Categories: Notícias

Consumer Eletronics Show 2006 – Las Vegas

O Google de Larry Page

Um dos keynotes mais esperados foi o do Larry Page, fundador e CEO do Google. Havia muita expectativa e muita especulação sobre o que iria ser anunciado, falava-se em uma parceria com a Motorola, no Google OS, em um novo PC popular para concorrer com o produto do MIT. A expectativa era tanta que as ações do Google chegaram a subir significativamente antes de Larry ir a público.

Seu show, e entendam que cada keynote é um show rigorosamente coreografado e ensaiado com inúmeros recursos tecnológicos, foi muito simples. Surpreendentemente simples. Para quem esperava uma celebração da alta tecnologia em termos de cenário, vimos um jovem ligeiramente nervoso, lendo seu script impresso no papel, em um cenário completamente preto com um telão ao fundo, e só.

Larry entrou montado no pára-choque do carro robô que venceu a corrida DARPA Grand Challenge, aquela em que um carro totalmente autônomo, sem piloto, tem que sair de um determinado ponto no deserto e chegar a outro, sem nenhuma interferência externa e vencendo por si só os obstáculos naturais do terreno. Nos vários anos em que é disputada, apesar dos grandes investimentos das empresas de tecnologia, apenas um único carro chegou até o final e foi nele que Larry entrou no palco.

Logo em seguida, mostrou a primeira aplicação veicular do Google, o nosso conhecido Earth no painel de um carro VW. Nele foram feitas algumas simulações interessantes, como a busca (Google, lembra-se?) de um endereço, o mapa de direções, as fotos de satélite daquela área, com várias possibilidades de visualização.

Aproveitando o tema, mostrou a integração do Earth ao celulares, também com os mesmos recursos da versão automotiva, conforme vemos na foto abaixo.

Uma surpresa agradável foi o

Google Pack

Continuando a saga de se usar celebridades em keynotes, o comediante Robin Williams entrou no palco para uma rápida sessão de piadas sobre um controlador de mente do Google (em suas mãos, na foto abaixo) e retornou ao final para a sessão de perguntas que foi aberta ao público presente.

Larry, apesar da timidez, tem total domínio do público e uma legião de fans que calorosamente o aplaudiam a cada frase, e abrir para perguntas em um auditório cheio é algo considerado muito arriscado para os coreógrafos de keynotes, pois pode causar embaraços. Achei muito curioso o formato de ter um comediante ao seu lado nessa hora, e em pouco tempo compreendi o funcionamento da coisa. Sempre que a pergunta era boa, Larry respondia, sempre que a situação era embaraçosa, Robin Williams interferia protegendo seu pupilo e embaraçava ainda mais o cidadão que teve a ousadia de perguntar. Depois de umas 10 ou 12 pessoas terem perguntado, e com a platéia aos risos depois de tantas brincadeiras do comediante, Larry encerrou o evenvo.

Mas antes de acabar ele nos apresentou o Google Video, e talvez poucos tenham percebido o alcance de tal estratégia. O modelo é baseado em um player, o Google Vídeo Player, que funciona dentro do seu browser de internet. Navegando pelas paginas do Google vídeo você pode assistir (comprando ou alugando) milhares de filmes que estão disponíveis online para entreter, desde obras consagradas como os cults Star Trek (por 1.99 dólares) até vídeos amadores engraçadíssimos como o que Larry apresentou no keynote. Imagine um campo gramado e três pessoas pulando o suficiente apenas para dobrar os joelhos, encostando o tornozelo na parte de trás da coxa. Agora edite essas cenas e elimine todos os frames onde as pernas estão esticadas ou no movimento de subida ou decida dos tornozelos. Resultado: você tem três pessoas literalmente voando em cena, com as pernas dobradas, em um vídeo propositalmente acelerado. Ninguém resistiu, é engraçadíssimo.

Então temos o Google Video Player, um site

Para quem faz o upload dos filmes, o Google remunera o autor com uma parcela da renda arrecadada, portando se você caro leitor é um vídeo amador com algum sucesso, arrisque-se a publicar seu trabalho e ganhar um bom dinheiro pela sua obra. Tal como o Adsense, que remunera os sites que veiculam as propagandas comercializadas pelo Google Adword, a promessa da remuneração é bastante boa, embora não seja divulgada.

Page: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

Recent Posts

Snowflake registra crescimento de 33% na receita e eleva projeções para o ano fiscal de 2027

A Snowflake anunciou os resultados financeiros do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado…

4 dias ago

83% dos CIOs já adiaram projetos estratégicos por restrições de orçamento

A pressão por controle de custos vem alterando a dinâmica das áreas de tecnologia nas…

4 dias ago

Fintechs brasileiras captam US$ 2,77 bi em 2025 e entram em nova fase de maturidade

O mercado brasileiro de fintechs passou por uma transformação no perfil dos investimentos em 2025.…

4 dias ago

Sioux aposta em IA e dados para nova fase de experiências digitais e expande atuação para a Europa

O avanço da inteligência artificial e o uso estratégico de dados vêm transformando a forma…

4 dias ago

Qual é o risco do desenvolvimento de software com IA?

Por Ramon Ribeiro Quase metade do código produzido por assistentes de inteligência artificial contém vulnerabilidades…

4 dias ago

Se o Brasil não organizar seus dados culturais, outro fará isso por nós, alerta Jorge Brivilati

Peça a um modelo de inteligência artificial que gere a imagem de uma cidade, sem…

4 dias ago