Final de ano, tempo de retrospectivas e colunas sobre o que comprar no Natal. Em matéria de retrospectivas, a coluna anterior foi um prato cheio. Cheio até demais: afinal, recuar quarenta anos para comemorar o aniversário do primeiro processador é retrospectiva para ninguém botar defeito. Então vamos recuar menos desta vez. Falemos ainda no pretérito, porém indo menos distante no tempo. E vamos usar como base os dados fornecidos pela Intel sobre computadores pessoais em seu Editor?s Day 2011 ocorrido há um par de semanas.
O Intel Editor?s Day é um evento levado a termo pela Intel exclusivamente para a imprensa especializada. Segundo ela, “é um evento anual que reúne os principais editores e repórteres das áreas de tecnologia, telecomunicações, consumo, educação e negócios com o objetivo de estreitar o relacionamento da companhia com a imprensa e discutir estratégias e tendências“. E este humilde colunista teve a honra de ser convidado mais uma vez.
O Editor?s Day realiza-se anualmente já há treze anos e tornou-se um importante marco do calendário de eventos da imprensa especializada em tecnologia (a Figura 1 mostra Fernando Martins, Presidente e Diretor Geral da Intel do Brasil, e este que vos escreve, na sessão de perguntas da palestra de abertura do Editor?s Day 2011 em foto do craque Mário Nagano).
A edição deste ano foi realizada na Praia do Forte, Bahia, no final de semana de 19 e 20/11. O tema deste ano foi “Brasil: terceiro maior mercado de PCs do mundo” e discutiu temas como inovação tecnológica, sistemas embarcados, ética (ou falta dela) nas redes sociais e o mercado de PCs no Brasil e América Latina.
Esta coluna aborda um dos assuntos discutidos no evento.
Pois vamos a ele.
O mercado do PC
Vejamos o que diz a Intel:
E aqui meus comentários:
Eu não sei exatamente o que vem a ser um “desejo eletrônico”, mas não me surpreende o fato de que nestes últimos três anos os americanos adultos tenham sonhado com um novo computador portátil. Porém gostaria de saber quantos destes já têm um tablete. Porque, no meu entender, o grande embate de 2010 ocorrerá entre os tabletes e os computadores portáteis de pequeno fator de forma, sejam eles “notebooks“, sejam “netbooks“. E mais: não sou muito bom neste negócio de previsões, e citando o grande filósofo americano “Yogi” Berra (uma espécie de Dadá Maravilha lá deles), sou pior ainda quando elas se referem ao futuro. Porém sou capaz de apostar que os “netbooks” tenderão a desaparecer, “engolidos” pelos tabletes, enquanto os “notebooks” deverão sobreviver. E sua sobrevida será proporcional ao tamanho de sua tela e seu poder de processamento. Ou seja: quanto maior sua tela e mais poderoso o “notebook“, maior será sua probabilidade de se manter no mercado (provavelmente substituindo um micro de mesa, ou “desktop“). E quanto menores e menos poderosos os “netbooks“, menos chances terão de sobreviver (provavelmente substituídos por um tablete ou um telefone esperto destes mais “parrudos”, exceto se destinados a um nicho específico de mercado como os Classmate PCs da Intel, concebidos para o mercado educacional e com diversas características que os diferenciam da massa de “netbooks” comerciais).
E mais: gostaria muito de saber quantos daquele milhão de PCs vendidos diariamente são micros de mesa e quantos são portáteis. Porque pelo andor da carruagem, os portáteis irão substituir os micros de mesa que tenderão a se restringir a um nicho de mercado formado por viciados em jogos, malucos que gostam de trabalhar com dois ou três monitores (como este que vos escreve) e uma ou outra tribo de hábitos, digamos, peculiares.
Então, o negócio ficará mais ou menos assim: quem gosta de tela pequena, fica com seu tablete. Quem gosta de tela grande, com seu portátil. E quem tem hábitos peculiares, fica com seu micro de mesa (atenção: cuidado aí com o que você inclui entre os “hábitos peculiares”; faço parte da categoria devido à minha estranha mania de estender minha Área de Trabalho aos três monitores de 24″ que uso conectados ao meu computador de mesa e quero deixar claro que as tais peculiaridades de hábitos acima citadas se restringem ao terreno da informática).
Resumindo: o resultado disto é que os tabletes dominarão o mercado, os portáteis ficarão cada vez maiores (me refiro ao tamanho da tela e à capacidade de processamento; quanto ao peso e espessura, estes diminuirão consideravelmente) e os micros de mesa sobrarão para os escritórios e as poucas escrivaninhas domésticas de quem sabe apreciar uma boa máquina.
Quanto ao derradeiro parágrafo da citação da Intel, é óbvio que ela puxa a brasa para a própria sardinha, se é que me entendem (e aquela frase onde se lê “permanecem na faixa de baixo do duplo dígito com base no início da força de venda que testemunhamos no começo de 2011″ é uma forma um tanto gongórica de dizer “ficam pouco acima dos 10% como indicam as vendas recentes”). Mas também é inegável que o que ela chama de “segunda geração… do Intel Core” constitui uma soberba linha de processadores e embora a AMD tenha dado um razoável salto adiante com sua arquitetura Fusion, tudo indica que com os novos chips a Intel voltou à liderança tecnológica na liça dos processadores.
Crescimento do mercado de PCs e do desempenho do processador
De novo, primeiro o que diz a Intel:
Agora, meus comentários:
De novo, a empresa privilegia seus produtos (mas note que isto definitivamente nada tem de errado; afinal, trata-se de material distribuído em um evento ? por sinal excelente ? organizado pela empresa para divulgar suas realizações para um grupo selecionado de editores, jornalistas e colunistas da imprensa especializada e o objetivo era este mesmo: mostrar as qualidades de seus produtos).
Por exemplo: a extraordinária rapidez com que se dá a conversão de vídeos deve-se a uma característica específica da chamada “arquitetura SandyBridge” (veja, na foto tomada durante o Editor?s Day 2011, um “wafer” de fabricação de núcleos SandyBridge nas mãos deste vosso criado e do engenheiro de aplicações da Intel Antonio Rivera), um aperfeiçoamento da arquitetura “Nehalem” que incorpora em cada processador um núcleo especializado no processamento vetorial ? na verdade um coprocessador gráfico que opera na mesma frequência dos demais núcleos do processador e usa registradores internos de 256 bits ? cujo desempenho na tarefa específica de conversão de formatos gráficos é quase inacreditável.
Por outro lado isto não significa que nas demais tarefas de processamento rotineiro (grande parte delas efetuadas pelos demais núcleos, estes especializados no processamento escalar) a diferença do desempenho em relação aos chips da AMD seja igualmente exorbitante. Mas também não quer dizer que a Intel comete qualquer exagero a seu favor: de fato, no que toca à conversão de formatos de vídeo, o desempenho da chamada “segunda geração Core” (sobre a qual falaremos breve) é realmente espantoso e “dá banho” na concorrência. Já no processamento rotineiro, os chips da Intel podem até ser melhores, mas seguramente a diferença não é tão abissal.
Olhando para frente
Novamente, o documento da Intel:
Bem, tudo isto que aí está serve apenas para chamar a atenção ? e louvar as qualidades ? de um fator de forma específico lançado recentemente pela Intel, patenteado e batizado de “Ultrabook”. Um exemplar, o modelo UX21E do fabricante ASUS, é mostrado na Figura 4 (montagem a partir de material fornecido pela Intel).
Não sei se de fato, como afirma a Intel, isto representa “a tendência para o futuro”. Mas estou certo que representa uma das tendências. E uma tendência forte.
Pelo que pude perceber ? inclusive de alguns modelos que ainda não foram lançados no mercado mas aos quais tive acesso durante o evento e pude manusear ? o Ultrabook representa uma excelente solução de compromisso entre o poder de processamento de um micro portátil tipo “notebook” (que, afinal, é justamente o que ele é) e a leveza e facilidade de transporte de um tablete, sem perder a mobilidade e a facilidade de acesso à Internet.
Cada fabricante, naturalmente, adicionará características próprias a seus modelos. Mas para ser classificado como Ultrabook o micro precisa satisfazer algumas condições básicas como armazenamento de massa em estado sólido (discos SSD), espessura inferior a 2 cm, peso menor que 1,4 kg, interface sensível ao toque, alto nível de conectividade e, sobretudo, ser equipado com um processador SandyBridge (ou IvyBridge, a próxima geração Intel).
Em suma: pode ser que o Ultrabook não seja, como garante a Intel, “a forma das coisas por vir”. Mas que parece ser um “notebook” extraordinário e que tem tudo para se converter em objeto do desejo, lá isto é verdade…
B.Piropo
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