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Blockchain no Metrô? Para você ver….

Os primeiros estudos da aplicação de internet e
colaboração em obras do Metrô começaram com a discussão sobre quantos
impulsos os modems discados de 14 kbps consumiam, pensando em fotos e
não filmagens, e utilizando o navegador Netscape, época que remonta o
começo dos anos 2000.

Todo esse estudo e
aprendizado, feito de uma maneira aberta e participativa com os
fornecedores, levou a uma utilização muito intensa e pioneira na
construção da estação Chácara Klabin e toda a sequência da Linha
2-Verde, bem como a utilização pelo Consórcio Via Amarela na Linha
4-Amarela.

A onda da colaboração e da internet
como ferramenta de apoio ao processo de engenharia entrou de forma
natural dentro da cadeia metroviária: projetistas, gerenciadoras,
empreiteiras, Metrô e até mesmo os fornecedores aprenderam e
desenvolveram aportando conhecimento, descobrindo aplicações, errando e
evoluindo. Dos aspectos práticos, passando pelas questões de
planejamento, assim como os pensamentos estratégicos e os detalhes
legais, tudo foi sendo revisado e, de certa forma, impactado com a
chegada da tecnologia.

Como era de se esperar, a
Linha 5-Lilás também utilizou colaboração e, embora muito mais recente
que as demais Linhas, também foi pioneira e se destacou, pois utilizou a
tecnologia de colaboração de maneira inovadora e distinta das demais. O
foco foi na supervisão e gerenciamento da obra, com o desenvolvimento
de formulários específicos que foram de registro de não conformidades ao
controle de correspondências contratuais, todos associados a fluxos de
trabalho (workflow) personalizados. Cada “ocorrência” registrada em um
formulário tinha seu processo gerido de forma automática e seu histórico
registrado em uma espécie de fórum de discussão, sendo tudo base para
relatórios e gráficos apresentados de forma online.

Esse
tipo de utilização de colaboração pela Linha 5-Lilás será influenciada
pela próxima grande onda que acontecerá no mundo da tecnologia: o
blockchain, que é uma espécie de livro razão digital, uma maneira de
registrar transações de forma que se garanta a sua integridade. É a
tecnologia que foi desenvolvida para dar base ao Bitcoin. O que o mundo
percebeu é que esta tecnologia tem um potencial de impacto muito maior
do que a razão da sua criação. Ela poderá eliminar o elemento que
chancela as transações. O mundo está chamando o blockchain da rede de
confiança ou internet de rede de informações.

Diários
de obras, medições, contratos, comunicados, inspeções e qualquer outro
tipo de registro e transação realizada pelas ferramentas de colaboração
deixarão de ser registradas em banco de dados tradicionais e passarão a
ser registradas em blockchains, permitindo uma transparência sem perder a
privacidade, uma auditoria e inviolabilidade total. Esta será a próxima
onda, e será inevitável.


(*) Marcus Granadeiro é presidente da Construtivo, empresa de tecnologia com DNA de engenharia

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