O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira dados detalhados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) em relação ao acesso ã internet em 2016, e dois deles chamam atenção. Quase a totalidade (92,4%) dos 116,1 milhões de habitantes do país que acessaram a rede fizeram uso de aplicativos de troca de mensagens (com exceção do e-mail) para se comunicar, o que significa que nove entre dez internautas no país já utilizavam aplicativos de mensagens. E praticamente metade das pessoas não ocupadas não usavam a rede.
Das 63,4 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade que não utilizaram a Internet, 37,8% não sabiam usar e 37,6% alegaram falta de interesse, enquanto 14,3% não acessaram por considerar o serviço caro.
O grande uso de mensageiros eletrônicos reflete um dado que o IBGE já havia divulgado em novembro de 2017, de que os celulares foram os grandes responsáveis pela expansão do acesso à internet nos domicílios brasileiros. Segundo a Pnad, em 2016 a internet estava presente em 69,3% dos lares e em 97,2% deles havia celulares sendo usados para se conectar à rede.
De acordo com a gerente da pesquisa, Maria Lucia Vieira, o e-mail era considerado a principal razão desse acesso em 2005 e hoje está mais restrito aos processos de trabalho: “esse quadro demonstra que as pessoas priorizam as formas de comunicação mais fáceis e mais rápidas, como as oferecidas pelos aplicativos de celular”, diz. “O celular foi o equipamento utilizado por 94,6% das pessoas que acessaram a rede em 2016. O acesso móvel está acima de 90% em todas as grandes regiões”, completa.
Apesar de o celular ser predominante, outras formas de acesso à rede são via microcomputador (63,7%), tablet (16,4%) e televisão (11,3%).
Já entre as motivações para acesso estão assistir a vídeos, programas, séries e filmes (76,4% ), seguido por conversar por chamada de voz ou vídeo (73,3%) e enviar ou receber e-mail (69,3%).
Aproximadamente 3/4 da população tem celular
Da população de 10 anos ou mais, 77,1% tinham celular para uso pessoal. O indicador variou de 65,1% (Norte) a 84,6% (Centro-Oeste). A proporção de homens que tinham celular para uso pessoal (75,9%) foi menor que a das mulheres (78,2%). Essa diferença foi notada nas Regiões Norte (62,3% contra 67,8%), Nordeste (65,5% contra 71,6%) e Centro-Oeste (83,6% contra 85,6%), mas quase imperceptível nas demais. Entre os usuários de celular, 78,9% acessavam a Internet por meio do aparelho.
O percentual dos usuários de celular para uso pessoal foi mais baixo no grupo etário de 10 a 13 anos (39,8%), subiu no de 14 a17 anos (70,0%) e alcançou os maiores níveis nos de 25 a 34 anos (88,6%) e de 35 a 39 anos (88,2%), passando a cair nos seguintes até atingir 60,9%, entre os idosos (60 anos ou mais).
No grupo mulheres de 10 a 13 anos de idade, o percentual das que tinham celular para uso pessoal (42,9%) foi maior que o dos homens (36,9%). Com o aumento da idade, as diferenças foram diminuindo até haver inversão de posições no grupo de 60 anos ou mais, quando o masculino (62,3%) superou o feminino (59,8%).
Entre a população de não estudantes, a parcela que tinha celular para uso pessoal alcançou 79,5%, superando a dos estudantes (68,0%). No entanto, os alunos da rede pública alcançaram patamar bem mais baixo (59,4%) que os da privada (90,3%).
O percentual de pessoas que tinham celular para uso pessoal cresceu de acordo com o nível de instrução. Esse indicador variou entre 43,6% (sem instrução) e 97,5% (superior completo).
De acordo com a situação de ocupação da população de 14 anos ou mais, os ocupados tiveram maior percentual dos que tinham celular para uso pessoal (88,9%) em relação aos não ocupados (69,1%). Entre as pessoas ocupadas que tinham celular para uso pessoal, o percentual das que tinham acesso à Internet pelo aparelho foi mais alta (83,2%) que entre as não ocupadas (71,1%).
Em relação à posição na ocupação, os trabalhadores familiares auxiliares tiveram o menor percentual de pessoas com celular para uso pessoal (64,3%), inferior ao dos trabalhadores por conta própria (83,2%), empregados (91,3%) e empregadores (96,6%).
Entre a população de 10 anos ou mais, 22,9% não tinham celular para uso pessoal. Entre os motivos para não possuir o aparelho destacaram-se: preço do equipamento (25,9%), falta de interesse (22,1%), usava o celular de outra pessoa (20,6%) e não sabia usar (19,6%). Regionalmente, o principal motivo mais indicado variou do custo do aparelho (Norte e Nordeste), usava celular de outra pessoa (Sul e Centro-Oeste) e falta de interesse (Sudeste). No Norte, 12,5% disseram que o serviço não estava disponível nos locais que costumam frequentar, que não chegou a 5% nas demais grandes regiões.
Banda larga é o principal tipo de conexão nos domicílios
Nos 48,1 milhões de domicílios com acesso à Internet, a pesquisa identificou que 77,3% utilizavam banda larga móvel e 71,4% banda larga fixa, enquanto 49,1% usavam ambos os tipos.
O que significa que banda larga, fixa ou móvel, foi utilizada por 99,6% da população de 10 anos ou mais de idade, enquanto apenas 0,9% acessaram por conexão discada. A banda larga fixa foi usada por 81,0% dessas pessoas e a móvel, por 76,9%.
Dos acessos únicos, 21,5% fizeram apenas por banda larga fixa e 17,4% somente por banda larga móvel.
O Norte teve o menor percentual de pessoas que se conectaram à Internet por banda larga fixa (63,3%), porém teve a maior proporção de acessos via banda larga móvel (85,1%). No Nordeste, a relação foi inversa: 65,1% acessaram via banda larga móvel e 81,4% via banda larga fixa.
Nas demais grandes regiões, o acesso por banda larga móvel foi de 75,6% no Sul, 80,6% no Sudeste e 82,9% no Centro-Oeste. Para a conexão via banda larga fixa, os percentuais foram os seguintes: Centro-Oeste (81,7%), Sul (81,9%), e Sudeste (82,9%).
Em 38,6% das residências, o celular foi o único equipamento usado para acessar a Internet. Em segundo, vinha o computador: ele foi o único meio de acesso em apenas 2,3% das residências com Internet, embora estivesse presente em mais da metade (57,8%) desses domicílios.
Do total de domicílios (69,3 milhões), 45,3% tinham microcomputador. Os menores percentuais foram no Norte (28,1%) e no Nordeste (29,9%), enquanto os maiores foram no Centro-Oeste (47,4%), Sudeste (54,2%) e Sul (53,5%).
Quanto à presença de tablet, este equipamento existia em 15,1% dos domicílios, com o maior percentual no Sudeste (18,2%), e o menor no Norte (9,3%).
Nos domicílios em que não havia utilização da Internet, os motivos alegados para não a usar foram: falta de interesse (34,8%), serviço de acesso caro (29,6%) e nenhum morador saber usar (20,7%), serviço de acesso não disponível na área (8,1%), equipamento necessário caro (3,5%) e outro motivo (3,3%).
Uso é maior entre os mais jovens
A utilização da Internet foi crescente com o aumento da idade, alcançando o máximo entre as pessoas de 18 a 24 anos de idade, passando a declinar nas seguintes. O percentual de pessoas de 10 a 24 anos que utilizaram a Internet foi: 66,3% no grupo etário de 10 a 13 anos, 82,5%, no de 14 a 17 anos, 85,4%, no de 18 ou 19 anos, de 85,2%, no de 20 a 24 anos. Entre os idosos (60 anos ou mais), apenas 24,7% acessaram. Esse comportamento foi observado tanto nos indicadores dos homens como das mulheres, sendo que a parcela feminina superou a masculina em todas as faixas etárias, exceto entre os idosos.
No contingente masculino, a parcela que utilizou a Internet representou 63,8% e, no feminino, 65,5%. Não houve diferença significativa neste indicador dos homens e mulheres no Sul e Sudeste e, nas demais grandes regiões, o das mulheres superou o de homens.
Um quarto dos estudantes da rede pública não acessavam
Dos 37,2 milhões de estudantes com 10 anos ou mais, 81,2% utilizaram a Internet. Esse resultado cai para 60,4% entre aqueles que não eram estudantes. Na rede pública, 75,0% dos estudantes acessaram a Internet, em contraste com 97,4% dos alunos da rede privada.
A utilização da Internet aumentou de acordo com o nível de instrução das pessoas com 10 anos ou mais, alcançando o máximo no superior incompleto: sem instrução (11,2%), fundamental incompleto (43,6%), superior incompleto (97,1%) e superior completo (95,7%).
Praticamente metade das pessoas não ocupadas também não usa a rede
Entre as pessoas de 14 anos ou mais ocupadas, 75% utilizaram a Internet, enquanto pouco mais da metade (52,4%) das não ocupadas acessaram. Dos 10 grupamentos ocupacionais, a Internet é mais usada no dos profissionais das ciências e intelectuais (97,4%), membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares (96,8%), trabalhadores de apoio administrativo (94,9%), técnicos e profissionais de nível médio (94,3%) e diretores e gerentes (93,3%). Os trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca (27,0%) são os que menos acessam.
Na comparação por grupamentos das 11 atividades, o acesso à Internet foi mais elevado nos da informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (92,0%), da educação, saúde humana e serviços sociais (91,2%), da administração pública, defesa e seguridade social (88,3%) e de outros serviços (87,6%). Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (28,3%) foi o grupamento de atividade com menos uso da Internet.
Nas categorias de posição na ocupação, os empregadores (87,8%) são os que mais utilizaram a Internet, seguidos pelos empregados (80,1%), conta própria (60,7%) e trabalhadores familiares auxiliares (47,9%). Em todas as grandes regiões houve esse comportamento, com exceção da Norte, onde o percentual dos empregados (72,9%) ficou praticamente igual ao dos empregadores (73,1%).
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