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Bitcoins no espaço!

Richard Branson, o visionário britânico por trás da Virgin Galactic, anunciou que já começou a processar pagamentos em Bitcoin de futuros turistas espaciais (uma mulher no Havaí já reservou seu bilhete, diz a empresa). Acontece, porém, que Branson não é o único entusiasta da moeda virtual a mirar o espaço. Jeff Garzik, um dos desenvolvedores do núcleo de software da Bitcoin –  e novo reforço da equipe de desenvolvedores de BitPay (um aplicativo de pagamento virtual) – , trabalhou em silêncio em um projeto paralelo que busca viabilizar o pagamento em Bitcoin via satélite.

Em uma coletiva da Bitcoin no ano passado em Londres, Garzik insinuou suas intenções, onde brevemente mencionou que estava trabalhando no lançamento de um satélite pago em bitcoins. No final do ano passado, anunciou o plano completo: de acordo com Garzik, a tecnologia vai transmitir repetidamente o bloco mais recente da cadeia de dados da Bitcoin – o último registro das transações processadas por sua rede.

Na sequência, a cadeia de blocos interpretará toda a rede de contabilidade operacional da Bitcoin. E será tarefa dos usuários – qualquer participante da rede – validar os cálculos contidos nos blocos e enviar pedidos de novas operações para a rede peer-to-peer, em serviço da qual estão de 2000 a 5000 máquinas rodando o software de referência da Bitcoin.

“Sem a rede peer-to-peer para pagamentos, a Bitcoin não funcionaria”, explica Garzik. Um ataque coordenado às ligações peer-to-peer implicaria na paralisação de todos os pagamentos da rede; é esta ameaça para a qual deseja chamar atenção.

“A utilização da rede de pagamento não é um requisito técnico da Bitcoin. Se outro mecanismo para a distribuição de dados existisse – seja por satélite ou por outro dispositivo de armazenamento via correio -, a Bitcoin poderia continuar a sobreviver “, diz Garzik.

Os satélites têm as suas próprias vulnerabilidades. É possível, por exemplo, corrompê-los com uma manobra semelhante a um ataque de negação de serviço, chamada de dupla iluminação, que obstrui o satélite com sinais de frequências sobrepostas. Se a interferência é forte o suficiente, pode-se efetivamente reduzir as transmissões geradas.

Mas Garzik não está à procura de uma solução única e infalível. Como ele descreve, este é mais um movimento para diversificar. “A intenção é encontrar meios variados para distribuir o conjunto de dados da cadeia de blocos”, afirma. “Precisamos de toda a capacidade de resistência que possamos reunir. A distribuição por satélite de dados públicos de cadeia de blocos contribuiria para o aumento de proteção, permitindo, possivelmente, o seu uso em áreas onde a conectividade com a internet não está disponível ou irregular”.

“Para a primeira fase do projeto, Garzik está estudando os CubeSats, satélites em miniatura que pesam cerca de apenas um quilo. O cenário mais provável seria aproveitar carona em um foguete como carga secundária. Lockheed Martin, por exemplo, está trabalhando em um programa que, até 2015, ofereceria cotas de envio em CubeSats através de seus serviços de lançamento Athena.

Se optar por esse caminho, Garzik não será capaz de controlar com precisão qual trajetória orbital o CubeSat percorreria. “Ter uma rede de estações terrestres é fundamental para calcular a multiplicidade de órbitas possíveis”, diz ele. Essas estações serão, então, responsáveis pela transmissão de atualizações de cadeia de blocos para o satélite.

Garzik estima que os custos de construção e lançamento serão de cerca de US$ 2 milhões e afirma que, se necessário, será capaz de financiar a primeira fase do projeto por conta própria, com bitcoins. Ele, porém, espera receber ajuda. No fim do ano passado, ele montou um site da Bitcoin para doações, por meio do qual já recebeu 25 bitcoins (mais de US$ 20 mil), de um grupo chamado BitcoinGrant.org.

Embora Garzik não tenha oferecido uma explicação definitiva sobre como esse dinheiro será gasto, o estatuto público da rede Bitcoin permitirá aos doadores acompanhar o destino de seu dinheiro. “Meu projeto ‘Bitcoins no espaço’ tem um endereço de doação pública rastreável”, diz Garzik. “Se outros parceiros espaciais aceitarem a Bitcoin, seremos capazes de divulgar e acompanhar as compras também.”

Se o primeiro lançamento for um sucesso, Garzik pretende acompanhar mais satélites. “A curto prazo, a quantidade de pessoas interessadas na comunidade Bitcoin é suficiente para que o financiamento da Fase 1 esteja totalmente garantido”, diz ele. “Com base nos mesmos fatores e no interesse manifestado, parece provável que pelo menos um satélite de demonstração possa ser financiado e lançado em um prazo de três a cinco anos. Futuras manifestações de interesse e financiamento dirão o quanto a rede pode crescer. Na pior das hipóteses, os ouvintes podem ter que esperar algumas horas para sintonizar e receber a sua transmissão em cadeia do bloco, ao invés de aproveitá-la em tempo real, como uma aglomeração de satélites de maior dimensão poderia proporcionar. “

*Morgen E. Peck é jornalista colaborador da revista IEEE Spectrum

 

 

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