Quando se fala sobre os problemas relacionados ao mercado de aplicativos de entrega, a relação feita comumente está na rotina dos milhares de motoboys que realizam a coleta e entrega de todos esses pedidos. Porém, uma reportagem publicada recentemente pela BBC apresentou o lado de outra ponta do negócio: a dos pequenos restaurantes que atuam como parceiros.
O texto coletou os relatos de diversos empreendedores que utilizavam o iFood para comercializar seus pratos é que acabaram fechando seus restaurantes por uma série de fatores relacionados à posição de desvantagem que eles estariam no negócio.
Para ter acesso à plataforma do iFood e o serviço de motoboys, essas empresas precisam pagar à startup uma comissão de 27% – que pode ser diminuída, caso o comércio realize a gestão das entregas.
Junto com isso, seguem os gastos com embalagens e mais os custos de produção do alimento, que acaba saindo bem mais caro quando entregue e, mesmo assim, com uma margem de lucro quase inexistente.
Mas a principal queixa dos comerciantes está na falta de transparência entre eles e o iFood. Não só a posição do restaurante do app pode mudar, como são colocados avisos na página no restaurante restringindo o perímetro de entrega. Algo que, de acordo com os entrevistados, a companhia de entregas faz para dar conta da demanda, mas acaba prejudicando seus negócios.
Outro aspecto de reclamação está na falta de contato com os clientes, já que desde 2018 o iFood não fornece os dados de quem realiza o pedido. Caso haja algum problema ou dúvida, o restaurante deve ligar para o iFood que uma atendente da empresa realiza a intermediação.
A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) já fez um pedido formal aos três principais aplicativos (iFood, Rappi e Uber Eats) para que compartilhem os dados dos usuários; de acordo com o texto da BBC, os negócios “estão analisando” o pedido.
Por conta das experiências negativas, alguns donos buscam soluções alternativas, como o investimento para os pedidos via telefone, contratação própria de motoboys ou mesmo a criação de apps próprios.
Além de não ter controle sobre os dados, os donos de restaurantes entrevistados para a matéria afirmam que o iFood dá preferência a restaurantes ou serviços criados por ele mesmo, em detrimento de negócios já consolidados.
Um desses serviços seria o Loop, que oferece comida ao estilo “marmitex” por cerca de R$ 10 e sem taxa de entregas. Segundo a Abrasel, a empresa estaria realizando dumping, prática na qual se elimina a concorrência ao oferecer um produto por um valor muito mais baixo.
De acordo com o iFood, a empresa “age de acordo com a legislação aplicável na operação do Loop e em suas demais atividades”.
Outro serviço que está sob suspeita é o uso de dark kitchens, cozinhas criadas especialmente para receber pedidos via aplicativos. Os restaurantes alegam que a companhia privilegia em sua busca empresas que trabalham sob esse sistema – e que são escolhidas pela própria companhia
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