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Até quando vamos pagar mais para enviar dinheiro ao exterior?

Não importa se a pessoa é da geração X, Y, Z, Millennials ou qualquer outra definição. Todos os que estão vivos pertencem agora aos anos 2020. E se é assim, é preciso viver de acordo com as condições atuais. Na vida financeira essa década que se inicia coloca à disposição muitas oportunidades diferentes e incomparavelmente melhores do que as que existiam na virada para a década de 2010, por exemplo. Apesar disso, muitos ainda resistem ao aproveitamento desta evolução.

Fintechs e bancos digitais acenam com a possibilidade de isenção de taxas. Enquanto isso, os grandes bancos continuam estampando manchetes de jornais com seus balanços repletos de números originados exatamente pelas taxas. Plataformas de investimentos modernas, dotadas de inteligência artificial e poderosos algoritmos colocam nas mãos dos usuários as mais variadas opções de aplicações infinitamente mais rentáveis do que a renda fixa, mas a campeã da preferência nacional ainda é a inabalável poupança.

No que se refere ao envio de dinheiro para o exterior o fenômeno se repete. Enquanto as startups financeiras dos mais variados modelos avançam na inovação trazendo serviços de remessas de dinheiro para o exterior online com maior rapidez e preços menores, a escolha continua recaindo sobre as instituições financeiras tradicionais, com seus custos bem mais elevados.

Segundo dados do Banco Central, em 2018, cerca de US$ 2 bilhões foram transacionados considerando operações de pessoas físicas para pessoas físicas do Brasil para o exterior. Grande parte destas transações ocorreu de forma tradicional, via bancos.

Só para exemplificar, os bancos costumam adotar o código “Swift” para efetuar as transações interbancárias, o que no final das contas acarreta um acréscimo no custo desta operação. Ocorre que a aplicação deste código não é uma exigência legal dos órgãos reguladores. Ela é apenas um sistema adotado com o objetivo de padronizar a forma como as transações são realizadas e assim facilitar a identificação deste tipo de movimentação ao redor do mundo.

Usando tecnologias como blockchain e redes próprias, as fintechs têm conseguido eliminar o valor cobrado pelo “Swift” e só com esta atitude, já conseguem ofertar um custo bem inferior aos seus clientes.

Mas, a forma mais rápida e que envolve os menores custos para essa movimentação é por intermédio de criptocontas. Elas possibilitam a compra e venda de criptomoedas em qualquer lugar do mundo. Tudo com a segurança garantida pela tecnologia blockchain do Ethereum, por exemplo, que permite registrar as transações entre as partes rapidamente de forma verificável e permanente.

O registro, seja de PF ou PJ, pode ser feito em qualquer país com documentos locais. Ao fazer a TED de seu banco em moeda local, o usuário deste serviço fica apto a adquirir criptomoedas como as stablecoins, consideradas mais protegidas das flutuações deste ativo financeiro.

Neste caso, a primeira operação é a única que tem custos, que variam de 3% a 4% do valor da aquisição. Com as criptomoedas, o usuário pode fazer transferência para qualquer outra pessoa desde que ela também esteja cadastrada na mesma plataforma, sem qualquer custo adicional, independentemente do número de transações.

As criptomoedas atreladas ao dólar, por exemplo, também funcionam como proteção à oscilação da moeda americana. O acirramento do conflito entre EUA e Irã levou a moeda a alcançar R$ 4,26 tornando a tarefa de viajar para o exterior e pagar contas com a moeda americana mais custosa para uma transação que compare moedas de valores diferentes. E isso não é restrito aos turistas, mas se aplica também a quem precisam enviar dinheiro para fora do país.

Se o início do ano é sempre um período de reflexão, que sejam buscadas respostas que expliquem por que o relacionamento do brasileiro com as finanças não está de acordo com as oportunidades oferecidas pela época atual?  Neste sentido, uma das perguntas que não quer calar é:  até quando se vai pagar mais do que o necessário para enviar dinheiro ao exterior?

*Por Osman Velazquez, Co-CEO & CFO da GoMoney, empresa criadora do GMC, primeira stablecoin brasileira atrelada à cotação do dólar

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