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Ciberataques lançam novos desafios às nações

O ataque pela web contra a Geórgia no ano passado ficou conhecido como a primeira vez em que uma rede de computador foi utilizada por civis em conjunto com ataques físicos conduzidos por uma força militar nacional.

Um relato dos eventos em agosto do ano passado, pela US Cyber Consequences Unit, um instituto de pesquisa sem fins lucrativos, sugere que conflitos futuros devem tomar curso similar, levantando difíceis questões sobre quem representa o inimigo no ciberespaço e quais medidas seriam apropriadas contra combatentes civis.

Uma análise geral sobre o relatório aponta que os ataques lançados contra a Geórgia foram dirigidos por civis com baixo ou nenhum envolvimento da força militar russa. Organizadores dos ciberataques, no entanto, tiveram acesso aos planos da Rússia e sabiam quando as operações militares seriam iniciadas para, então, coordenarem o bombardeio digital com as ações físicas.

“Muitos dos ciberataques foram feitos em horários muito próximos aos das operações militares, o que indica uma cooperação entre pessoas do corpo militar russo com os civis que produziram os ataques virtuais”, revela o documento. “Quando os ciberataques começaram, eles não utilizaram nenhum mapeamento, foram diretamente para pontos fundamentais. Isso indica a necessidade de conhecimento prévio do plano de ataque.”

John Bumgarner, diretor de pesquisa para segurança tecnológica da instituição responsável pelo estudo, afirmou que as políticas do governo para acordar com essas linhas tênues entre militares e civis já deveriam estar prontas.

Mas há uma questão muito complicada quando se fala em civis, porque não necessariamente eles podem ser atuantes no evento se os computadores estiverem comprometidos ou forem partes de um botnet. “Quais são as linhas de batalha no ciberespaço?”, questiona Bumgarner. “E quem é o inimigo?”

Essas questões devem demorar a ganhar uma resposta, acredita Bumgarner. Há uma série de assuntos complexos envolvidos, informou, e deve se tornar ainda mais complicado quando mais pessoas ganharem acesso à banda larga, trazendo diferentes visões.

Bumgarner acredita que os ataques contra a Geórgia sejam um retrato das ações que virão pela frente. “Será uma tendência em conflitos futuros”, informou. “Os civis podem participar ativamente de cibereventos lançando suas contribuições de qualquer parte do mundo.”

E muitos se mostram prontos para isso. No início deste mês, quando completou o primeiro ano do conflito entre Rússia e Geórgia, um blogueiro pró-Geórgia foi focado em ataques lançados contra Blogger, Facebook, LiveJournal e Twitter.

A internet, afirmou o especialista, pode precisar de uma organização internacional, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (Onu), para lidar com as agressões no ciberespaço.

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