica. Mas também não quer dizer que seja fácil. Na verdade, é uma tarefa complexa longe de ser fácil.

E um dos elementos que acabamos de nomear parece ser mais difícil de analisar para as organizações do que todos os outros: a automação.
Primeiro, vamos esclarecer uma coisa: o monitoramento não é um tíquete, nem uma página ou tela. O monitoramento é nada mais nada menos que a coleta contínua, regular e constante de métricas de (e sobre) um conjunto de sistemas e dispositivos. Todo o restante — relatórios, alertas, tíquetes e até a automação — é um subproduto do qual você desfruta, desde que faça a primeira parte.
Dito isso, a boa automação é possível graças ao bom monitoramento. Entretanto, a maior barreira para a implementação na maioria das empresas não consiste em ferramentas erradas nem habilidades inadequadas. É ter a mentalidade incorreta, aquela que diz que o monitoramento e a automação são difíceis e complicados. Nada poderia ser mais distante da verdade.
No final, o monitoramento e a automação são apenas limitados por nossa capacidade de imaginar e implementar uma boa ferramenta de monitoramento, presumindo que você já não tenha uma em operação, e não na sua capacidade de fazer danças performáticas.
(*) Leon Adato é gerente técnico da SolarWinds

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