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COVID-19: colocando a Marca Empregadora à prova

Marca Empregadora, acompanhada de cultura e valores, são conceitos para o bem e para o mal e deveriam estar presentes na saúde e na doença

Por  Fernanda Brunsizian

18:00 - 27 de abril de 2020
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marca empregadora

Muitas pessoas associam o termo “Employer Branding” ou Marca Empregadora apenas às ações das empresas ligadas à atração de talentos. Portanto é comum que em um momento de crise econômica o conceito fique um pouco esquecido, mas o tema é ou deveria ser muito mais amplo do que apenas a sua estratégia de contratação. A sua Marca Empregadora é a sua identidade como empresa e define, entre muitas coisas, a forma como você se comunica e se relaciona com os seus funcionários.

Dizem que só conhecemos as pessoas de verdade em uma crise e acredito que isso valha também para empresas. Reagir sob extrema pressão em um cenário de muitas incertezas pode dar muito certo ou muito errado. Como decidir o que cortar, quando e em que ordem? Como comunicar? Quem envolver?  É importante voltar à marca empregadora para essas decisões e agir conforme a sua identidade. 

Sua empresa tem “colaboração” como um dos valores? Quanto e como os seus funcionários estão participando das decisões? Quanto estamos dividindo os problemas e convocando todos para a ação? Há canais adequados de comunicação? As áreas estão se apoiando? Ou na hora da crise a colaboração desaparece? “Inovação” faz parte dos seus pilares? Então ela não deveria servir apenas para lançar novas “features” de produto, mas sim para pensar nas novas dores da sociedade e em como contribuir para melhorar minimamente o cenário caótico que está por vir.

O que quero pontuar aqui é que Marca Empregadora, acompanhada de cultura e valores, são conceitos para o bem e para o mal e deveriam estar presentes na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Nós sabemos, é fácil brilhar na subida, mas o desafio é brilhar na baixa. Na baixa, você coloca toda sua estratégia à prova. E se está difícil sustentar esses pilares agora, talvez seja o momento de repensá-los ou reajustá-los.

Marca Empregadora em médio e longo prazos

Quando chegarmos a esse novo normal, comentado por aí, como terá mudado o conceito de Marca Empregadora? O que realmente atrairá talentos? Seguiremos com os mesmos padrões?

Arrisco apontar algumas direções que farão a diferença e para as quais as empresas deveriam voltar uma mínima atenção:

Segurança e estabilidade

Conceitos que andavam meio fora de moda devem voltar à lista de atração. Candidatos tenderão a escolher empresas maiores e mais estáveis, pois sairão um pouco traumatizados da instabilidade. Mensagens relacionadas à segurança serão importantes para a tomada de decisão.

Saúde mental/emocional

Cada vez mais importante, deveria caminhar lado a lado da saúde física. O mundo fica mais complexo e, se não desenvolvermos habilidades que permitam aumentar nosso equilíbrio emocional, será muito difícil conviver com tantas variáveis e dar conta de nossas vidas pessoais e profissionais. Empresas que cuidarem de seus funcionários sob esse ponto de vista e que demonstrarem um interesse genuíno em desenvolver pessoas neste aspecto devem atrair mais candidatos. 

flexibilidade

Para todos que resistiam ao home office, agora ficará mais difícil negá-lo. Vimos que é possível sim, para muitas áreas, trabalhar bem e da própria casa. Pode ser que hoje essa atividade não esteja muito divertida, afinal não estamos em condições normais de temperatura e pressão. Estamos obrigados a ficar em casa, nossos filhos estão sem escola e nossa vida está um pouco atormentada. Mas o home office chegou de vez e será impossível evitá-lo! 

Responsabilidade social/voluntariado

Comprovamos que o mundo é uma grande cadeia de impacto, como aquelas cartas do baralho que vão caindo no momento em que você derruba a primeira. E vimos a fragilidade de tantos grupos sociais. Estar em uma empresa que converse com a sociedade e que esteja disposta a interferir positivamente neste fluxo, fará a diferença para muitos candidatos, assim como a oportunidade de participar desse processo através de programas de voluntariado.

Ambientes internacionais

Pela primeira vez vimos o mundo inteiro falando da mesma coisa. Vimos todas as nações colocando máscaras. Acompanhamos os números da expansão do vírus e como cada país está lidando com isso. O motivo não é bom, mas está servindo para conhecer um pouco mais do que acontece fora do nosso país e tem desenvolvido uma certa “curiosidade internacional” para quem não costumava ter esse olhar. Sinto que estar em uma empresa que tenha operações/negócios em outros países pode tornar-se um item de atração, pois criou-se um sentimento de pertencimento global. 

Reforço que aqui não existe nenhuma pesquisa científica. São apenas tendências que observo do dia a dia. Interesses que vão crescendo e outros diminuindo conforme a sociedade se transforma. E são nesses momentos que questionamos valores, portanto é apenas um convite à reflexão!

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