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Crise não retrai investimentos do mercado de telecomunicações

Operadoras e fornecedoras do mercado de telecomunicações não se mostram ameaçadas com a crise internacional. Pelo menos foi este o tom do painel realizado nesta terça-feira (27/10) na Futurecom. “Não investir em telecom é um erro das empresas”, enfatizou Armando Almeida, da Nokia Siemens Networks, justificando que, nos Estados Unidos, o uso celular gera ganhos corporativos de US$ 157 milhões por ano e a mobilidade com a banda larga, de US$ 28 milhões.

Para o deputado Jorge Bittar, a crise está muito difícil de prever, porque se vive um período de grande volatilidade. “As proporções são mundiais, mas ela não atingirá todos os paises igualmente. O Brasil não sofrerá tanto.” O dólar valorizado prejudica as empresas que lidam com importados, mas, segundo ele, pode ser estímulo para os produtores nacionais. “O custo-Brasil se torna menor diante da depreciação do Real”, justificou.

É o caso da Ericsson. “Brigamos para manter desenvolvimento local e, com o novo dólar, o Brasil passou a ser mais competitivo”, pontuou o vice-presidente, Carlos Duprat. Segundo o executivo, hoje a companhia consegue preços e custos mais competitivos que antes. “Acho que 2009 pode ser bom. É um momento de riscos, mas também de oportunidades.”

Para Bittar, os fornecedores se beneficiam na medida em que as companhias brasileiras precisaram aumentar eficiência por meio da tecnologia. “Acredito que as empresas vão continuar a investir, mas devem evitar concentrações em um mesmo fornecedor. Tenho confiança que podemos superar a crise.”

A Embratel está confiante. O diretor-executivo, Mauricio Vergani, classifica este momento como especial para o setor. “A crise está colocando um imperativo de mudança, empresas que quiserem aproveitar terão de investir, porque há necessidades por parte dos clientes.” De acordo com ele, as empresas caminham para uma plataforma IP e convergente, o que aumenta a necessidade e a exigência por confiabilidade e segurança.

Vergani justifica que a Embratel não sofrerá muito com a crise uma vez que é entrante em alguns mercados, como o de telefonia local e internet voltada para pequenas e médias empresas (PME). “Nossos preços são competitivos, então, a crise pode ser uma oportunidade.” A Telmex Internacional anunciou aumento nos investimentos para este ano e a Telefônica afirmou que o investimento de 2008 é maior a 2007 e que o de 2009 acompanhará esta tendência. “Até este momento, nossos indicadores estão se comportando muito bem, não há indício de aumento de inadimplência ou redução de trafego. O setor de telecomunicações está bem estruturado e posicionado”, afirmou o presidente da operadora, Antonio Valente.

Zeinal Bava, da Portugal Telecom, adverte que nesta fase é muito difícil prever as conseqüências. Por isto, as empresas focadas em serviços precisam identificar como a crise vai afetar o mercado consumidor. “Em telecomunicações, algumas empresas se refinanciaram bem. Mas há problema de liquidez no mercado.” Bava acredita que os preços vão cair bastante e vai aumentar a democratização do acesso. “O caminho das operadoras fixas passa por aposta em conectividade mais rápida. O mundo vai caminhar para ofertas integradas.”

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Leia cobertura completa da décima edição da Futurecom.

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