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Com Apollo, HP quer levar supercomputação às empresas

Honrando a tradição americana de transformar anúncios de produtos em espetáculos visuais, a HP usou um elevador para “lançar” o grande rack do HP Apollo 8000, simulando a partida de um foguete espacial. A metáfora não está apenas no nome do produto (Apollo foi o codinome usado pela agência espacial americana para as missões de exploração da lua), mas também na ambição da empresa americana de transformar a computação de alta performance (ou HPC, na sigla em inglês), tornando-a mais acessível, mais eficiente e mais barata.
O anúncio da família Apollo de HPC aconteceu na segunda-feira (9) durante o Discover 2014, evento realizado anualmente pela fabricante em Las Vegas, nos EUA*. Trata-se de um conjunto de produtos voltados para processamento massivo de informações, como decodificação genética, por exemplo, ou mapeamento de poços de petróleo, previsão do tempo e outros tipos de simulações.
O grande problema que data centers do tipo enfrentam é a quantidade de recursos que consomem: são grandes, dispendiosos, difíceis de operar, pouco eficientes no consumo de energia. É isso que a HP está tentando mudar. “A demanda por computação de alta performance continua crescendo. Com o anúncio de hoje estamos tornando a HPC acessível para empresas de qualquer tamanho”, disse Antonio Neri, vice-presidente sênior e gerente geral da divisão de servidores da HP Enterprise Group.
Traduzindo: a promessa da HP é entregar quatro vezes mais performance usando o mesmo espaço dos racks modulares tradicionais, e consumindo menos energia graças a um novo sistema de resfriamento que usa água para dissipar o calor, no caso do Apollo 8000, ou ar, no do Apollo 6000. Outros produtos da família incluem softwares de gerenciamento na nuvem (Helion Self-Service HPC, baseado em OpenStack) e serviços de implantação e suporte.
Eficiência como Atrativo
Além de sistemas realmente parrudos para processamento massivo de informações, a família Apollo reflete a máxima que os executivos da HP têm repetido com certa frequência no Discovery e que se relaciona com o conceito de Sistemas Convergentes: flexibilidade para atender cada consumidor de maneira individualizada, otimizando os sistemas na fábrica para workloads igualmente específicos (serviços financeiros, por exemplo, no caso do Apollo 6000, mas outros devem ser lançados com o tempo).
“Não tem mais relação com servidores isolados, e sim com workloads específicos”, explica Neri. “Acho que é isso que os consumidores querem: diferentes fluxos de trabalho para diferentes computadores.”
Há ainda avanços tecnológicos, e o sistema de refrigeração do modelo 8000 chama a atenção. Ele é, segundo a HP, o primeiro supercomputador totalmente resfriado por líquido, e marca a superação de um desafio antigo: colocar líquidos girando dentro de sistema tão caro sempre foi uma preocupação difícil de ser superada, mas possível agora com uma tecnologia desenvolvida pela empresa que minimiza os riscos.
A densidade também chama a atenção: são 144 servidores (com tecnologia de processamento da Intel) por rack, gerando quatro vezes mais teraflops por rack do que sistemas semelhantes resfriados a ar. Economiza ainda 3,8 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, e a água pode ser reciclada periodicamente.
Go-to-market
A comercialização dos dois modelos (6000 e 8000) do Apollo seguirá a estratégia canais tradicional da HP, muito embora vá exigir um “certo nível de participação nossa, pois são [equipamentos] muito especializados”, explicou Neri. Ambos já estão disponíveis na América do Norte por preços não revelados (“dependem de cada projeto”).
EUA e Europa devem ser responsáveis pelas maiores demandas. Na América Latina, segundo Neri, apenas o primeiro encontrará disponibilidade imediata, enquanto o segundo deve vir apenas no fim do ano. Os alvos: universidades e governos, além de grandes corporações, principalmente no setor de óleo e gás.
Outros países emergentes da Ásia e África, também impulsionados pelo setor de óleo e gás, devem ter clientes em potencial, acredita o VP.
* O jornalista viajou a Las Vegas a convite da HP

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