Neves considerou a desistência da companhia de “decisão difícil”, mas inevitável diante das possibilidades. É que, apesar de a Telecom Italia (acionista da empresa com direito a veto)ter autorizado a participação da operadora no SMP, deixou claro que a responsabilizaria por eventuais prejuízos caso a operadora vencesse a licitação. “Estaríamos expondo tanto a BrT quanto seus demais acionistas a riscos muito altos”, admitiu o executivo.
Para que a Brasil Telecom atuasse nas bandas D ou E era preciso que seus acionistas se desincompatibilizassem das operações em áreas consideradas conflitantes. “O Opportunity se comprometeu a se retirar, no prazo de seis meses, da participação na Telet e Americel, no caso de ganharmos. Já a Telecom Italia declarou que não via conflito de interesses”, contou.
Neves comentou que as condições de participação da Brasil Telecom no leilão do SMP estavam sendo avaliadas por um comitê, formado por uma equipe interna, junto com o trabalho da assessoria financeira UBS e as consultorias Spectrum e Yankee Group.
Em tom irônico, Neves se mostrou surpreso pelo fato de a Telecom Italia ter vencido o leilão da banda D, na região II – área onde supostamente a Br Telecom participaria – com ágio de apenas 0,56%. Ao pagar pouco mais do que o preço mínimo estipulado pela Anatel para a região II (R$ 540 milhões), é de se imaginar que a Telecom Italia ja previsse a desistência da operadora. “Essa, sem dúvida, é uma relação a ser considerada”, reforçou.
Neves disse, ainda, que toda a situação está sendo analisada pelo departamento jurídico da Br Telecom. Especula-se que ainda haja pesados capítulos da novela sobre a tumultuada relação entre a operadora e a Telecom Italia. Uma das possibilidades levantadas é que os demais acionistas da operadora possam entrar com algum tipo de recursos contra as restrições que impossibilitaram a participação da BrT.
A Solpart, controladora da holding Brasil Telecom, com 51,8% do capital votante da companhia, tem a seguinte divisão acionária: Timepart (51%), grupo formado por fundos de investimento geridos pelo Opportunity; Stet, com 38,0%, controlada pela Telecom Italia; e Techold, com 11,0%, grupo formado por fundos de pensão brasileiros ( Sistel, Telos, Funcef, Petros e Previ – outros) e Opportunity.
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