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Entenda alguns detalhes antes de migrar ou não migrar o software da sua empresa para nuvem

O dilema de migrar o aplicativo ou software empresarial para a nuvem é um tópico dominante entre executivos de tecnologia

Por  Leonardo Henrique Kappes

12:26 - 20 de outubro de 2020
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É óbvio que o interesse é bastante amplo. A computação em nuvem é motivada pela implantação e manutenção rápida e indolor de softwares e aplicativos que agora são um fardo para o provedor de serviços de data center. Ainda assim, antes de migrar, deve-se fazer uma análise completa do “problema de TI” nos negócios para decidir se os recursos e custos de uma solução em nuvem são adequados e se os riscos são razoáveis e permanecem sob controle.

As considerações abaixo fazem parte de uma publicação no IEEE Software que tem a missão de construir a comunidade de profissionais de software líderes e futuros, oferecendo informações confiáveis, úteis e de ponta sobre desenvolvimento de software para manter engenheiros e gerentes atualizados sobre as rápidas mudanças tecnológicas.

Modelos de negócios alteram a forma de construção de softwares: a história do software tem mostrado com bastante frequência que há vantagens significativas ou mesmo incrementais em tecnologia, e alterações de modelos de negócios causam mudanças significativas na forma como os aplicativos de software são projetados, construídos e entregues.

Computação em nuvem está em pleno avanço: a computação em nuvem é um avanço de certa forma recente, se popularizou no início de 2007, e possibilita o uso de software, middleware e infraestrutura como serviços oferecidos pelos provedores de serviço em nuvem.

O termo computação em nuvem é comumente referido a servidores virtuais, hospedagem distribuída e recursos compartilhados disponíveis na Internet, hospedados em grandes data centers.

Os defensores da nuvem elogiam as vantagens oferecidas pela nuvem, como redução de custos, modelos de precificação pré-pagos, rápido lançamento no mercado, alta disponibilidade, redundância, escalabilidade de recursos de forma simples e rápida etc.

Atualmente, a nuvem se tornou nossa rede de entretenimento, músicas, vídeos, filmes, cursos e tudo mais está em nuvem acessível em qualquer dispositivo.

Os desenvolvedores fornecem três tipos principais de sistema de nuvem:

  • Software como Serviço (SaaS).
  • Plataforma como Serviço (PaaS).
  • Infraestrutura como Serviço (IaaS).

No tipo de serviço SaaS, o consumidor faz uma assinatura paga de algum software, e todos ou parte de seus dados e o código de gerenciamento residem em servidores remotos. Um exemplo de SaaS é o Google Docs, que o consumidor acessa por meio de um navegador web.

No tipo de serviço PaaS, os desenvolvedores de software criam código que será executado em uma plataforma de provedor de PaaS, em vez de na plataforma própria de uma empresa. O Google App Engine é um exemplo característico de PaaS.

Por fim, o IaaS fornece máquinas virtuais sob demanda para fornecer escalabilidade ao software em execução. O Elastic Compute Cloud (EC2) da Amazon implementa esse tipo de serviço, por exemplo.

Nuvem nem sempre é sinônimo de plataforma robusta

As nuvens têm pontos fracos, sendo os mais significativos a segurança e privacidade. Sim, um data center TIER IV ou TIER V são altamente seguros, mas o fato é que softwares são falhos e são altamente explorados por cyber criminosos. Dependendo do caso, não é possivel colocar em nuvem tudo que se tem de barreiras de segurança em uma plataforma local. Basta estar na internet para não estar seguro, infelizmente é simples assim.

Nuvem nem sempre é sinônimo de interoperabilidade: Interoperabilidade em nuvem é a facilidade de uma nuvem suportar a troca de um provedor para outro. A integração de serviços oferecidos por diferentes plataformas de nuvem, sua disponibilidade e viabilidade, em determinados casos, é barrada pelo provedor de origem/destino, ou seja, nem sempre é fácil fazer a migração de uma plataforma de tecnologia de uma nuvem para outra, o provedor “fecha as portas” se não houver uma negociação comercial pré-estabelecida.

Não é esperado que todos esses problemas sejam resolvidos de uma forma que atenda a todas as necessidades de negócios, pelo menos não muito em breve, mesmo assim as nuvens ganharão cada vez mais uma parcela significativa no setor de tecnologia.

Coisas novas surgem a cada dia: Por exemplo, a Salesforce criou seu AppExchange como uma plataforma de integração aberta para outras empresas que desenvolvem produtos que utilizam recursos de seu produto Customer Relationship Management (CRM). Esses movimentos estão apoiando a criação de um “ecossistema” de nuvem.

Outro exemplo é a IBM que tem trabalhado em seu projeto Trusted Virtual Data Center (TVDc) para fornecer forte isolamento e garantias de integridade para clientes que executam seus programas em máquinas virtuais que funcionam simultaneamente no mesmo sistema físico. Esses esforços estão prometendo um futuro mais brilhante para a computação em nuvem no setor de TI.

Voar para as nuvens ou não?

Antes de mais nada, vamos entender de forma simples o que alguns chamam de On-Premise. Comparando com SaaS que já vimos acima, a diferença entre os dois é simples, enquanto um software fica na nuvem e é disponibilizado como serviço (SaaS), o outro é instalado nos servidores locais da empresa, e é um produto (On-Premises).

Como os serviços em nuvem SaaS estão amadurecendo gradualmente, os consumidores, ou seja, empresas e organizações, devem resolver dilemas críticos, por exemplo, se devem comprar ou alugar armazenamento de nuvens, se devem ou não usar serviços IaaS e assim por diante.

Se uma empresa deve continuar operando seu próprio software de negócios localmente ou se deve se inscrever em um serviço SaaS hospedado, isso é algo a se avaliar com cautela. Menciono aqui SaaS, que, por definição, exige todos os utilitários de nuvem, como a plataforma e a infraestrutura adequadas.

Para a decisão de migrar, é necessário descrever os fatores que afetam tal decisão e comparar de custos e benefícios de um software tradicional versus sua implementação SaaS. Tal análise é útil para provedores e clientes.

Principais fatores que afetam tal decisão:

A adoção de soluções baseadas em SaaS, e de nuvem em geral, é na maioria das vezes impulsionada por três fatores principais:

  • Economia de custos;
  • Complexidade das operações de TI atuais;
  • Ansiedade por inovação.

Os aplicativos baseados em SaaS salvam os clientes de enormes investimentos:

O time de TI sofre, sim, sofre, pois é normal a diretoria querer fazer mais com menos. Mais recursos com menos dinheiro investido. Porém, os aplicativos baseados em SaaS salvam as empresas de enormes investimentos iniciais em infraestrutura de TI; o provedor SaaS configura e mantém a infraestrutura geral. Assim, a aquisição de software baseado em nuvem reduz tanto o capital quanto e custos operacionais.

A complexidade da TI aumentou drasticamente à medida que os aplicativos se tornam mais complexos e as mudanças exigem planejamento e testes significativos.

As empresas podem estar gradualmente enfrentando uma dificuldade para atingir essa meta, uma vez que mesmo as menores mudanças às vezes envolvem a coordenação de mudanças de processo em vários departamentos. Isso custa tempo, que falta às empresas, principalmente sob a pressão de inovar lançando novos produtos e serviços em pouco tempo.

A aquisição de aplicativos baseados em SaaS parece apropriada para resolver coletivamente esses problemas.

Mas o tempo rápido para levar produtos ao mercado é apenas uma das faces da inovação em produtos de software; a outra face é a perspectiva de personalização, ou seja, a capacidade de adicionar novos recursos.

Diferentemente do SaaS, o foco do software local é a customização, ou seja, adicionar mais e mais recursos, mesmo ao custo de aumentar o custo total de propriedade. O SaaS toma a direção oposta, ou seja, reduzindo o custo total de propriedade, mas fornecendo menos “elasticidade” no software oferecido, uma vez que tal elasticidade aumentaria também o custo de manutenção.

Além disso, a adoção de uma solução SaaS também precisa considerar o modelo de preços e o Acordo de Nível de Serviço (SLA), que são promessas contratuais de determinados níveis de confiabilidade.

O SaaS gerou crescente atenção da indústria e aceitação do cliente, porque oferece um método mais simples para adotar e administrar aplicativos de software de negócios essenciais, como gerenciamento de gastos corporativos, computação social, e-commerce, Marketplaces, gerenciamento de desempenho da força de trabalho, gerenciamento de relacionamento com o cliente ( CRM), gerenciamento da cadeia de suprimentos, aplicativos de escritório e assim por diante.

Deve ser considerado os custos iniciais de investimento de adoção de um novo sistema, como custo de desenvolvimento de software, ou custos de assinatura, custos de integração e personalização, serviços profissionais, e custos de treinamento do usuário. Os custos de assinatura para SaaS dependem do modelo de cobrança do provedor. Custos de hardware e middleware também são acumulados no despesas do primeiro ano. Custos operacionais também devem ser considerados.

Por fim, aqui vai uma dica pessoal

Mesmo que a computação em nuvem seja considerada um avanço, parece que as nuvens terão um grande papel no domínio das tecnologias e comunicações nos próximos anos. As principais razões podem ser a utilização de nuvens como “território neutro” para operações de empresas conjuntas, a continuidade de negócios, a recuperação de desastres, a busca de um ponto de entrada de baixo custo em tecnologia, alta disponibilidade e escalabilidade, a falta de um time de TI local e muito mais.

Se você tem um aplicativo essencial ou de missão crítica não migre para a nuvem, principalmente devido a questões de segurança e privacidade.

Para o restante das aplicações, a computação em nuvem parece uma opção atraente, mas ainda assim a decisão de migrar para a nuvem é difícil, pois há muitos aspectos que devem ser levados em consideração. Definindo o caso de negócios, avaliando custos e coletando métricas pode-se ter um suporte de decisão útil.

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