Bancos ainda não estão preparados para atender PMEs

Em 2021, o aumento de transações não monetárias foi de 17% e a expectativa é que, até 2026, esse número salte para 24%. Este fator, somado ao montante correspondente as PMEs e o nível de satisfação deste consumidor com as instituições tradicionais têm constituído o que pode ser chamado de uma “tempestade perfeita” para as Paytechs.

O estudo World Payments Report 2022, realizado pela Capgemini, feito com 45 PMEs nas Américas (não há respondentes no Brasil) e 150 no mundo, demonstrou que na América Latina (Brasil, Peru e Colômbia), a adoção bem-sucedida de um sistema de pagamento instantâneo, como o PIX no Brasil, é o principal fator de crescimento de novas formas de pagamento.

“Após a crise causada pela pandemia de Covid e todos os desafios impostos pelas atuais circunstâncias da economia global, as PMEs têm enfrentado dificuldade para lidar com fluxo de caixa e liquidez. Essa nova conjuntura demanda por soluções específicas, inovadoras e personalizadas voltadas para este público. E os grandes bancos tradicionais não estão conseguindo atendê-los por seus imensos sistemas legados e por suas atenções estarem muitas vezes voltadas para as grandes contas de varejo. O que tem se mostrado uma oportunidade de mercado para as Paytechs”, explica David Cortada, vice-presidente do Centro de Excelência para Serviços Financeiros da Capgemini.

Além disso, os usuários globais de pagamento por código QR podem atingir 2,2 bilhões de transações (volume) em 2025, acima dos 1,5 bilhão em 2020, o que sugere que quase 29% de todos os usuários de telefones celulares em todo o mundo usarão pagamentos por código QR até 2025.

O volume de pagamentos instantâneos está a caminho de um CAGR (2021-2025) de aproximadamente 29%, atingindo 428 bilhões. As transações de eMoney testemunharão um crescimento de cerca 27% durante 2021-2026, atingindo até 161 bilhões de transações (volume). Até 2025, espera-se que os usuários únicos de carteiras digitais em todo o mundo aumentem cerca de 1,5 vezes para atingir 4,4 bilhões da população (mais da metade da população global).

O World Payments Report explora ainda como a padronização e a transformação centrada em dados pode oferecer novas soluções em pagamentos (instantâneos, moeda digital, carteiras móveis e digitais, peer to peer, QR codes, por exemplo).

De acordo com David, o Brasil está em uma posição de liderança na evolução dos meios de pagamentos e essas novas tecnologias. “Já são feitos projetos piloto tanto em bancos privados quanto no Banco Central para que isso vire uma realidade em 2023. O presidente do BC chegou a dizer que ele tem o desejo de ter o real digital já em teste a partir do próximo ano. Os projetos de pagamentos estão já em andamento. Os pilotos estão em andamentos e têm previsão de entrega em fevereiro do próximo ano.”

Por outro lado, complementa Daniela Dutra, líder de soluções para bancos da Capgemini Brasil, em relação às PMEs, os bancos deixam a desejar na oferta de produtos específicos. Esse gap existe por uma necessidade de investimento para as grandes empresas e para o varejo. Dessa forma, as PMEs ficam encurraladas e poderiam ser mais bem atendidas.

“Os bancos incumbentes encontram pela frente o desafio de integrar os sistemas de pagamento atuais com o core de negócios e, ao mesmo tempo, atender os requisitos regulatórios. Em contrapartida, vivemos um momento de constante transformação, com muita inovação e plataforma integradas, que possibilitam oferecer serviços financeiros personalizados e agregar valor à sua oferta ao incluir neste pacote serviços não financeiros que as PMEs necessitam, como programas de gestão de fornecedores e folha de pagamento. Essa é a oportunidade de aprofundar relações e de novos negócios, no qual as Paytechs ganham mais espaço”, diz Daniela.

Entre os problemas enfrentados pelas PMEs globalmente, na visão dos executivos do banco, estão 89% elevadas ameaças/fraudes cibernéticas; 77% integração deficiente com novos esquemas de pagamento; 72% falta de recursos de análise de dados; 63% falta de automação.

Ao serem perguntados o que esperam dos bancos, 70% das PMEs dizem que gostariam que seus bancos fornecessem recursos flexíveis e aprimorados de gerenciamento de capital de giro; 61% das PMEs querem alavancar serviços financeiros integrados; 61% das PMEs podem reconsiderar seu relacionamento se os bancos não fornecerem recursos operacionais automatizados de ponta a ponta e em tempo real; e 46% estão reconsiderando as ferramentas/serviços de relatórios fornecidos pelos bancos.

Ainda assim, 77% dos executivos bancários acreditam que os dados disponíveis para eles não são confiáveis e difíceis de processar para obter insights e 70% dos executivos bancários disseram que não têm as ferramentas certas e a capacidade de gerenciar dados não estruturados.

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