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Decisão de nova faixa de frequência causa discórdia entre empresas

Desde então, o mercado de telecom tem presenciado uma disputa acirrada entre grandes nomes mundiais que tentam convencer a Anatel a adotar uma determinada faixa de freqüência (1.8 GHZ ou 1.9 GHz) e, conseqüentemente, determinada tecnologia (GSM, TDMA ou CDMA).

A abertura de uma nova banda que, pelos planos da Anatel, foi criada para estimular a concorrência entre operadoras e beneficar o consumidor, acabou transformando-se numa briga de interesses entre as poderosas do setor.

De um lado temos a Nokia, a Siemens, a Alcatel e a irlandesa GSM – Global System for Mobile Communication Association brigando pela adoção da faixa de freqüência de 1.8 GHz (que aceita apenas o padrão GSM). Do outro, a Ericsson, a Lucent, a Qualcomm e a Nortel contra-atacando com a faixa de 1.9 GHz (que permite a adoção tanto de GSM quanto das tecnologias TDMA ou CDMA).

Para o gerente comercial de sistemas Wireless da Nokia, Rob Arita, sua empresa está do lado da rede GSM somente pelas vantagens que ela tem a oferecer ao usuário final. “A Nokia produz hoje equipamentos para todos os tipos de padrões e para a gente tanto faz vender um ou outro”, explica. “Estamos defendendo a faixa de 1.8 por ser mais vantajosa ao público.”

Segundo Arita, o padrão GSM é melhor por oferecer um protocolo aberto, que torna possível o uso de equipamentos de marcas diferentes em uma mesma rede, e permitir o roaming internacional automático com mais de 142 países.

A irlandesa Aoife Sexton, diretora-executiva para assuntos internacionais da GSM Association, esteve no Brasil no fim do ano passado para fazer uma apresentação à Anatel sobre os benefícios do GSM. Ela lembrou que o padrão é hoje líder no mundo, representando 53% do mercado wireless e totalizando 235 milhões de usuários.

Outra vantagem apresentada pelos defensores do GSM diz respeito à terceira geração de celulares (3G), composta por equipamentos multifuncionais que vão receber e transmitir texto, imagem e vídeo, além da voz. “Com a rede GSM, a migração para o IMT-2000 (rede 3G) vai ser muito mais fácil e simples, afinal 3G é a evolução da GSM e não uma revolução”, explica Aoife.

Do lado oposto está a canadense Nortel, fornecedora de estações rádio-base, centrais de celular e backbones. Segundo seu diretor de marketing, Félix Guanche, se o Brasil adotar a faixa de 1.8 seus usuários enfrentarão uma grande limitação. “Além do mais, o que interessa ao país é fazer roaming internacional com os Estados Unidos e Canadá (TDMA), países com os quais temos uma comunicação mais intensa.” No caso da rede GSM, o roaming automático se dá com os países usuários do mesmo padrão (no caso, grande parte da Europa).

Renato Fantoni, diretor de soluções para acesso sem fio da Ericsson, concorda com Guanche. “A Ericsson é uma empresa GSM, mas temos que apoiar o melhor para o Brasil que, neste caso, é o padrão norte-americano, o TDMA”, conclui. “A utilização de outro padrão penalizaria os fabricantes que já investiram nesta área.”

A decisão da Anatel só deve sair no fim de março, bem como o tipo de operadora que poderá concorrer ao serviço.

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