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Liderança humanizada no home office: uma nova perspectiva para o pós-pandemia

Mesmo à distância, o papel do líder é ajudar no desenvolvimento humano, é ser exemplo para os colaboradores

Por  Susanne Anjos Andrade

15:00 - 18 de setembro de 2020
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superhero businessman looking at city skyline at sunset. the concept of success, leadership and victory in business.

Liderar uma equipe é desafiador, à distância então… Mas nada que não seja facilitado por meio de uma liderança humanizada. Hoje, qualquer pessoa pode se tornar um bom líder e inspirar outros pelo exemplo. No modelo home office, isso toma uma proporção maior, e o líder deve ter maturidade para reforçar os laços de confiança para manter o engajamento. Especialmente neste momento, a necessidade de uma liderança mais humanizada é essencial, inclusive para lidar com alguns desafios gerados pelo atual cenário, como a ansiedade das pessoas, o isolamento social e outras situações que causam vulnerabilidade nos colaboradores.

O primeiro ponto para a humanização consiste nos profissionais entenderem o propósito daquilo que estão fazendo, o que leva a uma atuação com brilho nos olhos e comprometimento pelo que se faz. Esse fator facilita o desenvolvimento da autogestão. Algumas empresas já atuam com esse mindset, proporcionado por uma liderança mais servidora. Grandes organizações ainda estão passando por um momento de transição que, embora urgente, deve acontecer de forma gradual, pois de nada adianta inserir um gestor menos controlador se os colaboradores não estiverem prontos para a transformação. Para isso, é necessária uma mudança de ambas as partes, líderes e liderados, um crescimento conjunto.

Liderança humanizada é essencial

Se essa já era uma pauta importante dentro das organizações, agora ela tem sido essencial para a conquista de resultados. A quarentena, que impôs a todos um maior entendimento sobre as necessidades de cada um, veio para quebrar antigos paradigmas e mostrar que não é mais possível nos relacionarmos da mesma forma que antes. Muitas pessoas acabam não produzindo por estarem infelizes e a humanização contribui na transformação desses profissionais, fazendo com que eles trabalhem com mais entusiasmo e entendam o porquê das suas atividades.

Tempos atrás, o líder era visto somente como um gestor. Hoje, a liderança é vista como importante soft skill na agilidade. É possível ser um especialista, sem ter um cargo de gestão, e ser um líder, que inspira e influencia outras pessoas, pois sabe se comunicar bem, ser empático e desenvolver pessoas. No novo mundo do trabalho é fundamental ter visão coletiva e atitudes que ajudem a promover esse desenvolvimento. 

O mundo ágil precisa de líderes que motivam e ajudam a engajar os profissionais não somente nas atividades que estes desempenham mas, especialmente, enquanto pessoas. Valorizar as ideias do time, dar espaço para a inovação, para a fala e escuta ativa é fundamental. Tudo isso faz parte de uma gestão horizontal, ideal para o “futuro do trabalho” que já “é presente”. A consequência é um ambiente repleto de pessoas felizes, que trabalham de maneira produtiva e colaborativa.

Há um movimento de transformação na postura dos líderes; o padrão ‘comando e controle’, que já não vinha trazendo bons resultados, é ultrapassado e improdutivo, mesmo que muitos ainda insistam nesse modelo. A própria pandemia evidenciou isso com a adoção do home office. Cerca de 46% das empresas do país adotaram esse regime de trabalho, segundo pesquisa Gestão de Pessoas na Crise Covid-19 da Fundação Instituto de Administração (FIA).

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A atuação mais humanizada do gestor gera maior engajamento do colaborador. Efeito natural e claramente visível, pois o indivíduo se sente participante ativo do processo e, motivado, passa a agir de modo proativo. Quem não quer um funcionário feliz e proativo? Para desenvolver este estilo de liderança, o profissional deve estar atento a algumas dicas: 

Liderar por meio de perguntas 

Há uma enorme diferença entre perguntas fracas e perguntas poderosas. As fracas levam a pessoa a se sentir culpada, abrindo espaço para justificativas que nada resolverão; portanto, não devem ser usadas. Saber “por que” ela não conseguiu cumprir o prazo não mudará o presente. Por outro lado, perguntas poderosas são aquelas que levam à ação, e têm como foco a solução, o futuro, como por exemplo: “Quando” você consegue me entregar? ou “Como” vamos conduzir essa questão? Além disso, ao liderar por meio de perguntas você possibilita ao seu time assumir a responsabilidade pelo resultado, sendo protagonistas, assim como se motivam e se engajam mais, trazendo novas ideias, pontos essenciais para desenvolver um time de autogestão. 

Exercitar o feedback constante

Quando o feedback é feito espontaneamente no dia a dia não fica com aquela cara de avaliação de desempenho e nem é esse o objetivo. Esse retorno feito de forma mais cotidiana da liderança humanizada é importante para as pessoas. Quando o reconhecimento não acontece, muitos deixam de ter boa performance. É bom para qualquer um ter consciência tanto de suas atitudes positivas quanto daquelas que precisam ser aprimoradas ou redirecionadas.

Celebrar cada conquista 

Comemorar as conquistas do seu colaborador com uma postura bacana, seja com um abraço, um elogio ou oferecendo um almoço ao time que finalizou um projeto, por exemplo, faz toda a diferença. Atitudes como essas acabam por fortalecer o elo entre as pessoas e funcionam como um exercício de gratidão para a mente, o que gera felicidade e novos resultados. 

Exercitar a empatia 

No ambiente corporativo, a empatia potencializa a sinergia e gera conexões positivas. O conflito vem de fora e a empatia nasce quando se identifica pontos comuns que ocorrem dentro das pessoas, pois ao se colocar no lugar do outro é possível perceber emoções e sentimentos alheios. Esse processo acontece em nossas mentes e ajuda a darmos um novo significado ao relacionamento humano. 

Ser exemplo

Esta maneira de desenvolver uma liderança humanizada está relacionada a todas as anteriores. Ser exemplo corresponde a fazer aquilo que você espera e deseja que as pessoas façam. Conseguir integrar as dimensões pessoal e profissional é ser exemplo de um bom líder. As perguntas ajudam a focar na solução, os feedbacks ajudam a melhorar a performance e ao celebrar momentos especiais exercemos a empatia.

É provável que desenvolver a sua liderança como soft skills seja o grande diferencial para o seu salto como profissional no novo mundo do trabalho, pois estará inspirando e ajudando outras pessoas a crescerem, quando todos ganham: profissionais e empresas. 

 

Susanne Anjos Andrade é autora dos best-sellers “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil”, “O Segredo do Sucesso é Ser Humano”, e do livro digital “A Magia da Simplicidade”. É coach, palestrante e professora de cursos de MBA pela FIAP em disciplinas sobre carreira, coaching, liderança e gestão da mudança para a transformação digital. É Head de Soft Skills na NL Pro, e sócia-diretora da A&B Consultoria e Desenvolvimento Humano, empresa que criou o “Modelo Ágil Comportamental”. Também atua como voluntária no Grathi e é colunista no portal IT Forum 365, na coluna Desenvolvimento Humano 4.0.

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