Cada vez mais, as empresas que desejam continuar competitivas precisam acelerar o ritmo da inovação de produtos e serviços. Para isso, têm recorrido a diferentes estratégias e ações, baseadas quase sempre em modelos como incubação/aceleração, inovação aberta/open innovation, crowdsourcing, corporate venture, etc. Há mais ou menos uma no e meio, a Serasa Experian abriu um DataLab, em São Paulo, com a missão de ajudar clientes a resolverem problemas por meio de análise avançada de dados, pesquisa e desenvolvimento. Agora, esse espaço abre suas portas para a co-criação de soluções disruptivas que aproveitem o poder dos dados e das tecnologias de Big Data e Machine Learning com clientes da empresa.
A ideia é a de que os clientes possam passar de 3 ou 4 meses dentro do DataLab, junto com os mais de 16 cientistas de dados e engenheiros de software da Serasa, para desenvolver novas tecnologias que tragam mais competitividade aos negócios. “Neste período eles aprendem a trabalhar na filosofia 10-10-10”, diz Marcelo Pimenta, diretor do DataLab. “São dez horas para fazer o setup da equipe do cliente aqui no lab, dez dias para fechar o escopo do projeto e definir um conjunto de referências e de entregas, e dez semanas para entregar o MVP, rodando aqui ou no ambiente do cliente”, explica o executivo. Depois desse primeiro MVP, se o cliente quiser, a equipe ainda faz mais um sprint para entregar o produto rodando, em ambiente de produção.
Batizado de Sinergy, o modelo de coworking já tem um primeiro cliente: o banco Santander, com um projeto de pesquisa sobre modelos de risco de crédito. Quatro especialistas da equipe do Santander já foram destacados, em um primeiro momento, para atuar no DataLab, onde irão explorar técnicas de machine learning, o uso de dados de geolocalização e tecnologias da Internet das Coisas para redução de fraudes, cross-selling e previsão de desempenho no campo.
“Buscamos modernas ferramentas do mercado e novas informações para conhecer cada vez mais as preferências de nossos clientes, pois assim agilizamos nossos processos, oferecendo soluções financeiras adequadas para cada perfil e evitamos a inadimplência”, afirma Francisco Muñoz, superintendente executivo da área de riscos do banco.
Neste momento, o ambiente preparado para Sinergy dentro do DataLab pode receber até três companhias simultaneamente, de todos os portes, que entrarão na rotina do laboratório. “Estamos preparados para atender companhias que queiram desenvolver soluções de ponta a ponta, dando a oportunidade de utilizar as plataformas que já existem dentro do nosso DataLab, além de todo o suporte e know-how da nossa equipe”, ressalta Pimenta. Até o fim do ano, no entanto, o espaço será ampliado.
“Até porque já estamos recebendo pedidos aqui de empresas que não são clientes da Serasa, mas que estão com problemas de Machine Learning. Muitos dos problemas casam com pesquisas que temos. Nesses casos, os problemas servem de expiração para Sinergy. Acabam resultando em conhecimento que podemos aplicar ao nosso negócio”, diz Pimenta.
Ao procurar o serviço de coworking do DataLab o cliente ou empresa parceira já pode ter um produto ou serviço em mente e desejar apenas realizar uma prova de conceito, para experimentar rápido, falhar rápido, corrigir e assim reduzir o time-to-market, ou partir de um problema de negócio. “Pode chegar dizendo que tem gravações de horas e horas de atendimento no call center e gostaria de aproveitar esse material para compor melhor o perfil de cada cliente. A partir daí a gente começa a se debruçar sobre o problema”, diz Pimenta.
Os parceiros também podem levar startups para trabalhar junto nos projetos, ampliando o caldo de conhecimento do DataLab.
O laboratório de inovação da Serasa
em São Paulo é o terceiro centro de inovação da Experian no mundo, junto
com Londres (Reino Unido) e San Diego (Estados Unidos). Receberá R$ 25 milhões em
cinco anos para explorar novas
tecnologias e buscar novas parcerias e novas oportunidades de negócio
para a Serasa Experian. Entre as frentes de pesquisa estão o uso de social mídia e de smartphones como componente relevante para análise de crédito.
“Do ponto de vista de pesquisa, o smartphone diz muito sobre a capacidade de pagamento do usuário e sua preferências de compra”, comenta Pimenta.
O Sinergy foi uma das formas da Serasa Experian buscar receita para o DataLab e garantir a objetividade do trabalho. A outra forma é o desenvolvimento de produtos para a própria Serasa. O primeiro produto gestado no DataLab brasileiro deve ser lançado no mercado nos próximos dias. Por questões regulatórios, Marcelo Pimenta não pôde falar muito sobre ele. Disse apenas que tem potencial para abrir um mundo novo para o negócio da companhia.
O executivo faz questão de frisar, no entanto, que o DataLab não é um unidade de negócio. Quando a pesquisa vira produto, esse produto é passado para unidade de negócio que passa fazer a sua gestão. Mas o laboratório precisa ter essa preocupação em ser sustentável, segundo o executivo, que começa agora a buscar um trabalho conjunto com outras empresas atuantes no Brasil que também tenham laboratórios de inovação dedicados a transformar pesquisa aplicada em produto, nas mesmas áreas de interesse da Serasa.
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