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Dell muda para ficar igual à concorrência

Aos olhos do mercado a Dell está
cada vez mais parecida com a IBM e com a HP. Nos últimos anos, a empresa
abandonou o modelo de venda exclusivamente direta que a notabilizou, criou uma
área de serviços e entrou no mercado corporativo. Tudo o que Michael Dell
sempre deixou de lado.

Reconduzido ao cargo de CEO da
companhia
em
fevereiro de 2007
, Dell reuniu-se no final de julho deste ano com um grupo de
jornalistas latino-americanos e europeus e demonstrou estar bastante otimista.

“Se vocês observarem as cinco áreas que elegemos como estratégicas para este
ano, verão que estamos crescendo em todas elas”, diz. As áreas são pequenas e
médias empresas, mercado corporativo, notebooks, mercados emergentes e usuários
finais.

Nem mesmo uma eventual recessão
no mercado norte-americano parece preocupar o executivo, que comemora dados da
IDC, segundo os quais a Dell cresceu mais de 20% nos últimos três trimestres no
mercado norte-americano.

> A Dell anuncia política de canais no Brasil durante o mês de agosto de 2008

No restante do mundo, os números parecem confirmar que
o modelo tradicional não tem sido tão ruim para a fabricante: ainda segundo a
IDC, no período encerrado em junho deste ano a Dell alcançou nos BRICs (Brasil,
Rússia, India e China) crescimento anual de 58% em vendas e de 73% em
unidades. Não por acaso, a Dell encerrou o último ano fiscal com 50% de suas
vendas feitas fora dos Estados Unidos, e o número deve continuar crescendo.

Para Dell, o mercado global
apresenta hoje grandes oportunidades na área de processamento de informações e
é preciso saber aproveitá-las. “Não seria uma boa estratégia dizer que somos
mais parecidos com a IBM ou com a Apple. Na prática, fazemos a mesma coisa que
os outros, só que diferente. Nós vendemos muito mais equipamentos que a IBM,
por exemplo”, provoca.

Mesmo na área de serviços, o
executivo parece não temer seus competidores, mesmo com a compra da EDS pela HP.
“A EDS tinha apenas 3% de um mercado que é muito pulverizado. Hoje, nossa área
de serviços fatura 7 bilhões de dólares e vamos continuar crescendo, mas sempre
com foco em equipamentos. Nossos serviços vão por um caminho diferente,
pensados para ambientes de computação em nuvem”, revela.

Ainda assim, Michael Dell não
descarta futuras aquisições, reconhecendo haver a possibilidade de a empresa
comprar outras nas áreas de software e, claro, serviços.

“De todo modo, as
maiores aquisições que temos feito são de nossas próprias ações. Somos hoje a
companhia de TI que detém a maior porcentagem de suas próprias ações: 11%”,
disse, sem revelar quanto deste total estaria com sua família.

Para Dell, usar
a receita de terceiros com seus próprios ingredientes tem funcionado, pelo
menos por enquanto.

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