Estimado em meio trilhão de dólares, o
mercado atual de aplicações moveis passa por um momento decisivo no mundo.
De acordo com especialistas como David Thodey, CEO da Telstra, e Michael
O´Hara, CMO da GSMA, o segmento é fundamental para impulsionar o avanço do
setor de mobilidade. Em palestra feita no Mobile World Congress 2010, em Barcelona
(Espanha), O´Hara explicou que os interessados em aproveitar este filão
de mercado devem prestar atenção no exemplo da Apple – que não participa de
eventos organizados por terceiros, mas que foi citada por pelo menos três
keynotes speakers como referência na indústria de telefonia móvel.
“A Apple é bem-sucedida, pois tem uma plataforma de fácil desenvolvimento,
uma forte comunidade de desenvolvedores e oferece um portfólio completo de aplicações”,
resumiu o executivo, denominando iniciativas como as de Nokia ou
Google na área como imitações da companhia. O´Hara lembrou, ademais, que
em 2009 o tráfico por internet móvel foi de 0,09 Eb (exabits) por mês, sendo que neste ano o número deve chegar a 0,2
Eb, atingindo 3,6 Eb por mês até 2014.
Para suportar esse tráfico crescente, o especialista prevê
investimentos de US$ 72 bilhões em tecnologias de banda larga móvel neste ano
no mundo. Para ele, o que se vê no mercado hoje são ilhas de criação, que
ignoram as diferenças dos concorrentes e perdem oportunidade na área
de aplicações GSM. O grande desafio, portanto, está relacionado com o
estabelecimento do que poder ser integrado e como. “Haverá ambientes que serão
o lixo do mercado”, opinou David Thodey, CEO da operadora australiana
Telstra. Ele acredita, ainda, que em dois ou três anos existira de duas a
três plataformas dominantes no mercado, comparando-se as cerca de dez
disponíveis hoje.
Thodey calcula que das 1,138 milhão de unidades vendidas na área de
aparelhos móveis no mundo, somente 15% foram smartphones. Além disso, as
empresas do ecossistema de mobilidade só recuperam 10% do investido. Outros
problemas apontados pelo especialista são a quantidade elevada de marcas
de smartphones e suas respectivas
incompatibilidades de plataformas. “Cerca de 70% do mercado mundial
ainda é de usuários de celulares avançados e esse representa um
público importante a ser conquistado”, opina o executivo.
O´Hara, CMO da GSMA, por sua vez, acredita ser fundamental criar uma rede
comum de aplicações, que forme uma comunidade engajada e cubra uma área ampla
de funcionalidades, entre elas de troca de mensagens, para pagamentos online
e localização geográfica. Do lado das operadoras, também urge o
estabelecimento de conceitos, práticas e critérios comuns, para estimular todas
as comunidades de desenvolvedores. “Os portais das operadoras precisam
funcionar como lojas de aplicações”, exemplificou O´Hara, que estima que o
mercado de equipamentos móveis some 5 bilhões de unidade globalmente.
Já os desenvolvedores devem criar soluções que possam ser
usadas em ampla região geográfica, assim como oferecer opções de plataforma aos
clientes finais. Na sua visão, é preciso buscar formas de que a receita seja
compartilhada entre todo o ecossistema.
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