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Como criar e manter uma comunidade participante e ativa

Se hoje em dia tudo está em torno do cliente, saber fidelizá-lo à sua empresa é uma das chaves para o sucesso de suas ações e iniciativas. Constituir um ecossistema de pessoas que “trabalhem” em sua causa, por assim dizer, é absolutamente crítico. Mas como criar esse ambiente e mantê-lo atraente para clientes que possuem cada vez mais poder e migram de marca em busca de mais vantagens?

Para Jim Quanci, diretor da Autodesk responsável pelo Autodesk Developer Network (ADN), a resposta pode ser encontrada em diversos momentos sobre como a empresa se engaja com seus clientes e colaboradores. O ADN é um ecossistema de mais de três mil desenvolvedores independentes de software e aplicações que, segundo ele, são fundamentais para colocar a companhia nos trilhos da inovação e crescimento.

Um desses momentos é a clareza com a qual sua companhia lida com os próprios negócios e o quanto transmite essa transparência para fora das salas executivas, mostrando que os colaboradores participam dos processos de tomadas de decisões e que podem fazer a diferença dentro das metas assumidas pela companhia. Quanci afirma que no ADN há muita discussão em torno da pergunta “E o que vem a seguir?”, e que, como ecossistema responsável por criar mais funcionalidades e capacitações dentro dos softwares da companhia, as opiniões são sempre levadas em consideração e aplicadas, pois há muita inovação que só pode ser vista por alguém que está olhando de fora.

Mas para que as pessoas participem, não deixe de criar regras, com direitos e deveres, assim como benefícios. “Criar uma regra não pode significar engessar um processo, mas ser um ponto inicial para os próximos passos”, avalia. “Engajar as pessoas não é dar todo o poder para elas, mas trabalhar junto a elas. É uma liberdade condicionada ao negócio da empresa, o que, ao mesmo tempo, cria flexibilidade e direcionamento, e essa mensagem também tem que ser clara para não soar pejorativa.” Desenvolver uma comunidade é ter um grande número de indivíduos que consegue traçar rotas e alternativas diferentes sobre um mesmo objetivo, diz o executivo.

E não se esqueça de que, por mais que se trate de um ambiente profissional, é necessário ter o tato para lidar com questões pessoais, principalmente, quando se trata de pequenos grupos. Isso não significa contratar um psicólogo, mas entender que um bom profissional, por vezes, encontra problemas no desenrolar de um projeto, e que saber lidar com isso da forma correta pode definir o sucesso de uma iniciativa, analisa Quanci. “Num mundo cada vez mais convergente entre o pessoal e o profissional, é essencial trabalhar as capacitações técnicas e cognitivas para o trabalho, assim, como é bom entender limitações pessoais”, ressalta.

Com isso, você está prestes a alcançar uma comunidade ativa e leal. Tenha em mente que as pessoas são motivadas por duas coisas: dinheiro e desafios. Não raramente você ouvirá que muitas optaram pela segunda opção em relação às suas vidas profissionais. “Você só desenvolve um bom profissional se você der novas problemáticas para serem resolvidas”, complementa Quanci. “Num passado próximo, a Autodesk era só o AutoCAD. Propomos uma mudança na empresa, novas formas de criar softwares e disponibilizar aplicações e jogamos isso no ADN, que respondeu em diferentes formas, com soluções que iam além do escopo criado por nós. Processo essencial para uma guinada nos negócios.”

É também neste momento que você encontrará dentro de sua comunidade os evangelizadores, as pessoas que vão levar sua marca como bandeira. Uma vez que você identifique essa pessoa, desenvolva ações consistentes em torno dela e do grupo de pessoas ligado a ela, explica o executivo.

Essa audiência em torno dos evangelizadores da marca é importante para dar volume às iniciativas da empresa. Cada evangelizador tem uma capacitação diferente, e as pessoas que o seguem estão lá por se identificarem com aquela proposta. Por isso, diz Quanci, é importante que o alinhamento diretivo da empresa comporte diferentes propostas de negócios, pois, assim, é possível contar com muitas pessoas de fora da empresa trabalhando forte no desenvolvimento e criação de novas soluções.

Para Quanci, mensurar o sucesso de uma comunidade é uma lição à parte. O sucesso de um ecossistema de pessoas não significa, necessariamente, que tudo deu certo do ponto de vista do negócio, mas que algo novo pode ser criado a cada iniciativa. Os números são importantes? Certamente são, mas se a cobrança for só sobre números, será apenas esse tipo de profissional que você atrairá – e, como se sabe, qualquer proposta que pague mais pode tirá-lo da empresa, isso tanto num ecossistema de terceiros, como o ADN, quanto dentro da companhia.

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