Mais uma decisão para seguir a tendência de mercado está próxima de uma das empresas mais inovadoras do mundo. Depois de diminuir o iPad, com a criação do iPad mini, de 7,9 polegadas, a Apple agora pretende lançar uma versão mais barata de seu iPhone, cujo sucesso é inegável. A informação é do The Wall Street Journal e dá conta de que a empresa planeja, inclusive, optar por componentes mais baratos, como a utilizar plástico policarbonato para a carcaça, em detrimento ao liquidimetal dos dias de hoje.
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O jornal explica que a proposta não é nova, que os estudos sobre ela remontam a 2009 ? quando Steve Jobs ainda era vivo, portanto ? mas que dificuldades a respeito do processo de fabricação poderiam atrapalhar os demais produtos, de uma forma geral. “A empresa decidiu manter modelos mais velhos à venda por preços mais baixos, uma estratégia que não exigia o desenvolvimento de novos produtos”, contou o The Wall Street Journal, que citou, também, a pressão da concorrência do Android como o motivador para esse tipo de preocupação.
O lançamento pode ocorrer ainda neste ano, no segundo semestre, mas uma desistência em torno dele não está descartada.
Steve Jobs morreu há pouco mais de um ano. Desde então vimos dois novos iPads (parece que o 4 foi uma versão melhorada do iPad 3 após um lançamento precipitado), um iPad mini e um novo iPhone.
A principal inovação que veio no período, de fato, foi o ?mini-mim? do tablet. Mas o que isso realmente significa?
Vou pedir licença para usar o texto que escrevi na data em que completou um ano da morte de Jobs. E não o faço por preguiça, mas porque simplesmente nada mudou. Licença pedida, vamos então
O mais interessante disso tudo é que Jobs ridicularizou concorrentes quanto começaram a pipocar os primeiros ?sucessores? de seu tablet. Com o apelo de diferenciação pelos displays menores, girando em torno de sete polegadas, o executivo não media palavras ao garantir como eles eram imitações com algo a menos do que o seu produto. Na visão de Jobs, para ter um bom desempenho e garantir boa experiência do usuário, o tamanho mínimo de tela era o do iPad.
?Bem, pode-se aumentar a resolução da tela para compensar algumas diferenças. Mas é inútil, a não ser que seu tablet também inclua uma lixa, assim o usuário pode lixar seus dedos até mais ou menos um quarto da largura atual?, dissera, convicto, segundo notícias publicadas pela InformationWeek EUA.
?A Apple tem feito extensos testes com usuários em interfaces de toque através dos anos, e nós realmente entendemos disso?, completara. ?Há limites claros de quão perto você pode fisicamente dispor elementos em uma touchscreen, antes que os usuários não possam confiantemente tocar, empurrar ou pinçá-los. Esta é uma das razões principais para falarmos que a tela de dez polegadas é o tamanho mínimo requerido para criar ótimos aplicativos de tablets?.
Mais recentemente, em agosto de 2013, foi exposto um e-mail que Eddy Cue, executivo da Apple, havia escrito em janeiro de 2011 para Tim Cook (atual CEO da companhia) revelando que tablets de sete polegadas possuíam sim um bom mercado. No texto, ele falava que ?depois de falar várias vezes sobre isso com Jobs, ele havia sido mais receptivo da última vez?. Mas não há qualquer evidência de que Jobs tenha se mergulhado em um projeto sobre isso enquanto vivo. E estar mais receptivo não é estar de acordo.
A Apple apareceu com um tablet quando ninguém ? além da Microsoft e seu intento fora de timing dez anos antes ? precisava de um. O mesmo ocorreu com o iPhone. E o mesmo com o iTunes, iPod. E, por que não, o mesmo com a interface gráfica do sistema operacional, roubada da Xérox, que logo foi ?emprestada? pela Microsoft. Ninguém, tampouco, olhava para aplicativos móveis e comunidade open source de desenvolvedores antes da chegada da App Store.
Jobs criou demandas e modificou tendências no mercado. Um ano depois de sua morte, o mais próximo que sua empresa chegou de inovação foi um produto que ele refutava, com um design copiado daqueles que tentaram produzir algo parecido com o iPad. Vejam que ironia. Os novos dirigentes da Apple viram que existe um mercado para tablets de sete polegadas. E em vez de ficarem um ano pensando em um produto que criasse uma demanda, como sempre fez a Apple, passaram um ano especulando sobre um dispositivo recopiado, para atender a uma demanda do mercado.
Isso não é uma discussão sobre decisões certas e erradas, sobre o que dá dinheiro e o que não dá dinheiro. Se soubesse o que dá dinheiro, seria eu a dona de uma empresa como a Apple. Que um iPhone menor será um sucesso não há dúvida. Muitas pessoas ao redor do mundo comprarão. Mas isso pode fazer com que a exclusividade desse status que o iPhone e iProdutos proporciona se perca. Você lembra da orkutização do Facebook? Seria algo mais ou menos nessa linha. Não sei se isso será prejudicial no futuro, porque, se pudesse prever o futuro, lançaria agora o produto que faria sucesso em 2014. Estou falando de perspectivas e sensações. E também não sou contra a ideia de um iPhone para todos. Não é isso.
Mas uma decisão da Apple nesse sentido seria uma clara resposta à uma preocupação com a concorrência do Android (que, como sabemos, é ?inspirado? no iOS). Quando o iPad e o MacBook se converterem em um híbrido, aí sim, a Apple atestará que o que há fora do mercado é mais interessante do que está dentro da cabeça de seus cientistas.
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