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Cadeia de suprimentos verde? Talvez só na próxima década

Estamos vivendo uma década na qual as empresas assumiram a responsabilidade de ser mais ecologicamente corretas, ao reduzir a emissão de carbono no meio ambiente. No entanto, algumas áreas das corporações apresentam mais dificuldade em se adaptar a esse novo momento.

Um estudo da Accenture – que ouviu 245 executivos que atuam como líderes na cadeia de suprimentos – descobriu que só 10% das companhias apresentam algum tipo de atividade para gerenciar as emissões de carbono. Para piorar, cerca de 40% dos entrevistados disseram que não têm controle sobre o papel de toda a rede de supply chain (cadeia de suprimentos) para a poluição do ambiente.

É particularmente preocupante que esse resultado venha de executivos que atuam na cadeia de suprimentos, os quais estão na linha de frente das principais iniciativas das empresas.

Na realidade, se o estudo da Accenture indica algo é que existe muito mais corporações trabalhando com o que chamamos de ‘greenwashing’. Este termo tem sido utilizado para indicar a apropriação indevida de eficiência ambiental – por uma pessoa, companhia ou agência do governo -, com o intuito de criar uma imagem de responsabilidade sobre o meio ambiente.

O estudo descobriu que mais de 86% das profissionais que responderam à pesquisa experimentaram, pelo menos, uma iniciativa ‘verde’ no ambiente de suas organizações. Mas as ações foram, predominantemente, nas áreas de reciclagem, gestão dos sistemas de iluminação. Não exatamente o que há de mais avançado em termos de iniciativas.

Existem, claro, mudanças críticas na área de supply chain (cadeia de suprimentos) ocorrendo agora e que têm concentrado a atenção dos líderes desse segmento. Entre essas preocupações estão: mitigar riscos globais; determinar uma estratégia efetiva com os fornecedores; integrar o ERP e o CRM com as aplicações de supply chain; e reinventar os processos para o futuro.

Jonathan Wright, executivo sênior da prática de supply chain da Accenture, nota que, no estudo, as organizações que melhoraram a performance – tanto em termos de custo como de atendimento ao cliente – são mais do que o dobro daquelas que têm iniciativas reais em termos de modelos para reduzir a emissão de carbono e outras ações relacionados à sustentabilidade ambiental.

De qualquer forma, Wright enfatiza que enquanto a vasta maioria das empresas ainda está no primeiro ou segundo passo para reduzir a emissão de carbonos, boa parte delas está implementando ações sem saber, ao certo, qual o volume emitido e quanto precisam reduzir. O que, segundo o especialista, não permite visualizar o real impacto de qualquer atividade para diminuir a poluição gerada por seus parques.

Com o cenário de crise econômica, qualquer iniciativa que não mostre um imediato impacto nos resultados ou um ROI (retorno sobre investimento) está absolutamente cancelada. E com essa falta de entendimento sobre as emissões de carbono, o modelo de ‘greenwashing’ deve continuar a ser praticado.

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