Notícias

Como marcas usam tecnologia para se relacionar com consumidores

No século XXI, fazer com que uma marca seja conhecida é um trabalho que vai muito além de criatividade e propaganda. Ao contrário do universo Mad Men – que mostra o posicionamento de marcas feito com publicidade totalmente empírica – hoje a análise de dados é um elemento essencial para estabelecer um relacionamento de qualidade com o consumidor.

Categorizar essas informações não é uma tarefa fácil. Dividi-las em big data e small data é uma habilidade recente, porém fundamental dentro de companhias que desejam alcançar os clientes desejados de maneira assertiva e duradoura. A partir daí, a tão famosa “criatividade” entra em ação.

A garantia de resultados positivos a partir do investimento em tecnologia para posicionamento de marca pode ser traduzida em números. O estudo “Business Branding”, elaborado pela consultoria McKinsey & Company a respeito de 300 companhias B2B traz em números a consequência mensurável do investimento em tecnologia para as marcas. Algumas conclusões são: companhias com marcas fortes e valiosas crescem acima da média do S&P 500 e marcas com gestão eficiente oferecem retorno aos seus stakeholders 30% maior do que a média.

Diante de um universo tão próspero a ser explorado, uma pergunta surge: por onde começar? A resposta está em conhecer os clientes e estabelecer um parâmetro de qual é a ideia dos consumidores em relação à companhia. Para isso, diferentes indicadores podem ser utilizados: desde o Net Promoter Score (NPS) – famoso por identificar detratores e promotores da marca – até o Things Gone Wrong (TGW), que mede as principais falhas da companhia a partir de um índice que registra as queixas por unidade recebida.

Os indicadores adequados vão depender de qual é a Experiência de Marca que se deseja conseguir. Se o objetivo que move uma empresa de bebidas é fazer com que todo mundo ame suas bebidas, primeiro há que definir em que consiste “ser amado por todos”: ser a mais recomendada? A menos criticada? Se identificar como uma marca solidária?

A partir do panorama identificado, é necessário analisar o ambiente interno e, se necessário, promover mudanças de cultura para atingir o patamar desejado. Engajar os colaboradores é fundamental: um estudo da revista Harvard Business Review estima que a falta de vínculo com a empresa fez com que a economia europeia perdesse 450.000 milhões de dólares em produtividade. Em grande parte, isso foi relacionado ao fato de que apenas 29% das empresas analisadas cuidavam de seus colaboradores como ativos.

Portanto, o desafio é redefinir os modelos de relacionamento. Uma experiência de compra eficaz passa por uma análise completa do ambiente interno e, consequentemente, por colaboradores engajados. É necessário ter cientistas de dados capazes de conhecer os objetivos associados ao posicionamento que a marca pretende atingir e criar estratégias capazes de atingir essas metas. A experiência de marca está no coração do negócio, forma parte da visão do cliente, da operação e da cultura e da tecnologia que vai ser utilizada para por valor em tudo isso.

Muitas empresas têm buscado por parceiros tecnológicos para começar a entender o que precisam – esse é um movimento extremamente positivo – para que no futuro, sejam capazes de desenhar verdadeiros modelos de negócio integrados que coloquem o pilar de experiência de compra como um critério de diferenciação.

Em uma era de consumidores cada vez mais exigentes, novas empresas têm obtido sucesso ao combinar tecnologia e atendimento humano para trazer serviços eficazes aos clientes. Muito além da onda dos chatbots, essa é uma tendência que não deve ter fim tão cedo.

*Marcelo Bernardino é head de Indústria e Consumo da Indra – Minsait no Brasil

Recent Posts

Resiliência e criatividade atuam na globalização do DNA brasileiro em tecnologia

por Thaís Trapp O Brasil formou profissionais moldados pela diversidade, pela complexidade e pela necessidade…

1 hora ago

Startup brasileira vence prêmio do MIT com IA que detecta risco de câncer em hemograma

A Huna, startup brasileira de inteligência artificial aplicada à saúde, venceu o MIT Solve Future…

2 horas ago

Unico processa Serasa Experian por suposto uso indevido de tecnologia de biometria facial

A Unico, empresa brasileira especializada em identidade digital e biometria facial, ingressou com ações nas…

15 horas ago

Salesforce leva Agentforce à Copa do Mundo de 2026

A Salesforce anunciou parceria com a FIFA como apoiadora oficial da Copa do Mundo de…

15 horas ago

Neil Redding abre IT Forum Praia do Forte 2026 com debate sobre liderança na era da IA

Neil Redding será o palestrante de abertura do IT Forum Praia do Forte 2026. Com…

16 horas ago

47% das empresas brasileiras devem adiar migração para a nuvem nos próximos três anos

Apesar da consolidação da computação em nuvem como um dos pilares da transformação digital, uma…

17 horas ago