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Artigo: o IPv6 e a rede social

Todos nós sabemos há quanto tempo está sendo desenvolvida uma nova versão do protocolo IP. Saindo da versão do IPv4, que possibilita endereçar qualquer equipamento que possua a funcionalidade de se conectar em rede baseado em um endereço decimal de 32 bits, esta versão do protocolo, no decorrer do tempo, se mostrou insuficiente para endereçar os mais diversos dispositivos eletrônicos que surgiram nos últimos tempos. Apesar da criação de técnicas, como a tradução de endereços IP, conhecida como NAT, foi possível dar um pouco de fôlego para o IPv4. Na medida em que os engenheiros ganhavam tempo para desenvolver a versão do IPv6, endereços privados baseados na RFC 1918 são traduzidos para endereços roteáveis na Internet. Talvez o NAT seja o principal motivo para os constantes adiamentos na adoção do IPv6.

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A Internet, como nós a conhecemos, possibilita a criação de uma série de recursos que nos mantém conectados a todo instante. Cada vez mais a rede se torna muito mais social do que uma espécie de “laboratório de testes” de tecnologias. A criação dos smartphones e a crescente criação de aplicativos para este tipo de dispositivo, por exemplo, foi um dos grandes responsáveis por nos manter online a todo instante.

Neste instante, vivemos a era do compartilhamento. Tudo o que fazemos com esses dispositivos eletrônicos é compartilhado com nossos amigos no Facebook e seguidores do Twitter. A criação destes dispositivos inteligentes, e seus mais variados aplicativos nos permitem até oferecer “carona” enquanto nos deslocamos de carro pela cidade utilizando o aplicativo Waze, por exemplo. Portanto, em tempos de amizades virtuais, participação remota em eventos através da rede e compartilhamento de atividades que realizamos, a Internet é social, ou seja, a “aldeia global” de Marshall McLuhan.

Com uma rede “social” e a nossa crescente procura em estar inserido dentro deste contexto, demandamos de conectividade através dos dispositivos que já temos que estão em desenvolvimento e dos que ainda estão por surgir. O futuro não será somente dos telefones inteligentes, mas também das geladeiras, dos carros e dos relógios medidores de luz e água inteligentes. Exigimos conexão e para isto, a versão do IPv4 e tecnologias como o NAT, não serão mais suficientes para nós.

O IPv6 é formado por endereços de 128 bits representados em números hexadecimais, capaz de atribuir 2128 endereços IP, nos dando condições de termos uma espécie de registro único na rede.

As possibilidades com o IPv6 são inúmeras. A partir do exemplo acima, podemos até especular que a partir deste “registro único” e com o desenvolvimento da genética, surgirão microchips que poderão medir a nossa saúde, registrá-la em “prontuários digitais” e manter um histórico da nossa saúde, dando melhores condições para a medicina preventiva, por exemplo. O IPv6 poderá ser o nosso ID na rede, ou seja, no nascimento de uma criança, ao invés de receber o registro de nascimento através de uma numeração em um livro, receberá um endereço IPv6, que poderá acompanhá-lo durante toda a sua vida, ou, como nos EUA, poderá substituir o seu número do seguro social.

Podemos elencar uma série de benefícios com a adoção do protocolo IPv6. Ele, na verdade, poderá ser uma das faces da democratização no acesso a Internet em um mundo cada vez mais digital. Permite nos manter conectados a todo o momento, com um registro de nossas atividades, dando autenticidade para estes registros aos quais nós colocamos na rede. Sendo assim participaremos da rede que será a nossa própria identidade, porém multifacetada, formada pela identidade de cada um de nós, sendo um coletivo inteligente com a marca registrada de cada indivíduo que a utiliza e irá utilizá-la.

*Gabriel Perazzo é analista de redes da Cylk

**As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação

Saiba mais:

IPv6 facilitará chegada do movimento internet das coisas

 

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