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Apps de namoro estão mais seguros, mas ainda oferecem risco à privacidade

Após mais de um ano e meio de distanciamento por conta da pandemia, os aplicativos de namoro tem sido ainda mais utilizados por quem procura um “match” ideal. De acordo com a Kaspersky, esses apps tornaram-se mais seguros no que diz respeito à transferência de dados, no entanto, a grande exposição de informações pessoais é responsável pelo aumento de ameaças de perseguição virtual (stalking) e liberação de arquivos (doxing).

Há quatro anos, a Kaspersky busca entender como o uso dessas plataformas influencia a segurança a partir da análise de nove apps de namoro. Entre eles, estão Tinder, Bumble, OkCupid, Mamba, Pure, Feeld, Her, happn e Badoo.

Em 2017, quatro apps possuíam brechas de segurança que permitiam a interceptação de dados enviados pela plataforma, sendo que muitos faziam uso do protocolo HTTP não criptografado. Já 2021, a empresa verificou que a segurança nos apps melhorou, sendo que que nenhum dos investigados analisados usa o HTTP, e nenhum dado é enviado quando o protocolo não é seguro.

Leia mais: Estudo: força de trabalho remoto entra na mira dos cibercriminosos

Apesar disso, as preocupações quanto à privacidade se mantém. A maioria dos apps permite que os usuários façam cadastro usando uma conta existente em redes sociais, como Instagram e Facebook. Ao optar por esse caminho, perfil é preenchido automaticamente com informações pessoais disponíveis naquela rede social, como fotos, perfis e informações sobre localização.

Sem contar que os aplicativos happn, Her, Bumble e Tinder exigem que os usuários compartilhem sua localização. O Mamba ainda fornece dados minuciosos, como a distância entre os usuários com a pessoa mais próxima. Já o happn possibilita que os usuários vejam quantas vezes e em quais lugares a pessoa cruzou com seus “matches”.

O problema é que com esses dados pessoais em mãos, os cibercriminosos aproveitam para perseguir usuário na internet (ação conhecida como stalking) e até revelar publicamente informações privadas com objetivo de envergonhar ou prejudicar uma pessoa (método conhecido como doxing). Apenas dois apps analisados possuem recurso gratuitos para evitar esses problemas: o Mamba traz um recurso para desfocar fotos e o Pure proíbe capturas de tela.

Já as versões pagas dos apps de encontro incluem funcionalidades que reforçam a segurança dos usuários. Por exemplo, nas versões pagas do Tinder e do Bumble é possível determinar apenas a região, e não a localização exata da pessoa. A versão paga do happn, por sua vez, oferece uma opção de “modo anônimo”, para que os usuários ocuntem seu perfil das pessoas que não gostaram e desconhecidos.

Prevenção

“É sempre um desafio encontrar o equilíbrio entre estabelecer a presença digital e manter a privacidade online. A mudança para a paquera online cria mais uma questão, em que os usuários precisam determinar a melhor maneira de fazer conexões e proteger sua segurança”, evidenciou Tatyana Shishkova, especialista em segurança da Kaspersky.

O balanço feito por ela é que os aplicativos de namoro estão caminhando na direção certa, permitindo que os usuários se conectem com mais segurança. Mas ainda é necessário que os recursos avançados de segurança estejam disponíveis em todos os apps de forma gratuita.

“O melhor que os usuários podem fazer para ficarem protegidos é ter cuidado com os dados que compartilham, tanto nos perfis quanto nas conversas”, pondera.

Para que os usuários possam se proteger, a Kaspersky recomenda não compartilhar muitas informações pessoais nos perfis e evitar vincular outras contas de mídias sociais a esses apps. Se possível, a localização deve ser determinada manualmente. O uso de autenticação de dois fatores para definir senhas de acesso também é fundamental.

Outra recomendação é apagar ou excluir o perfil quando não estiver mais usando o aplicativo. As trocas de mensagens devem ficar restritas ao chat interno dos aplicativos de namoro, de modo que a conversa deve passar para outros apps de mensagens somente se o usuário confiar no “match”. Para facilitar essa gestão da segurança, a Kaspersky também recomenda uso de soluções de segurança nos dispositivos.

 

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