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Com sangue frio, Vivo cresceu e lucrou

O lucro líquido de R$ 215,5 milhões obtido pela Vivo no quarto

trimestre do ano passado é 60,9% superior ao do mesmo período do ano

anterior, enquanto o ganho acumulado no ano, de R$ 389,7 milhões,

mostra recuperação em relação ao prejuízo de R$ 99,8 milhões amargado

em 2007.

O resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e

amortização (Ebitda) alcançou R$ 1,4 bilhão no período de outubro a

dezembro de 2008, um valor 42,7% maior que o do trimestre

correspondente em 2007. No acumulado do ano, o Ebitda de 2008 foi R$

4,8 bilhões, 37,3% superior ao obtido em 2007.

A margem Ebitda de 32,7% no quarto trimestre está 6,6 pontos

porcentuais acima dos 26,1% obtidos no ultimo trimestre de 2007. No

acumulado do ano, a margem Ebitda de 30,8% foi 5,2 pontos porcentuais

superior aos 25,6% que 2007 registrou.

O presidente da Vivo, Roberto Lima, comentou que a margem Ebitda obtida está dentro da meta da operadora e foi importante

para poder financiar o plano de investimentos elevados do exercício.

Lima listou entre os investimentos efetivados a conclusão da compra da

Telemig, a estréia da Vivo no Nordeste e a compra das licenças de

terceira geração (3G), além dos investimentos na expansão da

infra-estrutura de outras áreas de cobertura da empresa nacional.

Não há nova compra nos planos da operadora para este ano,

segundo o executivo, mas os gastos em expansão da infra-estrutura

deverão ser equivalentes. Segundo a assessoria da operadora, o

orçamento de capital a ser submetido à reunião de conselho na

assembléia geral prevista para dia 18 de março atinge R$ 2,227 bilhões

para a Vivo e R$ 407 milhões para a Telemig, somando R$ 2,635 bilhões

para ambas as empresas.

Esse foi justamente o investimento de 2008, de R$ 2,6 bilhões

em infra-estrutura de rede. O ano passado somou também R$ 2,7 bilhões

na aquisição da Telemig e R$ 1,2 bilhão na compra de licenças de

terceira geração. Ao todo, os desembolsos de 2008 somaram R$ 6,5

bilhões.

Segundo Roberto Lima, os resultados obtidos no ano passado

permitiram pagamento de dividendos aos acionistas, respeitadas as

regras de boa governança.

Cresce o número de clientes A Vivo fechou 2008 com clientela de

44,945 milhões de usuários. Trata-se de fatia de mercado de 29,8%, que

caracteriza a liderança sobre as concorrentes Claro, TIM e Oi-BrT

No quarto trimestre, foram conquistados 2,668 milhões de novos

clientes, um volume que representou 27,1% de participação nas adições

líquidas do mercado celular. No conjunto do ano, a Vivo totalizou 7,561

milhões de aquisições de novos clientes.

O número ficou atrás da Claro, que adicionou 8,5 milhões à sua

carteira, com fatia de 29% do conjunto de novos clientes do mercado no

ano.

Perguntado sobre essa diferença, Roberto Lima afirmou que o

importante foi que a receita média por cliente (ARPU) permaneceu

estável no trimestre e no ano baixou somente R$ 1, enquanto a da Claro

caiu R$ 3.

A redução que se deu de R$ 1 na Vivo , baixando de R$ 30,1 para

R$ 29,2 por mês, deve-se, segundo Lima, ao ingresso de 7 milhões de

novos clientes pré-pagos originários das camadas de menor poder

aquisitivo da população, que constituem o potencial de crescimento do

mercado.

Cresce o uso do celular

Em termos de minutos de uso, porém, a Vivo constatou

crescimento. Segundo o executivo, os 76 minutos de uso médio dos

clientes ao longo de 2007 evoluíram para 87 minutos médios por mês em

2008, um ganho de 14,5%. Quando a comparação é por trimestre, porém,

registra-se queda de 89 minutos médios de uso no terceiro trimestre

para 85 no quarto trimestre.

Endividamento

A Vivo encerrou 2008 com dívida de R$ 8 milhões, R$ 3,5 milhões

a mais que os R$ 4,5 milhões de um ano antes. Do total, 30% referem-se

à moeda estrangeira e estão cobertos por operações de proteção cambial (hedge), conforme relatório.

Segundo Roberto Lima, a dívida mostra equilíbrio na gestão

financeira uma vez que equivale à geração de caixa. Por ter financiado

o pagamento das licenças de 3G junto à Anatel, a empresa conseguiu

manter, ainda conforme relatório, sua posição de caixa em um momento de

turbulência nos mercados, ao mesmo tempo que alongava o perfil da

dívida. Tal financiamento teve o custo de IST (Índice do Setor de

Telecomunicações) mais juros de 1% ao mês.

Nas ocasiões em que foi a mercado captar, a Vivo não enfrentou

dificuldades, segundo Lima. Para o exercício atual, a próxima captação

deve ocorrer ainda no primeiro semestre e não deve acarretar problemas,

acredita.

Crise não incomoda

Apesar do ambiente de crise econômica, Lima destaca otimismo e

justifica com a “essencialidade do serviço telefônico” para quem está

empregado e quem está procurando oportunidades. Sem falar em metas para

o ano, o executivo diz que será necessário a empresa adaptar-se a um

cenário de nem tanto crescimento em função da conjuntura.

Apesar do contexto, a operadora reduziu em 28% a provisão para

devedores duvidosos no último trimestre de 2008 para R$ 59,5 milhões,

em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A receita de dados e serviços de valor agregado aumentou 35% de

forma inorgânica e 20,8% na comparação combinada com o quarto

trimestre, representando 10% da receita líquida de serviços no quarto

trimestre de 2008.

Por fim, Lima considerou que o fechamento do balanço mostra que

2008 foi um ano de gestão saudável e em que esteve presente o “sangue

frio” para não entrar em guerra de mercado.

A operadora segue com a tarefa de gerar resultado operacional

capaz de fazer frente à “elevada carga tributária, de juros, extensão

territorial do País e renovação das tecnologias com frequencia”

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