Como os bancos lidam com a competição disruptiva?

O vinil fez parte da vida das pessoas por 70 anos. Logo chegou o CD, que se fez presente por 30 anos. Mas o lançamento do iPod, em 2005, gerou uma transformação sem precedentes na história da música, que, hoje, se vê baseada na nuvem. O pequeno aparelho de tocar música da Apple é um exemplo clássico de competição disruptiva, que chega sem avisar e quebra com todos os paradigmas de mercado.

“Em pesquisa recente da consultoria EY mapeamos qual o desafio que tira o sono das empresas e a maioria respondeu que era a competição disruptiva. Afinal, como preparar uma companhia para competir com um player que não se sabe do setor que vem?”, questionou Miguel Pinto, sócio da EY, em painel no CIAB, evento de tecnologia para o setor financeiro, promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nos dias 6, 7 e 8 de junho, em São Paulo.

O especialista alertou que diante do ritmo frenético das mudanças que vive o mercado, as organizações precisam entender como se manterem relevantes. “Pequenos players estão mudando as regras do jogo e a inovação deverá ser a competência que as organizações precisam desenvolver em um mundo de constante evolução”, ensinou.

Levando para o contexto do setor financeiro, Miguel destacou que cada vez mais os bancos se estruturam para enraizar a inovação e construir ecossistemas para se relacionar com os players menores e conseguir acompanhar as mudanças atuais, em prol dos clientes.

Fernando Moraes de Freitas, superintendente-executivo da InovaBRA, destacou justamente o InovaBRA, programa de inovação aberta do Bradesco, cujo objetivo é descobrir projetos inovadores aplicáveis em produtos ou serviços financeiros. Os próximos passos do banco agora incluem acelerar seu processo de inovação por meio de três novos programas, o Habitat, o Hub e o Labs.

Com um orçamento de R$ 7 bilhões para TI e mais de 5 mil funcionários, o banco entendeu há três anos que fazer inovação somente dentro de casa não era o suficiente. “Criamos o InovaBra e começamos a nos estruturar dentro de casa, definindo qual era o papel de cada departamento na inovação. Depois, partimos para fora”, explicou ele.

A iniciativa está agora em sua terceira edição. Em abril de 2017 foram escolhidas as dez startups que trabalharão com o Bradesco nos próximos meses. Até o momento, já foram mais de 1,6 mil startups que passaram pelo projeto e mais 30 departamentos do banco foram envolvidos no processo de escolha das empresas. “Fizemos 27 experimentações e gastamos R$ 140 mil em cada”, destacou.

Quem também apostou na aliança com startups foi a B3, resultado da combinação da BM&FBOVESPA e da Cetip. “Temos forte capilaridade dos clientes e buscamos alavancar isso por meio do ecossistema empreendedor”, contou Roberto Dagnoni, diretor-executivo da Unidade de Financiamentos da B3.

No ano passado, a B3 lançou seu programa de inovação, o Foresee. Para colocar em prática a iniciativa, a companhia fechou parceria com o Cubo, iniciativa do Itaú que tem como objetivo fomentar o empreendedorismo no Brasil. “Participamos do espaço, que soma 50 startups, e fazemos reuniões de trabalho lá para tirar nossos funcionários da zona de conforto”, relatou.

A B3 também estabeleceu parceria com o Porto Digital, parque tecnológico com sede em Recife, para o C.E.S.A.R Summer Job, que promove intercâmbio de estudantes para que eles apresentem soluções para os desafios de áreas da empresa.

“Investimos ainda em soluções independentes que não necessariamente têm relação com a B3”, disse. Como exemplo ele citou o aporte em companhias como Resultados Digitais, especializada em marketing digital, Chaordic, que provê tecnologia para e-commerce, e Nanovetores, da indústria têxtil.

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