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CIO Insight: gestão e inteligência competitiva

Outro dia li um artigo de Rubem Alves (O Prazer de Ler: Sobre Leitura e Burrice) que me fez entender alguns desconfortos e inquietudes sentidas ultimamente com o que leio e penso. Com a objetividade dos contemporâneos, este autor salienta a ambigüidade do excesso do ler, que não estimula o embasamento para criação de um modelo mental próprio, mas, ao contrário, impede o desenvolvimento do pensamento criativo.

Quando passamos horas dedicadas à leitura há certa perda da capacidade de pensar. Acabamos nos apropriando das idéias dos autores e dispensando o aprendizado oriundo da nossa própria experiência – o nosso aprendizado. A citação de Nietzsche de que não importa o que nos acontece, mas o que fazemos com o que nos acontece é uma referência sobre o tema.

A maioria das pessoas centra o pensamento no fato e não no quanto o mesmo representou em sua vida, no seu mapa mental, no seu amadurecimento. Diversas vezes, fracassamos, porque não analisamos nossas vivências, repetimos o fazer das coisas, esperando respostas diferentes. É preciso desenvolver pensamentos próprios – autênticos e genuínos!

Aprender desta forma, muitas vezes nos inibe para novas experiências. Quanto mais sábios nos imaginamos, mais fechamos nosso cérebro para o novo. Herméticos e avessos às novidades, acabamos parando no tempo e justificando o próprio tempo com pensamentos do tipo “estou muito velho para isso” ou “já sei de tudo isso”.

A nova geração não tem medo de errar, quando entra num programa de computador expressa muito isto: em minutos aprendem e geram importantes resultados. Já os mais experientes, temendo o erro, necessitam saber os por quês de tudo e, infelizmente, adestrados, não prescindem de bases teóricas que justifiquem o apertar da tecla! Dentro dessa filosofia, chego à conclusão sobre o que está ocorrendo hoje em administração: as empresas insistem em manter as estratégias focadas na literatura do assunto.

A grande maioria dos autores escreveu sobre estratégias de sucesso usadas em uma época quando o mundo era pouco ou nada globalizado e, portanto, toda a inteligência da empresa concentrava-se no staff da organização e poucos tinham acesso à informação.

Hoje, todas as pessoas têm a possibilidade, independente de sua qualificação acadêmica, de seu grau de intelectualidade ou de sua posição na empresa, de trocar experiências pelos quatro cantos do planeta quase que instantaneamente, gerando aprendizados que agregam valor ao que fazem na organização. Isto tem criado em cada empresa, duas empresas: uma virtual, a do planejamento estratégico, e a outra concreta, na qual as coisas acontecem.

Penso que, se não houver uma fusão dessas duas entidades, as empresas, como são hoje, estão fadadas ao fracasso ou à mediocridade. Administrar de forma colaborativa começa a ser, a meu ver, o novo modelo de gestão, que criará uma inteligência própria e determinará o diferencial competitivo necessário para garantir a sobrevivência no mercado global.

A otimização dos processos advém mais da mudança comportamental das pessoas do que propriamente de grandes projetos! A chave é desenvolver líderes cuja experiência sirva para impulsionar a inovação que virá com certeza de quem pensa fora da caixa e dificilmente estará na liderança!

*Márcia Del Frari é CIO da REFAP

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