A Indústria 4.0 busca um cenário mais abrangente e unificado para os negócios. Como maior interação de humanos com máquinas e maior volume de tecnologias para facilitar processos. Mas, claro, essa é apenas uma parte do conceito.
De olho nesse cenário, uma das maiores empresas do ramo alimentício do mundo, a BRF começou, há cerca de dois anos, um projeto voltado para a Indústria 4.0. Antonio Carlos Cesco, diretor Global TI da BRF, explica que o propósito era “aumentar a eficiência das fábricas, com uma visão real-time de todo processo produtivo”.
A empresa foi vencedora do prêmio As 100+ Inovadoras no Uso de TI, promovido pela IT Mídia em parceria com a PwC, na categoria Indústria de alimentos, bebidas e fumos.
O projeto da BRF, com análise e desenho da solução, é focado “em automação, IoT, cloud e analytics, a fim de aumentar a eficiência das fábricas, gerando dados para confecção de modelos preditivos de análise e melhoria dos processos”.
O projeto teve início com a melhoria de processos, incluindo sistemas robotizados, porém não integrados; limitações nos formatos de etiquetas de caixas e paletes que impactam na logística.
Com ele, a BRF prevê uma “nova jornada”. A necessidade de digitalização e integração na gestão da manufatura foi um dos grandes impulsionadores. Dessa forma, pensando no aumento de eficiência e gestão em tempo real, o projeto também prevê:
Foram realizadas provas de conceito (POCs) em uma das unidades fabris da companhia e considerados aspectos de machine vision, sensores de IoT, cloud computing, controle de sobrepeso e rastreabilidade de etiquetas. A partir da POC, foram comprovados ganhos sobre o que o projeto Indústria 4.0 se propõe, que é eficiência e rastreabilidade a partir dos dados coletados em tempo real.
“O que se discute hoje não é mais a transformação digital, mas qual a velocidade que damos a ela”, afirma Cesco. Ele aponta que o data lake atual da companhia possui mais de 6 TB de dados.
A partir deles, como cita o executivo, a companhia pode ter mais agilidade “na construção e análises de cenários, modelos preditivos e auxílio e antecipação na tomada de decisões”.
Digitalizar uma companhia e integrá-la a novos dispositivos certamente não é uma tarefa fácil. O projeto prevê que a adoção de mais tecnologia, mobilidade e conectividade em um modelo menos operacional e repetitivo de gestão, é benéfico para os trabalhadores.
A visão da companhia, neste caso, vem alinhada ao modelo de Sociedade 5.0. Para a BRF, a ideia é de adaptação por parte das pessoas na interação com a transformação tecnológica. A empresa cita que isso acontece “em um futuro já real de Inteligência Artificial, Robótica, Big Data e novas formas de trabalho”.
“Não há inovação ou transformação digital sem o forte envolvimento e a interação com as pessoas”, diz Cesco. O executivo relaciona que as novas tecnologias contribuem “para uma maior inclusão do ser humano no processo” de transformação digital.
“Podemos citar exemplos como a redução das atividades operacionais e dar a melhor experiência de usabilidade para as pessoas. É neste momento que encontramos a solução para os desafios e facilitamos o dia-dia da equipe envolvida.”
A Sociedade 5.0 também prevê que as pessoas sejam mais conscientes perante o meio ambiente. Para a BRF, isso significa uma aplicação de melhor uso de energia limpa nas fábricas.
Sobre a adoção de tecnologias de IoT e infraestrutura digital no projeto, Cesco afirma que isso “contribui para a sustentabilidade porque possibilitam o uso de informações variáveis como vapor, água e energia elétrica”. Em resumo, isso apresenta uma melhor condição para melhorar a eficiência energética nas fábricas.
“Nós enfatizamos o case de Indústria 4.0 que contribui para a transformação das atividades operacionais da companhia e na evolução das novas competências dos nossos colaboradores”, afirma Cesco.
A ideia de digitalizar e integrar novas tecnologias aparece em meio a um cenário de transformação. Muitos setores ainda caminham a passos mais curtos, enquanto outros se aproximam de uma maior interação do homem com a máquina.
Nesse processo, como já vimos anteriormente no conceito de Sociedade 5.0, o ser humano é o centro da discussão, com tecnologias que chegam para facilitar a sua vida. Isso, claro, nos campos de trabalho e social.
“Dessa forma, nós consideramos o modelo evolutivo e conectado às novas tecnologias que têm surgido”, diz o executivo. Sobre a transformação interna, Cesco afirma que o projeto “promove uma força de trabalho com diferenciais, sendo inovadora e alinhada às nossas necessidades.”
A meta da BRF, segundo o executivo, é de que “a inovação represente 10% da receita da empresa até 2023”. Para a TI, a companhia visa, entre outros, um plano de potencialização de laboratórios e equipes, “conectado ao ecossistema de startups, atuando tanto no modelo de solução de problemas de negócio, como também na proposição de soluções”.
Para tal, a BRF destaca o aproveitamento de tecnologias como Inteligência Artificial, Blockchain, IoT, Advanced Analytics e outras que podem viabilizar a jornada digital da companhia.
“A inovação na TI da BRF é uma das nossas principais prioridades, já que está integrada a transformação dos processos e negócios”, diz Cesco. Ele exemplifica também o portal brfHub, que lida com o conceito de inovação aberta e é um dos canais de conexão com as startups.
“Com ele, podemos nos conectar aos desafios de processos ou negócios e as startups, por sua vez, podem apresentar suas propostas de solução, selecionadas posteriormente como as mais indicadas”, afirma.
Relacionando o case Indústria 4.0, Cesco diz que a empresa também pensa no potencial competitivo de inovação. “Estamos tratando de uma iniciativa muito importante para a BRF e que nos permite um diferencial competitivo de inovação, rastreabilidade e controle do processo produtivo”, finaliza.
Finalistas do prêmio As 100+ Inovadoras no Uso de TI na categoria Indústria de alimentos, bebidas e fumos:
1º BRF – Antonio Carlos Cesco, diretor Global de TI
2º Premium Foods – Marco Fain, gerente de TI
3º Embaré – Cassio Castro, gerente de TI e Inovação
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