Um aviso à margem do tema: a coluna anterior versou sobre o Office 365, ainda não lançado no Brasil. Enquanto alguns leitores postavam seus comentários, tomei conhecimento que o lançamento oficial será efetuado na próxima terça-feira, dia 8 de novembro de 2011. Como pretendo acompanhar o lançamento, a coluna seguinte voltará ao assunto. Portanto, os que estiverem interessados nas características do novo produto/serviço (uma das formas de comercialização do Office 365 será na modalidade SaaS, de “Software as a Service”, um modelo no qual os arquivos executáveis permanecerão nos servidores da empresa), inclusive os que comentaram a coluna e tiveram a impressão que eu “abandonei o tópico” por preferir acrescentar meus comentários após o lançamento e com quem me desculpo pelo aparente descaso, terão informações adicionais, atualizadas, dentro de uma semana. Agora, aos memes…
Há cerca de três meses publiquei aqui mesmo a coluna “Afinal, quem é o mais estúpido?” que tratava de um tema um tanto bizarro: uma pesquisa, atribuída à canadense AptiQuant, ilustrada com gráficos e dados numéricos, dando conta de que os usuários do Internet Explorer apresentavam um quociente intelectual (QI) significativamente menor que o dos usuários dos demais navegadores.
Os resultados da pesquisa foram amplamente divulgados na imprensa e na Internet. Pelo menos até se descobrir que a pesquisa jamais existiu, seus resultados foram forjados e tudo aquilo era obra do desenvolvedor de sítios para a Internet Tarandeep Gill, cuja foto, obtida em sua página do Twitter (@tarangill) aparece na Figura 1.
O título da coluna refletia minha dúvida sobre que grupo teria sido o mais estúpido: os usuários do IE, os que acreditaram no resultado de uma pesquisa inexistente ou os que a divulgaram sem apurar sua veracidade.
Mas porque teria Mr. Gill se dado ao trabalho de forjar tal pesquisa?
Ele declarou que o fez por não aguentar mais as incompatibilidades do Internet Explorer 6 com os modernos padrões de desenvolvimento para a Internet e porque estava cansado de ser obrigado a testar a compatibilidade de cada página por ele desenvolvida com as quatro últimas versões do navegador. E decidiu tomar alguma providência para reduzir o número de usuários do IE. Providência esta que consistiu em divulgar os supostos resultados da pesquisa forjada com o objetivo de criar um meme que, ao se propagar, fizesse com que as pessoas abandonassem o IE para fugirem da pecha de serem estúpidas.
Quase deu certo. Só falhou porque ele não contava com o vulto assumido pela questão, que o obrigou a admitir que a pesquisa havia sido forjada. Pois um meme não se cria com estardalhaço. Ao contrário, ele se dissemina aos poucos, pessoa a pessoa, mente a mente, até adquirir foros de veracidade. E só então seus efeitos se manifestarão.
Mas, afinal, o que é um meme?
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