Como a ciência de dados tem impactado o setor da saúde

Pesquisador do Departamento de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz, Oswaldo Cruz (bisneto do famoso cientista de mesmo nome) tem mais de 30 anos de experiência com análise de dados e os impactos dela na saúde humana.

O executivo comenta que o grupo de computação científica conta com profissionais como médicos, biólogos e físicos, mas todos com mais de uma formação. “Temos um médico com mestrado em matemática, conversamos sobre químicas de proteínas com um físico”, comenta Cruz, que participou na última segunda-feira (23/4) do SingularityU Brasil Summit, realizado pela HSM e Mirach, em São Paulo (SP).

“Na verdade, ciência de dados já vem sendo usada há muito tempo”, pondera o pesquisador, que lembra que na área de saúde existe uma grande quantidade de sistemas de informações, mas raramente integrados. Um exemplo é o SIHSUS, que conta com mais de 10 milhões de internações ao ano.

A enorme quantidade de dados tem crescido a relevância da atuação da ciência de dados no setor. Segundo pesquisa de Cruz, a base PublMed – que reúne cerca de 90% de todos artigos científicos na área da biomedicina -, soma aproximadamente 400 artigos sobre o tema. Só neste ano o número deve ficar na casa de 200, o que mostra tamanho avanço.

“Infelizmente ainda trabalhamos na saúde com software e equipamentos legados da década de 90. As autoridades não conseguem mudar e os sistemas continuam antigos”, lamenta.

 Mas os avanços já estão aparecendo. O executivo cita exemplos práticos.

O primeiro deles é o Info Gripe, iniciativa para monitorar e apresentar níveis de alertas para os casos reportados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no SINAN, Sistema de Informação de Agravos e Notificação, do Ministério da Saúde. Os dados são apresentados por estado e por regiões de vigilância para síndromes gripais. Segundo ele, atualmente o sistema monitora 790 cidades.

Outra iniciativa, realizada em tese de doutorado com o aluno Davi Barroso Alves, é a identificação de padrões de mortalidade no Brasil entre 1979 e 2015.

No total, são 33 milhões de registros, permitindo a visualização de diversos padrões, como transição epidemiológica. Foram empregadas técnicas de data mining, machine learning e gerados resultados e gráficos para visualização e interpretação dos dados. As informações são separadas por faixa etária e região, e mostra toda a linha do tempo das principais causas de morte no País.

O cruzamento de dados de smartphones e computadores também permite a detecção digital e a vigilância participativa. O projeto consiste em captura de notícias e rumores diários de eventos de saúde pública nas redes sociais e agregadores de notícias. A ferramenta permite a identificação oportuna de alteração do padrão epidemiológico, bem como proporciona informação útil para a prevenção e controle de doenças.

Outra iniciativa destacada por Cruz é o aplicativo Guardiões da Saúde, financiado pela Skoll Global Threats Fund e desenvolvido pela Epitrack. O app fez parte da estratégia de deteção de surtos durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

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