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Cibersegurança hospitalar: dados e exames de pacientes estão sob mira de hackers

Pesquisa da Trend Micro sobre cibersegurança hospitalar mostra um cenário preocupante para a saúde dos pacientes. Uma das constatações é que as organizações hospitalares ainda se mostram desatualizadas quanto aos padrões de cibersegurança.

Um exemplo são os hospitais da National Health Service (NHS), no Reino Unido, que foram afetados pelo ransomware WannaCry em maio de 2017. O ataque conseguiu comprometer um total de 37 hospitais, indiretamente atingiu mais 44 deles, e infectou 603 clínicas e outras organizações do NHS – deixando todo o sistema de saúde do Reino Unido em total desordem por alguns dias.

Nomeado Securing Connected Hospitals e produzido em parceria com a HITRUST, o material explora o funcionamento dos dispositivos e sistemas médicos conectados à Internet, tais como bases de dados e consoles administrativos hospitalares.

Um dos sistemas monitorados foi o Digital Imaging and Communications in Medicine (DICOM) – ferramenta para digitalização de exames de imagens. Estes sistemas podem expor imagens para procedimentos, tais como imagens RM (ressonância magnética), ultrassom, raio-X, mamografia e endoscopia.

O estudo reuniu os 20 países com o maior número de dispositivos/servidores DICOM expostos. O Brasil ficou em terceiro lugar, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Ao afirmar que um sistema ou dispositivo esteja exposto não significa necessariamente que ele esteja vulnerável. No entanto, o que não deve acontecer de forma alguma, é que imagens do sistema DICOM, estejam disponíveis para visualização pública e possam cair nas mãos de cibercriminosos.

Áreas de interesse

De acordo com o levantamento, existem três grandes áreas de interesse, consideradas valiosas, por parte dos cibercriminosos:

Operações hospitalares: inclui ciberameaças contra sistemas críticos diários, tal como bases de dados da escala de trabalho da equipe, sistemas de pagers hospitalares, controles prediais, folha de pagamento, administração, etc;

Privacidade de dados: ataques virtuais contra diferentes tipos de dados, tais como informações pessoalmente identificáveis (PII), para ambos pacientes e funcionários do hospital, incluindo diagnóstico e dados de tratamento do paciente; informações financeiras e do seguro saúde; pesquisas e dados sobre teste de medicamentos e folhas de pagamento;

Saúde do paciente: abrange ciberameaças contra dispositivos e sistemas médicos que são usados para o tratamento, monitoramento e diagnóstico dos pacientes, bem como ciberameaças contra o sistema de informações do hospital (HIS).

Razões

A Trend Micro pontua as principais razões para a defasagem na cibersegurança do sistema healthcare:

Credenciais padrão: apesar de requisitarem autenticação para acesso, a grande maioria dos dispositivos médicos estudados pela Trend Micro, pode ser explorado para que o atacante tenha sucesso em seu ataque. Foram encontrados sistemas com senha fraca ou usuários e senhas definidos pelo fabricante do equipamento (neste caso, nem o próprio administrador do dispositivo pode alterar estes dados) e sistemas sem atualização (o que permite exploração de vulnerabilidades conhecidas);

Política de cibersegurança: Os profissionais que acessam computadores hospitalares e equipamentos de diagnóstico (médicos, enfermeiros e técnicos), circulam regularmente pelo hospital. Isto dificulta muito a incorporação de políticas de cibersegurança e procedimentos de autenticação, especialmente se tais políticas atrapalharem as operações diárias;

Custo de manutenção: equipamentos de diagnóstico são extremamente caros e os hospitais não podem custear que eles fiquem offline por longos períodos para manutenção. Em alguns casos, modificar as configurações do dispositivo médico ou atualizar o sistema operacional, tornarão inválidas a certificação, a garantia e a cobertura do dispositivo, assim, os dispositivos médicos permanecem intocados;

Atendimento exclusivo: nem todos os hospitais têm uma equipe de cibersegurança exclusiva. Na maioria dos hospitais, a equipe de TI assume as duas tarefas: investigam e eliminam os incidentes de ciberataque, bem como fornecem serviços gerais de TI para o hospital. Este modelo tem a grande desvantagem da má distribuição de recursos para ambas funções.

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