O brasileiro Marcos Palhares enxergou em um encontro do acaso a virada de chave para retomar um antigo sonho de infância: ser astronauta. Em um voo com destino para Flórida, para assistir o lançamento de despedida dos ônibus espaciais norte-americanos, Palhares se deu conta de que, ao seu lado, estava sentado o astronauta e atual ministro de Ciência e Tecnologia Marcos Pontes. Anos antes, em 2006, quando Pontes se tornou o primeiro brasileiro a participar de uma missão espacial, Palhares já havia visto nele uma inspiração para conquistar marca semelhante. “Nem preciso dizer que eu fui alugando ele o voo inteiro”, brincou Palhares em sua palestra durante a Campus Party, feira de tecnologia, inovação e cultura maker que acontece nesta semana em São Paulo. Era questão de tempo para os dois se tornarem amigos e abrirem a primeira agência turística espacial brasileira, a Agência Marcos Pontes.
Por meio da agência, Palhares conquistou um feito importante. Trata-se do único representante brasileiro a ter autorização para vender bilhetes para a espaçonave Unity, da Virgin Galactic, do bilionário britânico Richard Branson. Turistas brasileiros que quiserem passar “férias” em um voo suborbital, poderão fazê-lo por uma quantia de US$ 250 mil. A experiência promete 10 minutos no espaço, com gravidade zero, a 100 quilômetros de altitude, na área conhecida como “borda do espaço”. Palhares, inclusive, reserva para si uma passagem. Da lista da Unity, ele é o número 462º. Caso o voo seja concluído, e se a concorrente Blue Origin de Jeff Bezos, não fizê-lo antes, Palhares pode se tornar o primeiro turista espacial brasileiro de todos os tempos.
Nascido em São Paulo e formado em Engenharia de Produção, Palhares percorreu um longo e exaustivo caminho, para não dizer perigoso, para chegar mais próximo de seu sonho. Ele estudou Astronomia, Astrofísica e até mesmo russo, como parte de sua preparação para se tornar cosmonauta. Em 2009, na Rússia, se tornou o primeiro brasileiro a atingir a estratosfera, em um voo a bordo do caça supersônico Mig-29, um dos mais potentes do mundo. Durante sua apresentação, ele exibiu alguns vídeos a bordo do supersônico. Em um deles, a força e pressão sobre o corpo são tamanhas, que Palhares chega brevemente a desmaiar.
“Para os terraplanistas de plantão, eu digo, eu vi a Terra redonda, aqui está a curvatura da terra”, descontrai. “Eu realizei um sonho, pude ver o sol puro, sem a interferência de uma camada azul e pude contemplar o universo a 65 mil pés de atitude”, lembra Palhares que diz que sua vida nunca mais foi a mesma.
Toda sua trajetória, ele detalha no livro que escreveu “O céu não é o limite”. Para os campuseiros, ele dá um recado inspiracional: “Todos que têm um propósito, encontrem uma centelha, essa faísca. Eu estou realizando meu sonho, corram atrás, porque o céu não é o limite”.
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