Fator fundamental na vida de boa parte dos moradores de grandes cidades brasileiras, o transporte público tem sido fortemente impactado pela transformação digital. E não só isso: a digitalização pode servir de vetor para a democratização de tecnologias que vão além da mobilidade urbana. É o que demonstrou Rubens Gil, presidente da Autopass, durante sua apresentação no IT Forum Expo nesta quarta-feira (17).
A empresa é especialista em soluções e serviços ligados à mobilidade. Na Grande São Paulo, opera a bilhetagem eletrônica do Cartão BOM, atualmente um universo de mais de 9 milhões de cartões e 3,5 milhões de transações diárias.
Os cartões eletrônicos, disse Gil, são o primeiro movimento de digitalização dos transportes coletivos e remontam a 2006 no Brasil. Hoje, 85% das cidades com mais de 100 mil habitantes já usam bilhetagem eletrônica.
Em alguns lugares do mundo outros meios de pagamento e bilhetagem ganham popularidade. O QRcode, comum em companhias áreas, já é realidade na Europa e até algumas praças brasileiras através da Autopass. Cartões e celulares com NFC são comuns na Ásia. Em Hong Kong, o cartão de transporte público pode ser usado como cartão de débito em qualquer estabelecimento comercial.
“Existem aplicativos, como o Google Maps e o Waze, que ajudam as pessoas a chegarem onde quiserem. Cerca de 44% deste público já utiliza algum app, no entanto outros 37% desconhecem complementarmente qualquer destes serviços”, disse Gil, citando dados de uma pesquisa feita em 2017 pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, a NTU. “Se consigo saber em quantos minutos vou acessar o trem ou pegar o ônibus, colaboro para uma organização viária mais inteligente.”
Após o planejamento, a digitalização também afeta a viagem propriamente dita. Segundo a mesma pesquisa, 58% dos usuários brasileiros de transporte público consomem conteúdo online, sendo que mais da metade delas usa redes sociais. O potencial de geração de receita para companhias de conectividade e serviços, além das próprias concessionárias de transporte, é grande.
“A solução para o transporte eficiente em cidades integradas é o coletivo”, defendeu o executivo. “Temos que ter políticas públicas e atuação conjunta do setor privado para que o transporte coletivo efetivamente seja priorizado. E integrado com modais, considerando o poder de escolha do cliente e o potencial da tecnologia.”
Esse potencial, em grandes cidades como SP, é explorado por empresas como o Uber e o Cabify, para partes de trajetos feitos de carro, BlaBlaCar ou Waze Carpool, para caronas, ou o Yellow, no caso de bicicletas, entre tantos outros. Todas colaboram, seja como alternativa individual ou como “última milha” integrada ao transporte coletivo. A tendência, disse o executivo, é que o complemento de modais via serviços digitais aconteça cada vez mais rapidamente.
No entanto, há grandes desafios. Aumentar a integração de modais com mais aplicativos e players é necessário para digitalizar ainda mais a jornada de transporte urbano. Parcerias público-privadas são importantes, ressalta Gil.
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