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Digital, só, não adianta. Busque um mindset inovador

Se você nasceu a partir do ano 2000 e
gosta de fotografia, dificilmente vai se lembrar da ansiedade que nós,
da geração anterior, sentíamos ao ir buscar as revelações de um filme
com 12, 24 ou 36 poses. Imaginávamos quantas haviam queimado e quantas
realmente eram boas. Recordações impressas e que hoje quase não se veem.
Foi a partir de 1990 que os métodos analógicos começaram a se tornar
obsoletos e esse é o nosso ponto de partida. As máquinas digitais foram
lançadas, mas a Kodak demorou muito para entender, e aceitar, essa nova
demanda.

O que podemos chamar de ‘Case Kodak’ é
hoje um dos maiores exemplos de que a falta de inovação pode acabar com
os negócios. Fundada em 1888, a empresa entrou com um pedido de
concordata em 2012, deixando de existir da maneira como eu e tantos
outros profissionais a conhecemos nos áureos tempos.

Inovação não é sinônimo de digital
Hoje, já vemos que grandes empresas
têm investido o seu tempo e dinheiro no desenvolvimento de parcerias com
startups, ou ainda inaugurando ambientes favoráveis ao desenvolvimento
de novas ideias. Acontece que tudo isso, apesar de ser um bom começo,
está longe de ser o ideal.

Mais do que nunca é preciso compreender que inovação, ou melhor, o mindset da
inovação não está necessariamente ligado à disrupção digital, mas está
sim conectado ao questionamento, à dúvida sobre como as coisas são
feitas e o que é possível fazer para melhorá-las, visando alavancar a
qualidade de vida do ser humano no planeta, e de preferência de forma
sustentável. A tecnologia, nesses casos, chegou para coroar a ideia. E
aqueles que não se atentarem a isso, correrão sérios riscos.

Um exemplo: creio que você ou a sua
família, já precisaram viajar, e ao cotar o preço dos hotéis na região
buscada se depararam com altos valores. A ideia de alugar uma casa até
ocorreu, mas você não conhecia ninguém disponível ou disposto a isso.
Foi então que Brian Chesky, Joe Gebbia e Nathan Blecharczyk, surgiram
com o Airbnb. Para você ter uma ideia, no Brasil, a ferramenta já conta
com um milhão de usuários.

O mindset inovador
Antes de começarmos, é importante
deixar claro que essa iniciativa tem que partir da cúpula da empresa. E
vale a pena frisar que algumas companhias ainda carregam em sua
diretoria, profissionais acostumados ao ritmo do passado, em que a
inovação real levava cerca de cinco ou dez anos.

Mas hoje esse ritmo mudou, e não
apenas por conta da tecnologia, mas porque as gerações mais recentes
entenderam que a evolução ocorre a partir de novas alternativas para
fazer o que já fazíamos. Quer entender melhor?

Recentemente vimos a notícia de que outra grande empresa americana, a Toys R Us, entrou
na justiça com um pedido de concordata. Triste, mas será que essa
situação não poderia ter sido prevista e revertida há alguns anos? Uma
loja do porte da Toys R Us não poderia ter investido em um marketplace
para brinquedos, por exemplo? Ou talvez em uma outra forma de chegar
aos seus consumidores, e que poderia ter mantido a empresa no mercado.
Nesse momento é que a questão ‘como eu posso olhar essa oportunidade e
transformá-la em um negócio melhor para a minha empresa?’, deveria ter
surgido.

Bebendo da fonte
É impossível falar de inovação e não
citar a sua ‘nascente’: o Vale do Silício. O lar de tantas empresas como
Netflix, Apple, Facebook, LinkedIn e Tesla, respira, mesmo que de modo
clichê, a inovação. E lá sim é um lugar para se buscar ideias, ou
melhor, desenvolvê-las.

Ainda que outros polos tecnológicos e
de inovação existam e carreguem uma ótima fama, não há como compará-los
ao Vale. Você pode até criar, inovar e mexer com o mercado, mas para
viver e beber da fonte, é preciso ir até lá. E podemos ir além, por que
não investir em um centro de pesquisa e desenvolvimento por lá? Hoje,
empresas como Ford, Wal-Mart e Johnson & Johnson (empresas
tradicionalmente distantes do Vale do Silício), entre muitas outras, já
têm seu espaço próprio de pesquisa no Vale, e isso se deve ao ambiente
favorável às boas ideias. Se por aqui ainda engatinhamos achando que o
carro autônomo ainda é um sonho a La Jetsons, saiba que o Fórum Econômico Mundial de Davos, já projetou que em 2025, ao menos 10% dos carros americanos serão autônomos.

E não há problema se você decide
investir na China, Alemanha, no Polo Digital de Recife ou em San Pedro
Valey, em Minas Gerais, mas como o Vale do Silício, outro lugar não há.


 

(*) Antonio Loureiro é CEO e sócio-fundador da Conquest One

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