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Bancos brasileiros encaram a inovação disruptiva

O mercado passa por um momento único. Diversas tecnologias amadurecem, convergem e impõem novos paradigmas aos CIOs. A invasão da mobilidade, dispositivos pessoais cada vez mais presentes no universo corporativo, atualização de legados e um mundo de inovações instantâneas são apenas alguns tópicos que figuram nas rotinas a serem pensadas pelos gestores de TI das instituições financeiras. Pelo outro lado, o do negócio, vem a missão de potencializar isso de forma rentável para atender um mercado emergente.

A manifestação do vice-presidente de tecnologia do Itaú Unibanco dá uma dimensão da complexidade que se desenha no ambiente tecnológico dos dias atuais. Durante mesa redonda com CIOs em um evento pré-Ciab (Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação), o executivo deixou latente a necessidade dos bancos em atender o mercado através de multicanais, por exemplo. “Quem não está em mobile, está perdendo espaço”, ilustra.

Tal exigência seria algo simples se não esbarrasse em questões críticas do mercado financeiro como um enorme parque legado de sistemas e aplicações, um contexto de infraestrutura complexo e o alto nível de regulamentação imposto ao setor. “É preciso repensar a TI nas instituições financeiras”, sintetiza Claudio Prado, CIO do Santander. Na visão do executivo, os departamentos de tecnologia, hoje, cumprem bem a função de manter o banco funcionando. Contudo, duas grandes pressões que vem do mercado se fazem visíveis: “servir os funcionários e servir os clientes [finais]”, pontua.

O discurso mostra que a questão não reside apenas em agregar novas camadas tecnológicas, mas compreender como ser mais efetivo e estratégico dentro de um mundo que muda drasticamente, impõe facilidades de um lado e ergue barreiras de outro, dia após dia. “O que buscamos é uma arquitetura de suporte e filtrar o que é buzz word do que é realmente válido”, diz Prado, sinalizando a importância de fortalecer aspectos de governança na área para que as engrenagens desse motor mantenham-se alinhadas. Isso, ainda, precisaria vir de uma forma a não engessar as possibilidades de prover soluções dentro de um contexto onde agilidade é fundamental.

Maurício Minas, diretor-executivo do Bradesco, reforça a importância de enxergar a usabilidade desejada pelos clientes, mas traz à baila um ponto para reflexão. “Mobilidade representa menos de 1% nas transações do banco”. A observação soa interessante se pensarmos no bombardeio de propaganda e mensagens colocando o conceito no discurso das instituições bancárias brasileiras. O executivo balanceia tal paradoxo apontando que esse se trata do modelo cujo crescimento de representatividade dá-se de forma mais acentuada.

“Bancos são inovadores de um lado, mas não existe atividade mais conservadora do que o mercado financeiro”, pontua o executivo. Se o momento for, realmente, de convergência e ruptura tecnológica, Bradesco, Itaú, HSBC, Santander e todos outros, encontram-se em uma encruzilhada criativa interessante que conduzirá a um futuro bastante interessante no universo de TI.

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