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Computação quântica já deve estar na pauta de empresas, diz Atos

Se a computação quântica ainda parece distante mesmo em mercados tecnologicamente mais desenvolvidos, no Brasil as primeiras iniciativas estão no campo da pesquisa. A expectativa de empresas como a Atos, por exemplo, é que serviços quânticos se tornem acessíveis às empresas nos próximos cinco anos, com hardwares de aspectos gerais disponíveis no mercado a partir de 2023.

“A Atos tem uma estratégia de [computação] quântica bem clara: para funcionar tem que trabalhar em diversos problemas”, explica Genaro Costa, head de práticas de automação, IA, Analytics e IoT da Atos para a América do Sul, dando como exemplo operações da mecânica quântica. “Não decidimos ainda qual das várias possiblidades que vai ser usada. É tipo a disputa Betamax vs VHS. Nem sempre é o melhor que ganha.”

Por isso a importância de iniciativas acadêmicas nesse sentido, diz o executivo. A empresa inaugurou em maio um centro de computação quântica, o Latin America Quantum Computer Center (LAQCC), o primeiro do país, em parceria com o SENAI CIMATEC, em Salvador (BA). A instituição de ensino superior e técnico abriga o hardware usado em pesquisas e projetos com computação quântica, o CIMATEC KUATOMU (que significa “quantum” na língua indígena Iorubá).

O supercomputador possui arquitetura tradicional e simula sistemas e algoritmos quânticos de até 35 qubits. A máquina é capaz de rodar algoritmos para implementações reais. A intenção dos pesquisadores e cientistas envolvidos no projeto é simular sistemas hoje difíceis ou impossíveis para laboratórios convencionais ou mesmo supercomputadores.

Há também, claro, um objetivo acadêmico: disseminar a tecnologia quântica no país para capacitar mão de obra e incentivar pesquisas em áreas como química e biologia. Também facilitar a formação de pesquisadores, programadores, engenheiros e técnicos parar criar um ecossistema em torno da computação quântica no país.

“A Atos percebeu que não vai conseguir contribuir com a fabricação das máquinas [quânticas], mas posso contribuir nessa parte matemática para programar”, diz o executivo da fabricante, que é conhecida pela montagem de supercomputadores convencionais, mas que criou um appliance capaz de simular operações quânticas. “Quem está usando? Quem fabrica o hardware usa o nosso simulador para saber se está funcionando ou não. Quem está desenvolvendo algoritmos para trabalhar sem restrições.”

Estratégia das empresas

Para Costa, as empresas já deveriam estar pautando a computação quântica para saber se vão ou não ter benefícios dos dispositivos que vão chegar em breve, pois isso pode ser um “divisor de águas”. E exemplifica: empresas do setor farmacêutico podem ter na capacidade de simulação quântica um imenso diferencial competitivo.

“Estamos fazendo projetos de fármacos de centenas de milhões de dólares”, conta o executivo da Atos. “Nesse início não vai ser algo que se compre, não vai ter fornecedor para vender. Habilitamos a Bayer para trabalhar com computação quântica. Eles têm propriedade intelectual que não será cedida.”

A expectativa de negócios da Atos, no momento, é construir uma rede de simuladores quânticos em universidades brasileiras, duplicando o centro atual na Bahia ou acionando outros pontos de presença. O objetivo é ajudar as instituições de ensino a desenvolverem experimentos quânticos.

“Em termos de negócio podemos prover serviços para ajudar empresas a desenvolverem algoritmos que usam computação quântica, e temos também propriedade intelectual do que é gerado [nas pesquisas]. Imagina uma patente de otimizar produtos financeiros? É um ativo grande”, resume o especialista.

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