Usando uma imagem para achar a si mesma
Quando se clica no atalho “Envie uma imagem” da caixa “Pesquisa por imagem” da janela de pesquisas do Google, aparece o botão “Escolher arquivo” ao lado do texto: “Nenhum arquivo selecionado” (que, dependendo da resolução em que se trabalha, pode aparecer truncado e, depois que eventualmente um arquivo tiver sido selecionado, é substituído pelo nome do arquivo) ao lado de um segundo texto: “Ou arraste uma imagem aqui”.
As frases se referem a arquivos de imagens contidos nos dispositivos de armazenamento do computador (discos rígidos, discos externos, discos óticos como CDs ou DVDs, discos de memória tipo “pen-drives” e qualquer outro dispositivo cujo conteúdo possa ser exibido pelo Windows Explorer). Se você clicar no botão “Escolher arquivo”, abrir-se-á uma janela do Windows Explorer através da qual você poderá navegar por todos os dispositivos de armazenamento conectados a seu computador (inclusive mapeados da rede) e selecionar qualquer arquivo de imagem. Ou, se preferir, poderá abrir diretamente o Windows Explorer, procurar pela imagem desejada em seus dispositivos de armazenamento e arrastá-la para o interior da janela.
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Pois bem: quando estava preparando a coluna citada no início do texto, exclusivamente com o intuito de verificar como a pesquisa de imagens funciona, eu escolhi, ao acaso, uma das imagens armazenadas em meu disco rígido. É a foto exibida na Figura 7, uma das centenas que fiz nos salões de exposição da Computex 2011 em Taipei, feira que visitei há alguns meses. Cliquei no atalho, naveguei a esmo na janela que então se abriu, aportei por acaso em uma das pastas de imagens produzidas na Computex, cliquei na que aparece aí em cima e aguardei alguns segundos enquanto a janela exibia “Enviando arquivos”. O resultado é mostrado na Figura 8.
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Comecemos pelo menos importante: o dispositivo de pesquisa do Google varreu a Internet e exibiu as oito imagens que aparecem na base da tela, encontradas na rede e consideradas semelhantes à selecionada ? se bem que eu custe a entender o que os dois soldadinhos do canto inferior direito estão fazendo ali (um clique no atalho “Imagens visualmente semelhantes” logo acima leva a um conjunto adicional de 79 mil resultados, alguns tão disparatados quanto os soldadinhos, outros muito semelhantes à imagem modelo). Mas isto é o que menos interessa.
O que de fato interessa é o que aparece logo acima.
Repare que logo abaixo da imagem que usei como modelo, aparece uma pequena imagem de dois tabletes acompanhada do URL de onde ela foi encontrada. Não por acaso uma imagem usada por mim mesmo para ilustrar uma das colunas sobre a cobertura da Computex 2011, publicada aqui no Fórum PCs e republicada no Sítio do Piropo, como tudo que escrevo. Se você quiser ver a imagem original, pode encontra-la aqui no próprio Sítio do Piropo ou então aqui, no Fórum PCs (neste caso, ela está no final da segunda página). Tanto em um caso quanto em outro, a imagem é a que aparece na Figura 9.
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Agora, por favor, prestem atenção que a coisa é séria.
A foto exibida na Figura 9 também é de minha autoria e foi usada para ilustrar uma coluna minha. Ela e a usada como modelo são tão semelhantes que um olhar apressado poderia levar a crer que a Figura 7 nada mais é que um trecho da Figura 9 “aparado” eletronicamente. Mas comparem as duas figuras. Reparem no ângulo de inclinação do tablete mostrado em ambas.
As fotos não são as mesmas.
Não obstante, baseado exclusivamente nas características da imagem, o dispositivo de busca do Google varreu a Internet e descobriu, entre as dezenas de milhões de imagens arquivadas, uma que correspondia quase exatamente àquela que lhe serviu de base de comparação, a mostrada na Figura 7.
De novo: não foi uma comparação pixel a pixel, não foi uma simples superposição de imagens (elas não se superpõem por terem sido tomadas de ângulos diferentes) nem do quadro inteiro (a imagem encontrada na Internet tem um segundo tablete ao lado do que serviu de modelo). De alguma forma absurdamente precisa o dispositivo de busca codificou os pontos relevantes da imagem tomada como modelo, comparou o resultado com os códigos de todas as demais imagens de seu índice de imagens da Internet e exibiu aquela que, segundo seus critérios, exibia um trecho que mais se assemelhava ao modelo (tudo isto em pouco mais de meio segundo, como indicado acima da imagem na Figura 8). Não por acaso uma foto tomada do mesmo tablete, no mesmo local, com alguns segundos de diferença.
Vocês, eu não sei. Mas eu fiquei um bocado impressionado.
Não apenas com a facilidade com que o Google conseguiu realizar sua proeza como também, e sobretudo, com as consequências que este tipo de tecnologia poderá exercer em nossas vidas em sociedade.
Mas isto é papo para a semana que vem.
B. Piropo
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