Depois das duas provas de conceito realizadas em 2017, o grupo de trabalho de Blockchain da Febraban criado em 2016, hoje com 18 instituições financeiras participantes, lançou durante o CIAB 2018 o protótipo de uma rede Blockchain permissionada capaz de suportar diferentes pilotos usando a tecnologia.
Criado a partir da plataforma Hyperledger Fabric, hoje já com um modelo de negócio maduro quando comparado com outros sabores Blockchain tecnicamente viáveis, como o Corda, o protótipo compartilha informações de segurança sobre dispositivos móveis (celulares e tablets) usados pelos clientes para atestar a sua confiabilidade. O hash Blockchain ajuda os sistemas antifraude de cada instituição bancária a determinar se um dispositivo específico está apto a realizar transações ou se deve se deve ser impedido por ser um dispositivo perdido, furtado ou roubado.
“Essa é uma arquitetura evolutiva. A intenção é propagar rapidamente pela rede se um dispositivo está Ok ou se teve algum problema de segurança”, comenta Adilson Fernandes da Conceição, coordenador do grupo de trabalho, lembrando que o protótipo ainda está em fase de validação pelas instituições participantes. Aida será validado e deve evoluir para um ou mais projetos piloto.
A governança dessa rede permissionada é um dos aspectos mais inovadores do protótipo. Várias organizações financeiras estão trabalhando em conjunto para definir, por exemplo, quais informações únicas de cada dispositivo serão usadas para identificação inequívoca de cada um. E em como essas informações serão consensuadas na rede.
“Estamos desenvolvendo o modelo de governança porque não encontramos nenhum consórcio ou banco, em todo o mundo, que esteja debruçado sobre esse tema ainda”, diz Adilson.
A arquitetura desenvolvida tenta resolver algumas questões do Blockchain, como escalabilidade. As aplicações desenvolvidas não acessam o Blockchain diretamente, mas uma camada de APIs de serviços totalmente agnóstica que, por sua vez, passa por um processo de tokeninzação. “Se nós não tivéssemos essa preocupação fortíssima com arquitetura, a escalabilidade da solução estaria limitada e o custo seria alto lá na frente”, comenta Adilson.
A partir da captura das informações imutáveis de identificação do dispositivo, elas são tokenizadas e o hash é gerado e compartilhado na rede. “Ao abrir uma conta através de um dispositivo móvel, o dispositivo é registrado no Blockchain e passa a ser encarado pelas demais instituições participantes como um dispositivo sadio, passível de tracking na rede”, explica Adilson.
“Acredito que esse protótipo tem tudo para virar a primeira aplicação prática de Blockchain entre os bancos brasileiros”, afirma Gustavo Fosse, diretor setorial de Tecnologia e Automação Bancária da Febraban e diretor de Tecnologia do Banco do Brasil.
Instituições financeiras falam em uso do protótipo para validação de transações em mobile commerce, por exemplo. E até em combinação de soluções Blockchain como o protótipo de identificação de dispositivos e a prova de conceito já realizada com o cadastro bancários, denominada projeto DNA. Na opinião de Adilson, no entanto, embora viável tecnologicamente, ele ainda não iria por esse caminho da combinação, ou interoperabilidade de soluções Blockchain, porque ainda há muito a fazer para tornar as duas soluções comercialmente viáveis.
“No grupo trabalhamos em iniciativas que podem ser usadas a adotadas
pelo setor bancário em conjunto, entretanto, os bancos também trabalham
em várias frentes individualmente e segurem suas próprias estratégias”,
diz Adilson.
“Dizem que um banco no Japão já está usando uma dessas plataformas abertas de Blockchain em uma solução capaz de suportar 3 milhões de transações por segundo. Para o Blockchain é muito. Para um banco, é pouco. Então acredito no Blockchain usado inicialmente em modelos com um volume menor de acessos, como o compartilhamento de cadastros validados por qualquer uma das instituições bancárias participantes. o grupo tem pelo uns um 10 bancos envolvidos”, afirma Fosse, que acredita que esse protótipo vai abrir muitas possibilidades de uso.
“O que eu não acredito é no Blockchain substituindo tecnologias já maduras, em funcionamento hoje. Ah.. vamos substituir o SPB por Blockchain… Para quê? Não temos nem orçamento nem tempo para gastar com isso. Tem tantas outras possibilidades de uso do Blockchain… coisas novas, que agreguem valor”, diz Fosse.
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