O Brasil é o segundo maior em número de academias em todo o mundo, de acordo com a Associação Brasileira de Academias (ACAD Brasil), ficando atrás somente dos Estados Unidos. Atualmente, o País conta com mais de 33 mil unidades cadastradas na entidade.
Esse é um mercado crescente do qual a ClassPass quer uma boa fatia. O serviço de assinatura de academias e atividades físicas presente em 28 países chegou ao Brasil em dezembro de 2019 e tem planos ambiciosos para os próximos meses. A expectativa da empresa, que de certa forma concorre com a Gympass, é de ter o País como seu terceiro maior mercado fora dos Estados Unidos em dois anos. O Reino Unido é hoje seu segundo mercado.
“Quando olhamos a concorrência, enxergamos a inatividade como a maior delas. Apesar de muitas academias, há menos de 5% de pessoas matriculadas”, observa Rodolfo Ohl, country manager da ClassPass no Brasil. Ohl contou em conversa ao IT Forum 365 que a empresa está animada com os primeiros resultados em solo nacional, com um foco grande no usuário final. Por enquanto, o serviço está disponível em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas já tem planos de expansão para este ano em outras localidades.
Com 30 mil parceiros em todo o mundo, incluindo academias, espaços de bem-estar e beleza, a empresa já processou mais de 100 milhões de reservas desde a sua existência em 2013. “Chegamos ao Brasil com uma política forte de conquistar o usuário final. Todo novo usuário tem um mês gratuito no app, disponível para Android e iOS, e 90 créditos para usar”, explicou. Segundo ele, as taxas de conversão, não reveladas, têm sido altas, na esteira da busca pelo bem-estar. “Vivemos esse momento e nossa bandeira é de que as pessoas tenham mais tempo para elas.”
Com uma força de trabalho móvel, a ClassPass entende que precisa levar conveniência para seu público. Assim, baseia seu modelo de negócios em três pilares: diversidade de locais para escolher; conveniência, para escolher qualquer lugar seja no Brasil ou fora; e vantagem na negociação, já que as aulas podem ser agendadas por meio de créditos e geolocalização e têm tarifa dinâmica.
De acordo com Ohl, a tecnologia é chave para a ClassPass. “Usamos machine learning e inteligência artificial para fazer um preço ótimo para o usuário. Buscamos com o parceiro reduzir a ociosidade dele. Ele renuncia o preço cheio, mas tem mais ocupação. É um modelo muito interessante. Com nossa plataforma, nossos parceiros podem aumentar em 20% a receita”, detalha.
A ClassPass, por sua vez, tem um valor negociado com parceiros para sustentar seu modelo de negócios. “A margem é pequena e temos de pagar operações de cartão de crédito e todos os outros custos. Nosso negócio só é possível com uso de tecnologia e ter esse retorno em grande escala, já que estamos presentes em 28 países.”
Em busca de crescimento, a empresa recebeu em janeiro de 2020 um investimento de US$ 285 milhões de financiamento da Série E. A rodada, liderada pelos fundos L Catterton e Apax Digital, com participação adicional do investidor Temasek, tem como foco a internacionalização dos negócios da ClassPass.
“A América Latina e o Brasil são parte dessa estratégia. Vamos intensificar o investimento por aqui e isso traduz em mais parceria com academias e mais usuários. Também investiremos em expansão geográfica no Brasil, agregando capitais”, adianta. “Queremos construir um negócio sólido e possibilitar experiências que nutrem as pessoas. Essa é nossa missão profunda”, finaliza ele.
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