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Foi necessária uma pandemia para provar o ROI da Comunicação

Empresas que nunca haviam investido em comunicação, perceberam a importância e urgência do tema

Por  Fernanda Brunsizian

11:30 - 21 de julho de 2020
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Na discussão surreal sobre os efeitos positivos da pandemia, gostaria de elencar que a importância da Comunicação foi finalmente reconhecida. Quem trabalha com Comunicação sabe há quanto tempo estamos tentando provar o seu impacto nos negócios, buscando fórmulas matemáticas que possam associar relações institucionais com vendas, campanhas de engajamento com retenção de talentos e assim por diante.

E, de repente, veio uma tal de Covid-19 que fez com que as empresas procurassem enlouquecidamente um profissional de Comunicação. Não dá para agradecer, mas dá no mínimo para achar inusitado. Por que agora?

Crises são historicamente os momentos em que somos lembrados, mas crises costumam ir e vir com certa rapidez, com exceção desta. A falta de espaço físico mostrou o quanto ainda dependíamos de interações reais para nos comunicar e a rápida mudança de cenário e prioridades exigiu a adaptação de canais e mensagens. Soma-se a isso o fator insegurança – que disparou no ranking das angústias – e pessoas inseguras precisam de informação constante. Quero deixar registrado que também gostamos de trabalhar em momentos de bonança e alegria, tá?

Durante os últimos quatro meses, recebi dezenas de pedidos de indicações de profissionais ou agências que pudessem apoiar as empresas nesse período. Fiquei feliz de poder ajudar e contribuir para que as partes se encontrassem. Quem me conhece, sabe que tenho uma veia headhunter e adoro fazer “matches”! 

Acabei redigindo um pequeno documento de Perguntas e Respostas com as perguntas mais frequentes e coloco aqui para que mais pessoas possam acessar. Lembrando que a fonte sou eu mesma e todos que queiram somar são bem-vindos! 

Como sei que está na hora de contratar alguém de comunicação?

Quanto antes você contratar, melhor, mas meu número mágico é 51. Se você já tem 50 pessoas na sua empresa, você está no limite e a próxima deve ser de comunicação. A partir deste número, você começa a perder muita qualidade no fluxo de informações interna e externamente. Além disso, se cada pessoa tiver 200 contatos únicos em redes sociais, um número bastante conservador, você já está desperdiçando uma rede de 10.000 pessoas que poderia receber informações organizadas sobre sua empresa.  

Contrato uma agência ou um funcionário?

As coisas não são excludentes. Cada um tem o seu papel e a união dos dois é o formato perfeito. Mas vamos supor que você não possa ter os dois no momento. Neste caso, vai depender da sua necessidade imediata ou, como diz o marketing, da sua dor! Se a sua questão for mais interna, contrate um funcionário, pois, apesar do home office, existem várias nuances na cultura organizacional que são muito difíceis de ser absorvidas por terceiros. Se a sua questão for totalmente externa, é possível contratar uma agência, contanto que haja um ponto de contato dentro da empresa que tenha esse relacionamento como prioridade. Já vi inúmeras agências que não conseguiam trabalhar direito, pois não existia essa ponte e as informações não chegavam no momento correto. 

Nunca contratei alguém de Comunicação. O que devo observar?

É preciso observar características comportamentais bem mais que aspectos técnicos. Na parte técnica (se é que se classifica assim), está o português. Português, português, português. Gramática, interpretação de texto, dissertação argumentativa. Nice to have: uso correto do imperativo! 

Na parte comportamental, duas características podem atrapalhar bastante o desempenho: carência e egocentrismo. Por quê? Porque as duas acabarão levando a pessoa a tomar decisões equivocadas. No nosso dia a dia, há que se tomar muitas decisões, sempre pensando no que é o correto para a empresa, e algumas vezes elas serão impopulares. Também está na essência do trabalho fazer o outro (pessoa, empresa, área, produto) brilhar. Nós não precisamos aparecer; nossa alegria deve ser o sucesso do outro. 

E o que devemos pedir? Uma boa dose de curiosidade, visão 360, pensamento multimedia, noções de finanças, marketing e psicologia. 

Gosto de frisar algo: nosso conhecimento é sobre causa e consequência de movimentos. Se a sua empresa é de agronegócio, não precisa contratar alguém que tenha experiência em agronegócios. Um bom profissional de comunicação sabe adaptar a comunicação a qualquer indústria. 

Como escolho uma agência?

Essa é uma difícil missão. Existem muitas agências, de tamanhos e serviços variados, então você precisará entender suas prioridades e buscar agências que sejam referência naqueles serviços. Também gosto de verificar um certo fit cultural: nível de formalidade, ferramentas de trabalho, valorização de diversidade, plano de desenvolvimento etc. A forma de fazer as coisas precisa coincidir para dar certo. Outro caminho que gosto é entender os clientes da agência. Muitas vezes a agência também pode fomentar parcerias e isso é super rico. 

Um processo de escolha geralmente é feito da seguinte forma: o cliente envia um briefing, explicando que problemas entende que a comunicação possa resolver, a agência prepara um plano baseado no briefing e em suas pesquisas, estima equipe e ferramentas necessárias para conduzi-lo e chega a um fee mensal. Existem variações para se chegar ao fee, mas a grande parte ainda funciona assim.

Como medir o trabalho?

Agora sim chegamos ao ponto mais difícil. Posso elencar algumas métricas: exposição positiva na imprensa, alcance, engajamento, mix de canais, fonte de matérias, endosso de terceiros, participação em eventos, tráfego, link building, atração e retenção de talentos e por aí vai. 

Mas, de verdade, se você vendeu mais ou menos por causa da Comunicação, você não vai saber exatamente, milimetricamente. Comunicação é relacionamento, é você se importar e estar presente, é o quanto sua empresa está inserida na sociedade, quanto ela impacta o mundo positivamente e o mundo está reconhecendo isso.  

Neste momento, criamos uma nova métrica: como a empresa será reconhecida depois da crise? Mas, sobre isso, tem um outro texto aqui!

 

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