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Aos empreendedores, um conselho: arroz e feijão antes da impressora 3D

Ganha força em diversos fóruns o debate sobre o impacto de tecnologias exponenciais como inteligência artificial, realidade virtual, robótica e impressão 3D nos micro e pequenos negócios. De fato, tais inovações tendem a mudar a maneira como interagimos e fazemos negócios com empresas de qualquer porte e em qualquer lugar. Porém, analisando o atual contexto do empreendedorismo no Brasil, proponho que uma reflexão mais urgente sobre outros avanços tecnológicos que já são realidade em boa parte do mundo e que também já começam a transformar pequenas empresas no Brasil.

Um dos melhores exemplos vem da indústria de pagamentos, com a expansão do comércio virtual e dos pagamentos móveis presenciais. Não é à toa que 2017 foi o primeiro ano em que as transações com cartão superaram as com dinheiro em espécie no mundo. Globalmente, as vendas no cartão aumentaram 5,5% – atingindo um volume de 23 bilhões de dólares – enquanto as transações em dinheiro caíram 1%, de acordo com estudo divulgado pela consultoria Euromonitor International. Estimativas conservadoras indicam que o papel dinheiro deve sair de circulação em países como a Suécia tão cedo quanto 2030. A tendência se confirma no Brasil, onde as transações com cartão cresceram 5,5% frente a uma evolução de 4% das vendas em espécie.

A democratização dos meios de pagamento

Tal evolução pode ser largamente atribuída ao movimento iniciado há cerca de 8 anos nos Estados Unidos e na Europa, liderado por empresas que criaram as primeiras máquinas de cartão para celulares e tablets, contribuindo para a democratização dos meios de pagamentos junto a pequenos negócios e até pessoas físicas.

No Brasil, no entanto, ainda é um desafio aumentar a penetração dos pagamentos com cartão fora dos grandes centros. Segundo a consultoria Boanerges e Cia – com base em estatísticas do Banco Central -, no ano passado, o Distrito Federal foi a unidade federativa com a maior penetração de máquinas de cartão, 37,9 por mil habitantes, seguido por São Paulo (37,5) e Rio Grande do Sul (33,9).  Já o Estado do Maranhão tem apenas 7,7 máquinas para cada mil habitantes.

Essa disparidade não é apenas regional, mas por tamanho de negócio. É natural que uma grande empresa tenha acesso antecipado às primeiras tecnologias e que consiga implementar de forma mais rápida novas ferramentas. São empresas estruturadas e que fazem investimentos constantes em inovação. O pequeno negócio tem o desafio de competir com o grande e manter-se atualizado sem essa musculatura.

Inclusão dos pequenos negócios 

De acordo com o Sebrae, 61% dos MEIs, micro e pequenos negócios no País ainda não aceitam cartão. Além de perderem clientes e possuírem menos flexibilidade para oferta de crédito, eles deixam de acessar ferramentas gratuitas de gestão associadas aos aplicativos dos novos adquirentes e facilitadores de pagamentos. Dentre os principais recursos que já podem ser acessados por qualquer empreendedor no Brasil, estão galerias de produtos, gestão de vendas e ferramentas de controle de estoque.

Enfim, antes mesmo da corrida para ter uma impressora 3D ou se adaptar à realidade virtual, o dono de um micro ou pequeno negócio no Brasil deveria garantir que tem o arroz com feijão para os seus clientes. Ou seja, está inserido na indústria de pagamentos e faz uso inteligente de suas ferramentas gestão de vendas, tendo assim profissionalismo para competir com os grandes negócios. Estes tendem a traçar um caminho de maior prosperidade, ainda mais se pensarmos na criatividade e na paixão que os brasileiros possuem em seu DNA e imprimem em suas iniciativas.

*CEO da iZettle no Brasil


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