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As características dos líderes transformadores de grande sucesso

A transformação digital dos negócios tem impactado profundamente as organizações, ampliando os seus desafios de gestão em diferentes níveis e amplitudes. As mudanças sendo requeridas não se restringem apenas às formas como as companhias vêm se organizando e operando. Elas têm exigido a adaptação e a evolução das lideranças diante desse novo paradigma digital. Em resumo, os líderes precisam ressignificar seus papéis e responsabilidades.

A liderança precisa saber lidar com uma dinamicidade cada vez maior em sua missão, antevendo, antecipando e gerenciando todas as frentes táticas e estratégicas de suas empresas. Para permanecerem eficazes em um ambiente de negócios tão disruptivo, os líderes precisam aprender a conviver com um cenário de mudança contínua e de incertezas.

O desenvolvimento de uma liderança eficaz desponta, portanto, como um fator crítico de sucesso para a transformação dos negócios nas organizações. Em outras palavras, a transformação de uma empresa pode ser acelerada ou não conforme a capacidade de adaptação de seus líderes ao novo paradigma. Sendo assim, a questão que fica é: quais seriam as características dos líderes transformadores?

Algumas características diferenciam os executivos medianos dos líderes transformadores. A primeira delas é que os líderes transformadores são fascinados por novidades, sem medo de romperem com hábitos consolidados que sempre trazem a reboque oportunidades de melhoria. Líderes transformadores geralmente estão abertos a novas experiências, são criativos e têm capacidade de vincular domínios aparentemente não relacionados aos já conhecidos para proporem soluções mais práticas, assertivas e inovadoras para os seus negócios.

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Outra característica fundamental dos líderes transformadores é a sua capacidade inventiva decorrente de experimentações, observações e aprendizados com fracassos e sucessos, próprios ou de terceiros. Eles não criam o tempo todo. Na realidade, esses executivos são caracterizados por uma apreciação refinada sobre quais demandas suas organizações precisam atender de forma mais impactante e inovadora e em quais áreas/domínios elas podem copiar ou adaptar com base no que já existe no mercado. Eles são seletivos, investindo em frentes específicas que podem trazer mais impacto para as suas empresas. Sentem-se à vontade para usar métodos testados e comprovados.

A terceira característica dos líderes de negócios digitais bem-sucedidos é a habilidade de evitar fronteiras em suas próprias indústrias. Hoje, as empresas buscam referências, além de suas áreas originais de atuação. O Gartner, por exemplo, identificou a existência dos “dragões digitais”, que estão indo além de seus próprios setores, crescendo cada vez mais e integrando empresas que abraçam a disrupção digital para entrar, assumir e dominar mercados nos quais não atuavam antes.  Essas organizações estão criando indústrias totalmente novas e não estão muito preocupadas com os limites da indústria tradicional. É essencial que os líderes acompanhem essas gigantes, anteveja ameaças e aprendam a também pensar além de seus próprios limites aparentes.

Isso tudo já está provocando nos líderes, em geral, um despertamento e compreensão de que Inovar é mais do que simplesmente agir com criatividade. Os líderes tradicionais costumam presumir que inovação e criatividade são intercambiáveis, quando, na verdade, a criatividade é apenas um dos cinco comportamentos necessários para levar uma inovação ao mercado. Existem mais quatro. A inovação é a criatividade aumentada pela capacidade de desafiar, colaborar, construir e comercializar uma nova ideia.

O modelo de inovação de cinco estágios inclui (1) geração de ideias, (2) avaliação e seleção de ideias, (3) desenvolvimento, (4) implementação e (5) promoção de ideias. Essas cinco etapas representam um modelo de inovação típico que leva uma ideia do seu nascimento até a entrega de um produto ou serviço inovador ao mercado. O que os líderes tradicionais negligenciam são as diferentes habilidades necessárias para cada estágio.

Inovar e buscar o novo, porém, podem levar a erros e problemas. Por isso, é imprescindível que os líderes transformadores construam equipes diversas e resilientes, capazes de entenderem as dificuldades e aprenderem com os erros. A disrupção inerente ao mundo digital desafia crenças e valores antigos, dando início a uma nova realidade. Isso traz uma maior necessidade para corrigir rotas em um mundo em constante transformação.

Outra característica é a capacidade de compreender que o digital é o meio e não o fim.  Ainda que, por hipótese, a maioria dos produtos e serviços de uma organização estejam digitalizados e a experiência digital integrada com o mundo físico, o digital continua sendo o aparato tecnológico habilitador da estratégia de negócios digitais que é parte integrante da sua estratégia de negócios.

Os líderes transformadores fomentam os recursos que promovem mais agilidade diante das oportunidades, resiliência diante dos riscos e capacidade adaptativa da sua operação para reagir aos estímulos do mercado de forma mais eficaz, sublimando as incertezas e cenários improváveis para entregarem inovação contínua para o negócio. A certeza é a incerteza.

Diante deste cenário, as lideranças, em seus diversos níveis, precisam promover uma cultura organizacional que esteja aberta e que estimule seus indivíduos a serem protagonistas do processo de transformação, apresentando ideias novas (ainda que disruptivas) e iniciativas que possam contribuir para o crescimento dos negócios por meio de um trabalho colaborativo.

Para promover a mudança de postura, é importante que a liderança comunique os objetivos de forma assertiva e inclusiva, fazendo com que todos se sintam parte da causa. Desta forma, a liderança conseguirá alavancar, em toda a sua plenitude, a diversidade de talentos da organização.

Se a disrupção já é fato consumado, os líderes transformadores serão aqueles que terão maior habilidade de comunicar os riscos e as oportunidades de forma propositiva, engajando e inspirando suas equipes para participarem ativamente da jornada de transformação. Parafraseando Theodore Roosevelt, nada é impossível: se puder ser sonhado, pode ser feito!

* César Velloso é Country Manager do Gartner para o Brasil 

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